Professor da São Judas resgata obra de escravo e arquiteto santista ícone de São Paulo

O professor da São Judas – Unimonte, Renato Frosch, resgatou um personagem fundamental na história de Santos e de São Paulo que ainda não tem o devido reconhecimento. Seu nome é Joaquim Pinto de Oliveira, mais conhecido como Tebas, uma pessoa escravizada santista que se tornou ícone da arquitetura na Capital no século 18.

Tebas foi o responsável pela fachada da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, pelo Mosteiro de São Bento e pela torre da antiga Catedral da Sé, entre outras obras importantes de São Paulo.

Ele só foi reconhecido como arquiteto em 2018 graças à iniciativa do Sindicato dos Arquitetos de São Paulo (Sasp). O Instituto para o Desenho Avançado (Idea) e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado de São Paulo (CAU-SP) editaram o livro Tebas, um negro arquiteto na São Paulo Escravocrata.

Em parceria com o laboratório Drone Lab Brasil, Frosch reconstruiu em 3D a réplica do Chafariz da Misericórdia, o primeiro chafariz público paulistano construído por Tebas e demolido quando a água encanada chegou à cidade, em 1866. O chafariz ficava na região central e era usado pelas pessoas escravizadas para abastecer de água a casa de seus senhores.

“A ideia foi trazer de volta uma obra importante que não existe mais e valorizar seu autor que foi apagado da nossa história, como tantos negros que também construíram esse País”, destaca Frosch.

Importância – Em trecho de Tebas, um negro arquiteto na São Paulo Escravocrata, é notória a importância do trabalho do santista na Capital. “Mas, à informação de que foi Tebas o construtor da torre da Catedral, acrescenta que, depois desse trabalho arquitetônico de importância, não houve em São Paulo o que deixasse de ser por Tebas executado”.

“Tebas teria ainda atuado como engenheiro hidráulico, assumindo e realizando o encargo de estabelecer o primeiro abastecimento público regular de água à Paulicéia, com a construção do antigo chafariz da Misericórdia e derivação canalizada, para este, das águas do Anhangabaú”.

Tebas nasceu em Santos em 1721 e aprendeu o ofício com seu senhor, o português Bento de Oliveira Lima, um grande mestre de obras da região. Com 29 anos, Tebas subiu a Serra e tornou-se fundamental para a modernização das construções da Capital, ao talhar blocos de rocha no lugar das edificações em taipa (barro).

Morreu aos 90 anos, em 1811, mas, bem antes, foi alforriado. Alguns dizem que sua alforria custou 400 réis devido a seu talento, enquanto outras valiam 100 réis. O santista foi sepultado na Igreja de São Gonçalo, no Centro de São Paulo, cidade que ajudou a construir.

Para homenageá-lo, a Prefeitura de São Paulo entregou no final do ano passado uma estátua na Praça Clóvis Bevilácqua, na face leste da Praça da Sé, que celebra a grandiosidade do legado arquitetônico de Tebas.