Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Autor: Eliana Cristina Pereira
Título(s): MODULAÇÃO AUTONÔMICA CARDIOVASCULAR E VELOCIDADE DE ONDA DE PULSO EM PACIENTES COM DOENÇA DE PARKINSON
Resumo: [pt] A doença de Parkinson (DP) é amplamente reconhecida pela degeneração dopaminérgica da via nigroestriatal que determina seus sintomas motores característicos, porém sintomas considerados não motores estão presentes, dentre eles a disfunção autonômica. A disautonomia cardiovascular pode levar a distúrbios do ritmo cardíaco e da regulação do fluxo coronariano e está associada a sobrevida pós-evento cardiovascular em pacientes com DP. Além disso, a disautonomia cardiovascular contribui para o desenvolvimento de hipotensão ortostática, hipertensão supina e redução do descenso noturno da pressão arterial (PA). Essas alterações autonômicas do controle da PA podem estar relacionadas com injúria microvascular cerebral e, consequentemente, declínio cognitivo em pacientes com DP. Objetivo: Avaliar os parâmetros hemodinâmicos, a modulação autonômica cardiovascular, a velocidade de onda de pulso e a cognição em pacientes com DP. Métodos: Trata-se de um estudo observacional transversal descritivo exploratório com amostra composta por cinco indivíduos com DP (estágios I a III na Escala de Hoehn e Yahr) e sete indivíduos saudáveis (grupo controle). Foram realizados registros não invasivos contínuos das curvas da PA batimento a batimento, em repouso e após exercício estático de preensão manual, para análise de parâmetros hemodinâmicos, da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) e da PA no domínio do tempo e da frequência. Além disso, foi avaliada a rigidez arterial por meio da mensuração da velocidade de onda de pulso carótida-femoral. A cognição foi avaliada por meio de rastreio de sintomatologia cognitiva utilizando os questionários Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) e Avaliação Cognitiva Montreal (MoCA). Resultados: A média de idade foi de 64 anos no grupo Parkinson (GP) e de 61 anos no grupo controle (GC). A PA sistólica em repouso foi 122,7 no GP e 123 mmHg no GC, enquanto a diastólica foi 72,6 no GP e 70,8 mmHg no GC. Os pacientes com DP apresentaram uma menor reposta pressórica ao exercício isométrico de preensão manual quando comparados aos controles para a PA diastólica (7,27 ± 10,9 vs. 24,6 ± 6,6 mmHg, p = 0,03) e média (11,7 ± 16,8 vs. 37,3 ± 7,6 mmHg, p = 0,02). Quanto a VFC no domínio do tempo, o GP apresentou menor variabilidade geral, evidenciada pelo desvio padrão do intervalo de pulso (26,9 ± 8,5 vs. 37,9 ± 5,2 ms, p = 0,03), enquanto não houve diferença no RMSSD, um indicativo da modulação parassimpática. Na VFC no domínio da frequência observou-se uma menor modulação simpática cardíaca nos pacientes com DP representada pela banda de baixa frequência em valores absolutos (137,3 ± 101,1 vs. 428,5 ± 134,7 ms2, p = 0,00), bem como um menor balanço simpatovagal (0,85 ± 0,19 vs. 2,09 ± 0,34, p = 0,00), enquanto não houve diferença para a banda de alta frequência, representativa da modulação parassimpática. Já para a variabilidade da PA não houve diferença entre os grupos GP e GC. Na análise do barorreflexo espontâneo, os pacientes do GP apresentaram um menor índice de eficiência do barorreflexo quando comparados ao GC (0,34 ± 0,10 vs. 0,58 ± 0,12, p = 0,01). Em relação à rigidez arterial, a velocidade de onda de pulso média foi de 9,2 no GP e de 7,1 m/s no GC (p = 0,03). Quanto ao rastreio de sintomatologia cognitiva, o grupo GP apresentou pontuação média de 27 no MEEM e de 22,4 na MoCA, e o GC de 26 no MEEM e de 22 na MoCA, sendo que não houve diferença significante entre os grupos. Considerações finais: Embora os pacientes com DP não tenham apresentado alterações nos níveis pressóricos em repouso, a resposta pressórica ao exercício isométrico de preensão manual foi atenuada nesses pacientes, bem como a VFC e a modulação simpática cardíaca. Ainda, os pacientes com DP apresentaram uma menor eficiência do barorreflexo e maior rigidez arterial.
