Trabalho voluntário: saiba como usá-lo a seu favor Trabalho voluntário: saiba como usá-lo a seu favor

Trabalho voluntário: saiba como usá-lo a seu favor

Que o trabalho voluntário é constantemente associado a boa vontade, disposição para contribuir e intenção generosa de ajudar o próximo, todo mundo sabe. Contudo, ainda há outros bons motivos para doar suas habilidades.

O melhor deles é que, embora o objetivo principal do voluntário seja melhorar a vida de outras pessoas, ele acaba melhorando muito a sua própria existência também.

Em primeiro lugar, porque, quando sabemos que temos algo com o que contribuir, nos sentimos úteis e bons, o que afeta nossa autoestima positivamente. E, além dessa retribuição imediata, há ainda vários outros tipos de retorno, e tão benéficos quanto, para a nossa profissão.

Por isso, no artigo de hoje vamos te mostrar como, ao ajudar quem precisa, você pode fazer um favor para si mesmo. Leia até o fim e saiba por que o trabalho voluntário ajuda no currículo, no aprendizado, na vida profissional e, até mesmo, numa entrevista de emprego!

A escolha de um trabalho voluntário

De fato, há muitos motivos para ajudar. Então, para quem já tem essa boa intenção, falta saber como fazê-lo: procurar aprender novas habilidades para oferecer ajuda ou começar buscando um trabalho voluntário na sua área, aquela em que você é formado ou vai se formar?

É possível aproveitar para adquirir experiência na área de formação

Qualquer um que se fizer tal pergunta vai achar que atuar na área de formação é a decisão mais certa. Mas não é tão simples assim.

Na verdade, é possível aproveitar bastante as duas opções, do ponto de vista de quem quer usar a experiência adquirida como uma maneira de dar início à própria carreira.

Optando por exercer alguma atividade na sua própria área, por exemplo, você pode aproveitar para desenvolver experiência prática na função que pretende desempenhar no futuro.

Eis, portanto, uma excelente maneira de colocar a mão na massa e começar a bolar um método de trabalho, além do conhecimento aplicado daquela área em que você vai trabalhar.

Enfim, essa é a opção mais óbvia — e uma ótima opção, por sinal. Contudo, veja o outro lado:

O voluntariado pode ser uma oportunidade de desenvolver novas habilidades

Imagine que a sua área de formação seja Engenharia, mas você acabe se candidatando para cuidar das redes sociais de uma ONG, se relacionando com o público na internet ou mesmo trabalhando na tesouraria de alguma instituição.

Esses conhecimentos — marketing e finanças — são absolutamente necessários para qualquer profissional e, dificilmente, você aprenderia a utilizá-los na prática se não fosse pelo trabalho voluntário.

Portanto, se, no futuro, você decidir por ser um empreendedor na sua área, eles vão ser de grande valia!

Afinal, mesmo que seja contratado por alguma empresa, esse conhecimento vai mostrar o tipo de profissional diferenciado que você é, que busca conhecer todos os aspectos relacionados e melhorar o próprio trabalho.

Enfim, como deve ter dado para notar, ser voluntário agrega valor às suas atividades profissionais e enriquece o seu currículo, independentemente da área que você escolha para doar a sua boa vontade.

É fácil descobrir uma forma de doar serviços

Tudo bem, você já sabe que há várias áreas possíveis para se voluntariar. Agora, a pergunta é: como chegar até alguma instituição que preste serviço voluntário?

Em primeiro lugar, tenha em mente que ser voluntário não é só pertencer a alguma ONG ou grupo filantrópico.

Mais que isso, é identificar um problema social — que pode ser uma obra de caridade ou um simples impasse que precisa ser resolvido, para o bem de todas as pessoas de uma comunidade — e oferecer ajuda. Simples assim.

Se você já conhece alguma organização, instituição ou mesmo um grupo de pessoas que realize tais boas ações espontaneamente, vá até eles e se ofereça. Mas, se não conhece nenhuma, que tal ir até onde o problema está, arregaçar as mangas e ajudar a resolvê-lo?

Aí no seu bairro mesmo deve ter gente precisando de ajuda neste momento! Em outras palavras, você não precisa fazer parte da Legião da Boa Vontade ou dos Doutores da Alegria para prestar serviço voluntário.

Muitas vezes, aliás, Organizações Não Governamentais ou associações como essas começam com uma única pessoa dispondo do seu tempo e, tempos depois, acabam tendo uma adesão de outros voluntários.

Seja em uma pastoral, ONG, associação ou empresa sem fins lucrativos, seja criando você mesmo, sozinho, a melhor maneira de ajuda é colocar em prática o significado daquele dito antigo: “o que vale é a intenção”.

