Pesquisa da São Judas em parceria com o Einstein mostra que atividade física ameniza efeitos de quimioterapia

Efeitos como insônia, depressão, dores musculares e até perda de cabelo são mais amenos nas mulheres que se exercitam

Dados preliminares de um projeto de pesquisa realizado pela Universidade São Judas em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein aponta que a atividade física contínua ajuda a amenizar os efeitos colaterais da quimioterapia entre mulheres que tratam câncer de mama. 

A pesquisa, iniciada em 2018 e ainda em andamento, avaliou 280 mulheres em tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As pacientes que praticam atividades físicas relataram sentir de forma mais amena os efeitos da quimioterapia, como insônia, depressão, dores musculares e até perda de cabelo, em relação às sedentárias. 

No geral, 100% das mulheres que não praticam exercícios classificaram os efeitos da quimioterapia como ruins; enquanto entre as praticantes de atividades físicas este índice foi de 45%. A percepção sobre a qualidade do sono também é pior entre as sedentárias, 100% das que se encaixam neste grupo o classificaram como ruim; já no outro grupo este indicador é de 72%.

As dores musculares também são mais elevadas entre as pacientes que não fazem exercício: 75% ante 27% das que são ativas fisicamente. Até a perda de cabelo é menor: 81% das mulheres que fazem atividades físicas tiveram esse efeito colateral. No grupo das sedentárias, o índice foi de 100%

“Identificamos um efeito na qualidade de vida, aspectos funcionais, de depressão. Todos os efeitos foram positivos. Ou seja, o exercício traz, sim, uma espécie de proteção fisiológica e psicossomática ao efeito colateral da quimioterapia para mulheres em tratamento do câncer de mama”, explica o professor Aylton Figueira Junior, coordenador da pesquisa, ao reforçar que para haver benefícios em termos de saúde geral é necessário fazer pelo menos 30 minutos de atividades físicas diárias.

Nos cursos de mestrado e doutorado em Educação Física, Figueira Junior atua nas linhas “Promoção e Prevenção em Saúde”; “Atividade Física e Disfunções Orgânicas” e “Fenômeno Esportivo”. O docente lembra que o trabalho é inovador e abre com o estudo do câncer uma nova e importante linha de pesquisa para a Universidade São Judas. “Ao ter o entendimento do efeito da quimioterapia, a universidade contribui para a sociedade. Embora os benefícios da atividade física já sejam conhecidos das pessoas, ela tem um efeito sobre a quimioterapia que deve ser entendido. É um grande avanço na discussão”, diz. 

Depressão e autoestima

Quem enfrenta um tratamento contra o câncer de mama sofre efeitos que abalam muito mais do que o corpo físico. A pesquisa da São Judas aponta que no universo das mulheres pesquisadas, nenhuma das sedentárias relatou estar com a autoestima alta durante o processo de quimioterapia; enquanto entre as adeptas dos exercícios, este índice foi de 27%. 

As sedentárias também informaram estar mais gravemente deprimidas (25%) do que as praticantes de atividades (9%). No geral, 45% das mulheres que se exercitam disseram estar com um estado global de saúde muito bom; nenhuma das que não praticam exercícios se classificaram assim. Estas disseram ter um estado de saúde ruim (75%); enquanto só 9% das que se exercitam consideraram o mesmo quadro.  

“Nesses dados há uma série de indicadores funcionais na vida dessas mulheres que são promissores por conta da perspectiva da atividade física que não existe na Literatura. Quem passa pela quimioterapia relata que dorme mal, sente dor, perde o apetite, ou seja, é um sofrimento. A pesquisa mostra que o exercício durante a quimioterapia mantém a saúde global e faz com que a pessoa melhore sua qualidade de vida”, resume Figueira Junior.