Pesquisadores da São Judas criam pulseira que substitui sinais sonoros na escola e inclui alunos autistas

Ideia também é a de instalar um equipamento na carteira do estudante; ambos vão acender uma luz e vibrar para anunciar horários de entrada, saída e recreio 

O barulho agudo dos sinais dentro da escola que marcam a rotina como início das aulas, momento do recreio e fim das atividades pode ser um verdadeiro transtorno para as crianças do espectro autista. 

Pensando em uma maneira de incluir esses alunos, pesquisadores da Universidade São Judas estão desenvolvendo dispositivos que possam substituir essa sinalização. 

“A interação da criança do espectro autista é muito diferente, ela apresenta uma linguagem comunicativa específica. Muitas delas possuem dificuldade com sons muito estridentes que podem desestabilizá-la. Às vezes ela perde o controle, se bate, bate nos outros, e apresenta e evidencia o transtorno do espectro autista”, explica a professora Graciele Massoli Rodrigues.

Graciele explica que a ideia foi construir um equipamento que pudesse minimizar esse impacto na criança dos sinais sonoros na sala de aula, mas que também atendesse aos demais alunos de maneira inclusiva. 

Dispositivo na carteira escolar e no pulso

A fase inicial de ideação da pesquisa vai resultar na criação de um equipamento que vai estar preso à carteira do estudante juntamente com uma espécie de pulseira no pulso, fabricada em EVA siliconado. Os itens estarão vinculados à professora, e vão vibrar e acender uma luz para marcar início e término das aulas, do intervalo e de outros momentos da rotina escolar. O funcionamento é parecido com o que os restaurantes das áreas de alimentação de shoppings utilizam para informar ao cliente que o pedido solicitado está pronto.

Na escola, o equipamento da mesa terá a mesma função do colocado no pulso, mas será importante para os dias em que as crianças esquecerem a pulseira em casa, por exemplo. 

“A ideia é que esse sinal facilite o reconhecimento e aprendizagem da estrutura organizacional da aula, das crianças e da escola, como hora de ir embora, ou de ir para a merenda. Muitas dessas crianças [do espectro autista] são as últimas a saberem o que está acontecendo. Há materiais como esse no mercado internacional. No Brasil, com este perfil, não”, explica a professora. 

Etapa de testagem

A pesquisa chamada de “Desenvolvimento de artefato para crianças com deficiência e transtorno do espectro autista em sistema de inclusão” está na fase inicial. A próxima etapa é a dos testes, neste momento, os pesquisadores estão fazendo a pré-seleção dos locais que serão ambientes de testagem. 

Um deles será a rede pública na cidade de Itanhaém, no litoral de São Paulo, que é parceira da São Judas. Outra possibilidade, segundo a professora, é de os testes serem aplicados em Portugal, na Universidade de Coimbra, outra parceira da instituição. 

“Queremos que as pessoas participem da pesquisa e não apenas sejam sujeitos da pesquisa. As crianças vão poder escolher, por exemplo, a cor das pulseiras, algo que é importante para elas que têm tanta dificuldade de expressar suas escolhas”, diz a pesquisadora.  

Graciele afirma que iniciativas como estas ajudam a promover a verdadeira inclusão, uma vez que o intuito é a de que a escola se adeque às características das crianças, não ao contrário. “Se não for assim, não há um verdadeiro processo de inclusão.”