A possibilidade de inserção no mercado de trabalho

Pelo que dissemos até aqui, já deve ter dado para notar que ajudar outras pessoas requer bom coração, mas também iniciativa, habilidade de comunicação e trabalho em equipe. Além, é claro, das aptidões específicas que você vai oferecer.

Com certeza, todos ao seu redor vão saber valorizar essas qualidades. Agora, a melhor notícia para você é que aquela empresa na qual você sonha trabalhar vai dar muito valor a isso também.

Afinal, todas essas habilidades que citamos são os maiores requisitos que elas buscam em novos colaboradores. Não faltam exemplos de funcionários que passaram na entrevista justamente porque tinham algum trabalho voluntário como diferencial.

E, se você não tem experiência na sua área de atuação, o trabalho voluntário, com certeza, ainda vai garantir alguma vaga de estágio ou emprego. Isso porque, além de mostrar iniciativa e proatividade, ele atesta experiência prática no que você faz.

Pense pelo lado da empresa: você deixaria de contratar alguém que, de livre e espontânea vontade, se ofereceu para desempenhar uma atividade que requer responsabilidades, disciplina e pontualidade, e sem receber nada em troca?

Pois é; sem dúvida, vale a pena investir o seu tempo nesse tipo de iniciativa!

A atuação dentro da carreira pretendida

A verdade é que o dia a dia do trabalhador voluntário, em muitos aspectos, é mais difícil que o de um colaborador dentro de uma empresa.

As empresas têm um grande nível de organização, orçamentos bem maiores, equipes com muitos funcionários e trabalham com problemas que já são conhecidos no mercado. A ação voluntária, por outro lado, não pode se dar a esses luxos.

Quase sempre, é pouca gente para resolver muita coisa, com orçamento mínimo e falta de estrutura.

Contudo, se você ainda não percebeu isso, com certeza ainda vai passar por uma situação ou outra que o comprove: quanto maior a dificuldade para resolver um problema, e mais escassos os recursos, mais criatividade e empenho serão necessários na solução.

Não à toa é costume dizer que “a dificuldade fortalece e a facilidade fragiliza”. Já ouviu isso?

Pois se não acredita nessa tese, é bom mudar sua cabeça. Até os funcionários dos departamentos de Recursos Humanos de qualquer empresa em que você for procurar emprego já têm isso como verdade.

Assim, consideram os jovens que prestaram trabalho voluntário por algum tempo como mais qualificados, positivos, proativos, pacientes, inventivos — resumindo: mais preparados para lidar com os problemas diários das grandes organizações.

Até porque, flexibilidade e paciência são coisas que devem ser treinadas, certo?

O valor do trabalho voluntário no currículo

Enfim, se você já se convenceu de todas as vantagens profissionais da ação voluntária, chegou a hora de abordar uma parte mais polêmica: como colocar esse tipo de trabalho no seu currículo.

Algumas pessoas recomendam deixar de fora…

Há quem diga que não é de bom tom colocar sua atuação como voluntário na lista das experiências curriculares.

O argumento é que isso pode ser mal interpretado pelo entrevistador, e você pode se passar por alguém que faz o bem apenas para ter uma melhor oportunidade profissional ou para se gabar.

Nesse ponto de vista, o ideal é mencionar as qualidades e experiências que você adquiriu nesse período durante a entrevista. Afinal, lá será possível dar o tom correto às palavras e fazer com que o entrevistador perceba que você não está usando as boas ações para se autopromover.

…mas você corre alguns riscos ao fazer isso

No entanto, sejamos francos: agindo assim, nada garante que você chegue a essa entrevista. O simples fato de excluir o seu voluntariado do currículo pode te deixar de fora dela, já que vai ser um diferencial a menos.

Além do mais, não dá para ter certeza de que esse assunto vai ser abordado na entrevista se ele não aparecer no seu currículo primeiro.

Até mesmo o LinkedIn — a rede social focada em ajudar as pessoas a divulgarem suas habilidades profissionais — oferece a possibilidade de que cada membro preencha o seu perfil colocando quantas experiências voluntárias quiser.

Por esses e outros motivos, o melhor mesmo é não se arriscar deixando de fora do seu currículo essas importantes habilidades.

Não minta nem use o voluntariado para se autopromover

No entanto, tome muito cuidado. Não é porque você cooperou com uma ação de resgate durante uma chuva forte ou foi a um hospital fazer uma visita há um ano que isso deve ser mencionado na entrevista.

É claro que esse tipo de ação contribui para a sua evolução pessoal, para não dizer que pode até ter sido vital para as pessoas a quem você ajudou na ocasião.

Ainda assim, as qualidades que uma empresa procura nos candidatos só aparecem depois de um trabalho prolongado como voluntário. Então, use o bom senso nessa hora.

