Coletivo Feminista USJT propõe discussões e se coloca como rede de apoio entre mulheres

Grupo envolve alunas e ex-alunas divididos em times com diferentes funções; homens são aceitos apenas como ouvintes. 

Criado em 2014 na unidade Mooca, o Coletivo Feminista da Universidade São Judas (USJT) surgiu, inicialmente, por meio de uma ação das alunas do curso de Psicologia para promover debates feministas, políticos e culturais dentro da universidade. 

Desde então, ele movimenta discussões e rodas de conversa, recentemente no formato online, sobre feminismo, violência contra mulher e demais temas deste universo.

São 180 integrantes, alunas e ex-alunas, de todas as unidades da São Judas – há apenas um homem – divididas em quatro times: criação e redes sociais; estudos teóricos; comunicação e rede de contatos; linha de frente. 

O de criação e redes sociais produz as artes dos eventos, abastece o perfil no Instagram, promove engajamento no grupo do Whatsapp. O de estudos teóricos define uma autora por mês para ser discutida e trabalhada, monta eventos e propõe debates sobre filmes. Já o time de comunicação e rede de contatos pensa e organiza palestras que possam contribuir com o coletivo e propõe possíveis parcerias entre demais coletivos. 

Por fim, o time de linha de frente fica responsável por orientar mulheres que possuem denúncias a procurar os órgãos responsáveis, faz levantamento de entidades que possam vir a se tornar parceiras e cuida das três frentes: denunciante, coletivo e universidade. 

“Estamos nos reestruturando para atingir cada vez mais alunas da universidade. Hoje, aquelas dos cursos de humanas são mais ativas, mas queremos atrair as de outras áreas, como exatas. A proposta é organizar esses times e propor ações para que mais mulheres conheçam o coletivo”, explica Gisllaine de Jesus Santana, 22 anos, psicóloga formada pela USJT em 2020, que integra o time de redes sociais. Ela se aproximou do grupo no ano passado, por conta de seu trabalho de conclusão de curso (TCC) que abordou a violência contra as mulheres. 

Gisllaine reforça que o coletivo está aberto a ações e eventos, inclusive fora da universidade, por acreditar que a discussão merece ser feita além do ambiente acadêmico. “Nosso intuito é disseminar conhecimento sobre o feminismo e ser uma rede de apoio entre mulheres. Queremos que as informações sejam abertas tanto para as pessoas de dentro da faculdade, que ainda é um ambiente de muito privilégio, quanto para pessoas de fora, para que não fiquemos apenas no debate universitário.” 

Homens entram em posição de escuta

Os homens são aceitos no coletivo feminista. Mas, no entanto, podem entrar para ocupar um “lugar de escuta, não de protagonismo.” “Eles podem estar ali para entender a vivência das mulheres e a proposta do feminismo. Não é um local de protagonismo desse homem. O coletivo é para todas, mesmo para as que não entendam sobre feminismo. É um espaço para aprendermos juntas, ter uma troca de experiência e construir um ambiente acolhedor na universidade.”

Alunas da Medicina também criam coletivo

Inspiradas pelo Coletivo Feminista USJT, as alunas do curso de Medicina da unidade Cubatão também criaram seu grupo de discussões sobre o tema: é o Coletivo Priscila Longo, uma homenagem a uma das professoras da unidade.  

“Nosso coletivo é pequeno, foi criado no meio da pandemia, mas é aberto. Estamos fazendo rodas de conversa, uma delas foi sobre a presença das mulheres na ciência, em que a Priscila Longo nos contou a experiência do seu doutorado e a desvalorização feminina na área. Tínhamos homens na conversa, queremos que todo mundo participe até para haver mais conscientização”, diz Beatrice Ricci Nakashima, 22 anos, aluna de Medicina da USJT e integrante do coletivo.