Aluna espanta o desânimo do isolamento com documentário gravado em casa e vence Santos Film Fest

Victoria Lam, de Santos, é aluna de Cinema e Audiovisual da São Judas – Unimonte

Um documentário gravado com o celular em casa, durante a o período de isolamento social imposto pela pandemia, deu a ainda estudante de Cinema e Audiovisual, Victoria Lam, 22 anos, de Santos, o prêmio de melhor direção da Baixada Santista no Santos Film Fest, edição especial on-line, realizado neste mês.

“Cápsula” foi produzido entre março e outubro do ano passado com imagens e áudios de Victoria se questionando e refletindo sobre a vida antes e durante a pandemia. “Eu estava muito desanimada, não tinha projeção de quando minha vida voltaria ao normal. Todos os meus projetos haviam sido interrompidos. Sete meses depois do isolamento, me inscrevi em um curso livre e on-line sobre documentário do Sesc e queria produzir alguma coisa, independentemente do que se tornasse”.

Victoria começou a pensar num filme que abordasse a experiência do isolamento social e da pandemia e o quanto havia lhe afetado e também a conhecidos e amigos. Revisitou as imagens e áudios que  gravou durante esse período em casa, apenas para registrar e dar atenção a detalhes que, até então, com a vida lá fora, não dava atenção. “Gravei o filme inteiramente com o celular, optei por não aparecerem pessoas apenas em algumas cenas aparecem minha mão ou pernas para reforçar a ideia do vazio/solidão no período. Cápsula foi ganhando forma. Já tinha as imagens de arquivo, o que simplificou o processo, mas difícil foi fazer a costura, de escolher as melhores imagens e editar o texto, que é a parte que mais gosto no Audiovisual”.

Com o isolamento social, Victoria assumiu todas as funções que seriam exercidas por uma equipe de cinema: direção, roteiro, captação e montagem. “O maior desafio de trabalhar sozinha era o de continuar me motivando a finalizar o trabalho, claro que eu tinha orientadores no curso, mas se eu não me organizasse para fazer o filme, ninguém mais o faria por mim. Permanecer confiante nas coisas que faço e acredito foi essencial para todo o processo e com certeza agir assim foi importante para meus projetos futuros”.

Festivais – Com Cápsula finalizado em novembro, a diretora o inscreveu em vários festivais sem grandes pretensões, apenas para marcar e relembrar o período de isolamento, já que, naquele mês, os casos estavam em queda assim como as mortes por Covid-19 no Brasil.

“Infelizmente, com o colapso na saúde e o recorde diário de mortes neste mês, o filme se reinventou e reforça, mais do que nunca, que devemos permanecer nos cuidando em casa, sobre a importância do isolamento social e fazer o possível para conter o vírus”.

Victoria, no último ano do curso de Cinema e Audiovisual da São Judas – Unimonte, ficou feliz com o reconhecimento do Santos Film Fest. “Não esperava, sou jovem e pouco experiente no Audiovisual. Mostra que estou no caminho certo”.

Sobre o desânimo que estava sentindo quando começou as suas gravações, ela conta que foi passageiro. “Tem muita coisa que posso fazer. Estou mais motivada para continuar os meus projetos”.

A jovem cineasta também dá conselhos para quem está em casa como ela. “Acredito que a maior dica, além de respeitar as orientações para o período, é a de permanecer em contato com as pessoas que te fazem bem, seja da própria família ou amigos. Em um momento delicado como esse é importante sobrevivermos dando força entre nós e não se cobrar tanto por não entregar produtividade como esperam de você. Faça tudo no seu tempo e vontade que as coisas irão se ajustar um dia”.

Assista ao trailer aqui.