Há uma grande diferença entre dividir honestamente as qualidades que o trabalho voluntário proporciona para conseguir uma vaga de emprego e adotar uma postura oportunista para tentar se fazer passar por “bom samaritano”.

E nunca tente enganar o seu entrevistador para conseguir uma vaga. Afinal, ele foi submetido a anos de treinamento para reconhecer esse tipo de comportamento.

Assim, em vez de criar uma boa impressão que poderia ser lembrada numa próxima entrevista, você pode “se queimar” para sempre com a empresa, Nem tudo se consegue na primeira tentativa, não é verdade?

O desenvolvimento pessoal obtido

Muita gente acredita que essa divisão entre o “pessoal” e o “profissional” não existe. Afinal, se você aprimora qualidades pessoais, como empatia, espírito coletivo e autoestima, poderá usá-las também a seu favor no trabalho.

E o contrário também acontece: muita coisa que aprendemos na empresa pode ser levada para a vida pessoal, e nos transforma em pessoas melhores.

Mas, se tudo isso é verdade, ou não, pouco importa. O principal aqui é que ajudar outras pessoas talvez faça tão bem para nós mesmos quanto para elas, seja do ponto de vista profissional ou pessoal.

Como já mencionamos, realizando atos voluntários nos sentimos úteis e queridos, o que aumenta muito a autoestima. Há até mesmo estudos que comprovam cientificamente os benefícios do trabalho voluntário.

O líder social Allan Luks, por exemplo, menciona em um dos seus livros os dados de uma pesquisa que mostra como pessoas que dedicam algumas horas semanais para o trabalho voluntário vivem mais e melhor, e que os efeitos das boas ações sobre quem as pratica são parecidas com os dos exercícios físicos.

Quem diria que aquelas horinhas semanais dedicadas a ajudar quem precisa poderiam se transformar em mais anos de vida no final, não é mesmo?

Enfim, se o pessoal e o profissional podem ou devem ser separados, é mesmo uma questão que ainda pode gerar muita discussão.

Mas, uma coisa não podemos negar: o trabalho voluntário vai te fazer crescer nesses dois campos. E as qualidades que você adquire ajudando outras pessoas podem te servir para os dois aspectos.

A experiência de vivenciar outra realidade

Acima, usamos uma palavra “empatia” para nos referir a uma das qualidades adquiridas por quem é voluntário em alguma causa. E, talvez, essa palavra resuma o que há de mais importante em oferecer o seu trabalho espontaneamente.

Quem dedica um tempo da semana ou do mês a uma boa causa, se vê obrigado a vivenciar uma realidade completamente diferente daquela com a qual está acostumado.

Quantos de nós tem uma boa ideia do que é ser idoso e morar em um asilo, por exemplo? E de ter uma doença grave, saber que seu estado é terminal ou ser uma pessoa muito pobre lutando para pagar as contas e conseguir satisfazer as próprias necessidades básicas e as dos filhos?

Ou ainda, quem sabe realmente o que é sobreviver a uma tragédia natural, um acidente ou, simplesmente, ter sido exposto a uma situação extremamente degradante desde a infância e não saber o que é viver fora daquela realidade, como o que acontece com boa parte dos moradores de rua?

De fato, esses são exemplos extremos, que obrigam o trabalhador voluntário a se colocar no lugar de outras pessoas. Ele deve, pois, desenvolver a sua empatia e compreender realidades que estão muito, mas muito longe mesmo da dele próprio.

Basicamente, somos obrigados a aprender com a vida de outras pessoas, tornando nossa visão de mundo muito mais ampla, rica e generosa. Fazer isso não apenas nos ensina a ser gratos pelo que temos — ainda que seja pouco — como oferece uma lição de vida e de resistência.

O aprendizado do trabalho em grupo

Além da empatia, o contato com uma visão de mundo diferenciada ajuda ainda a desenvolver outro requisito importante, e muito valorizado pelas empresas: o trabalho em grupo.

Como dissemos, para se tornar voluntário, nem sempre é necessário se juntar a uma ONG, associação ou outro agrupamento de pessoas qualquer. Você pode simplesmente arregaçar as mangas e começar a trabalhar.

Mais cedo ou mais tarde, porém, você vai precisar da ajuda de outras pessoas para a causa que escolheu. Até porque, felizmente, toda ideia generosa tende a crescer e conquistar mais gente bem-intencionada.

E, dependendo de como as coisas evoluírem, pode ser que você se torne o líder desse novo grupo ou desempenhe uma função muito importante, sendo respeitado pelos colegas que aderiram à mesma causa.

Seja desenvolvendo a aptidão para a liderança ou se sentindo uma parte importante no todo, o espírito de equipe é fundamental para o voluntariado. E o trabalho em grupo é parecido, independentemente, de onde seja feito.