Resumo: [en] Parkinson's disease (PD) is widely recognized for the dopaminergic degeneration of the nigrostriatal pathway that determines its characteristic motor symptoms, but symptoms considered non-motor are present, among them autonomic dysfunction. Cardiovascular dysautonomia can lead to disorders of the heart rhythm and the regulation of coronary flow and is associated with survival after cardiovascular event in PD patients. In addition, cardiovascular dysautonomia contributes to the development of orthostatic hypotension, supine hypertension and reduced nocturnal blood pressure (BP) decrease. These autonomic changes in BP control may be related to cerebral microvascular injury and, consequently, cognitive decline in PD patients. Objective: To evaluate hemodynamic parameters, cardiovascular autonomic modulation, pulse wave velocity and cognition in patients with PD. Methods: This is a descriptive cross-sectional observational study with a sample composed of five individuals with PD (stages I to III on the Hoehn and Yahr Scale) and seven healthy individuals (control group). Continuous noninvasive records of the BP curves were performed beat to beat, at rest and after static handgrip exercise, for analysis of hemodynamic parameters, heart rate and BP variability in the time and frequency domain. In addition, arterial stiffness was assessed by measuring the carotid-femoral pulse wave velocity. Cognition was assessed by screening for cognitive symptoms using the Mini-Mental State Examination (MMSE) and Montreal Cognitive Assessment (MoCA) questionnaires. Results: The mean age was 64 years in the Parkinson group (PG) and 61 years in the control group (CG). The mean systolic BP at rest was 122.7 in the PG and 123 mmHg in the CG, while the diastolic was 72.6 in the PG and 70,8 mmHg in the CG. PD patients had a lower pressure response to the handgrip isometric exercise when compared to controls for diastolic (7.27 ± 10.9 vs. 24.6 ± 6.6 mmHg, p = 0.03) and mean BP (11.7 ± 16.8 vs. 37.3 ± 7.6 mmHg, p = 0.02). As for HRV in the time domain, the PG showed lower variability, evidenced by the standard deviation of the pulse interval (26.9 ± 8.5 vs. 37.9 ± 5.2 ms, p = 0.03), while there was no difference in the RMSSD, indicative of parasympathetic modulation. In HRV in the frequency domain, lower sympathetic cardiac modulation was observed in patients with PD represented by the low frequency band in absolute values (137.3 ± 101.1 vs. 428.5 ± 134.7 ms2, p = 0, 00), as well as a lower sympathovagal balance (0.85 ± 0.19 vs. 2.09 ± 0.34, p = 0.00), while there was no difference for the high frequency band, representative of parasympathetic modulation. As for BP variability, there was no difference between the PG and CG groups. In the analysis of spontaneous baroreflex, patients in the PG had a lower index of baroreflex efficiency when compared to the CG (0.34 ± 0.10 vs. 0.58 ± 0.12, p = 0.01). In relation to arterial stiffness, the mean pulse wave velocity was 9.2 in the PG and 7.1 m/s in the CG. As for screening for cognitive symptoms, the PG group had an average score of 27 on the MMSE and 22.4 on the MoCA, and the GC of 26 on the MMSE and 22 on the MoCA. Final considerations: Although patients with PD did not show changes in blood pressure levels at rest, the pressure response to isometric handgrip exercise was attenuated in these patients, as well as HRV and cardiac sympathetic modulation. Also, patients with PD showed a lower efficiency of baroreflex and greater arterial stiffness
Titulação: Mestrado em Ciências do Envelhecimento
Orientador (a): Kátia Bilhar Scapini
Banca

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Assuntos: Sistema Nervoso Autônomo, Doença de Parkinson, Rigidez Vascular, Cognição
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