Podem ser vizinhos se organizando para recolher animais abandonados, uma paróquia que presta auxílio a pessoas viciadas em álcool ou drogas, ou até duas pessoas que resolvem, juntas, recolher e doar cobertores para asilos e orfanatos.

Enfim, o que quer que envolva divisão de tarefas, união de forças e mais de uma cabeça pensando soluções é um aprendizado de trabalho em grupo.

O mesmo tipo de trabalho, aliás, que vai te tornar uma pessoa respeitada pelos futuros colegas de trabalho e valorizá-lo sempre aos olhos de recrutadores e gestores.

O networking com profissionais da área

Como já dissemos, não importa muito se você escolheu uma oportunidade de voluntariado na sua própria área de formação ou em outra qualquer. O mais importante é saber valorizar o contato com profissionais daquela área.

Mas, se você presta os serviços da sua área de formação e na qual pretende trabalhar, há ainda uma outra vantagem. Oportunidades como essa são fontes inestimáveis de aprendizado, sem a pressão e insegurança que os meses de experiência do primeiro emprego podem ocasionar.

Afinal, é uma atmosfera bem diferente daquela do dia a dia organizacional. Assim como nas empresas, todos no trabalho voluntário aplicam o seu conhecimento, tempo e experiência em prol de um bem maior.

Mas, ao contrário do que acontece no trabalho regular, a cobrança é reduzida e os colegas estão dispostos a entender que cada um ajuda com o que pode, quando pode, e como pode.

De toda forma, o contato com profissionais da mesma área que a sua e a oportunidade de ver como eles aplicam o conhecimento para solucionar problemas práticos não tem preço. Então, aproveite!

E dê o máximo de si, já que alguns deles podem levar o seu esforço e dedicação à causa em consideração e indicá-lo para uma vaga de estágio ou emprego na área. Lembre-se: o networking é algo muito natural: não tem local nem hora para acontecer.

A possibilidade de ajudar quem realmente precisa

Mesmo com todos os benefícios do trabalho voluntário que citamos neste texto, não há como negar que a parte mais satisfatória dessa tarefa é perceber que contribuímos para um mundo melhor.

Vivemos uma época de forte competitividade, dentro e fora do ambiente empresarial. E isso gera nas pessoas uma sensação de isolamento e solidão, que pode ser evitada se criarmos hábitos generosos.

Assim, cooperar com boas causas, doando tempo e trabalho sem esperar nada em troca, talvez seja a ação mais transformadora de que dispomos hoje em dia. Pode até nem ser correto dizermos que não se deve esperar algo em troca.

Afinal, o que um voluntário sempre espera de volta — e talvez seja algo muito simples de dar — é gratidão pura e simples. Quem não gosta de saber que faz parte das lembranças de outra pessoa como alguém que veio ao seu encontro no momento em que mais precisava, não é?

Quanto a isso, Alan Luks explica a satisfação em ajudar dizendo ela que se deve à endorfina que é liberada em nosso corpo, transmitindo ao cérebro uma enorme sensação de prazer.

Isso mostra que até mesmo a ciência é capaz de explicar que viver em sociedade só vale a pena se pudermos conhecer e suprir as necessidades uns dos outros, sem distinção. Em outras palavras: “fazer o bem, sem olhar a quem”.

É provável que nem mesmo este texto, embora longo, possa conter todas as vantagens profissionais e pessoais de ajudar ao próximo gratuitamente, por meio do trabalho voluntário.

Doando uma pequena parcela do seu tempo, você pode mudar a vida de outras pessoas, tornar o mundo um lugar melhor, melhorar sua autoestima, sua capacidade de trabalhar em grupo, fazer crescer suas qualificações profissionais, e envolver-se com pessoas de áreas profissionais semelhantes às suas, aprendendo bastante com elas.

E, ainda, aprender habilidades diferentes das que já desenvolve no seu campo de estudos ou profissional, dar os primeiros passos para se inserir no mercado de trabalho, desenvolver-se como pessoa, conhecendo outras realidades e colocando-se no lugar de quem precisa de ajuda, e aprendendo a trabalhar em grupo.

Pois é! Com tantos benefícios, talvez tenha chegado a hora de você rever sua agenda e pensar se realmente não dispõe de um tempinho para o próximo. Um tempo que, no fundo, acaba também sendo dedicado a você mesmo!

Enfim, boas intenções devem ser espalhadas para servirem de exemplo, certo? Então, que tal compartilhar este post nas suas redes sociais e encontrar mais gente que queira contribuir para uma boa causa? Pode até parecer um gesto pequeno, mas, com certeza, já será a sua boa ação do dia!