Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Autor: Luis Felipe Tubagi Polito
Título(s): Evidências da validade da escala pictórica de percepção subjetiva do esforço para jogadores de futebol.
Resumo: [pt] A percepção subjetiva do esforço (PSE) pode ser utilizada tanto para monitoramento da intensidade dos esforços realizados no treinamento do futebol, como para estimativa da carga interna de treinamento pelo protocolo Foster et al. (2001). Apesar desta variável ser frequentemente utilizada no futebol, não há uma escala de percepção subjetiva do esforço específica desenvolvida e validada para tal modalidade, sendo utilizada, na maioria das vezes, escalas genéricas constituídas de ancoragens verbais, que podem favorecer problemas semânticos de interpretação e tradução (quando traduzida sem o devido processo de adaptação transcultural). Com isso, a presente Tese foi dividida em dois estudos, o primeiro teve o objetivo de desenvolver e validar a escala pictórica de percepção subjetiva do esforço para jogadores de futebol, denominada Escala GOL, enquanto o segundo objetivou verificar a validade ecológica da Escala GOL para estimativa da carga interna de treinamento em atletas de futebol pelo protocolo Foster. Na fase de desenvolvimento os desenhos da escala foram desenvolvidos com base na construção teórica do esforço percebido e dos sinais fisiológicos provenientes do exercício incremental. Para garantir a representatividade dos desenhos, estes foram validados por 9 juízes (nove professores com titulação de Doutor: fisiologistas, preparadores físicos e psicólogos esportivos). A versão final da escala é composta por seis desenhos que demonstram diferentes graus de esforço (1: baixo esforço até 6: exaustão). Na fase de validação, 20 jogadores profissionais de futebol (16,40 ± 0,68 anos; estatura 175,45 ± 9,00 cm; massa corporal total 66,39 ± 7,75 kg; % de massa gorda 12,39 ± 3,31; massa gorda de 8,21 ± 2,28 kg; massa isenta de gordura 58,18 ± 7,30 kg) foram avaliados em um protocolo progressivo de 3 minutos de estímulo por 1 de recuperação entre os estágios até a exaustão voluntária no Teste de Esforço Cardiopulmonar Máximo (TECM), e no Yo Yo Intermittent Recovery Test – Level 1 (Yo-Yo). A PSE identificada pela Escala GOL, pela Escala Borg 6 – 20 e pela Escala Cavasini, bem como a frequência cardíaca (FC), percentual de frequência cardíaca máxima (%FCmáx) e a concentração sanguínea de lactato ([La]) foram imediatamente avaliadas após cada estágio de ambos os testes. Foi utilizado coeficiente de correlação de Spearman e adotado margem de segurança de 95% (p < 0,05). No TECM, foram encontradas correlações significantes da Escala GOL com Escala Borg RPE 6 – 20 (r = 0,93), Escala Cavasini (r = 0,91), %FCmáx (r = 0,91), FC (r = 0,87) e [La] (r = 0,68), enquanto que no Yo-YoIRT1, foram encontradas correlações significantes da Escala GOL com Escala Borg RPE 6 – 20 (r = 0,88), Escala Cavasini (r = 0,90), %FCmáx (r = 0,86), FC (r = 0,83) e [La] (r = 0,83). Para verificar a validade ecológica da Escala GOL, 21 atletas profissionais de futebol (21,90 ± 4,04 anos; estatura 180,30 ± 6,24 cm; massa corporal total 74,9 ± 8,57 kg; % de massa gorda 12,10 ± 2,20; massa gorda de 9,10 ± 2,27 kg; massa isenta de gordura 65,80 ± 7,07 kg) foram avaliados durante 62 sessões de treinamento, elaboradas pelos profissionais da comissão técnica, e a 3 jogos oficiais da modalidade. O cálculo da CIT foi feito pela multiplicação da PSE identificada por ambas as escalas, Foster e Escala GOL pelo tempo da sessão de treinamento em minutos. A monotonia do treinamento foi calculada pela divisão da média da CIT da semana pelo desvio padrão da CIT da semana, enquanto que a tensão do treinamento foi calculada pela somatória da CIT da semana multiplicada pela monotonia. Os dados mostraram correlações significantes entre a CIT mensurada a partir da Escala Foster e a a partir da Escala GOL (r = 0,94), assim como para monotonia e tensão do treinamento (r = 0,92 e r = 0,97, respectivamente). Em ambos os estudos, foi utilizado coeficiente de correlação de Pearson para medidas paramétricas e correlação de Spearman para não paramétricas (p < 0,05). CONCLUSÃO: os resultados demonstram que o uso de uma escala pictórica de percepção subjetiva do esforço, denominada Escala GOL, apresenta evidências fortes de validação para ser empregada no acompanhamento dos atletas de futebol ao longo de testes incrementais, realizados tanto em laboratório como em campo, e ao longo das sessões de treinamento. A ausência de ancoragens verbais possibilita o uso deste instrumento para atletas de diferentes idiomas, sem haver problemas semânticos provenientes da tradução do instrumento sem a devida adaptação transcultural.
Abstract: [en] The rate of perceived exertion (RPE) can be used to monitor the intensity of efforts made on soccer training sessions, such as to estimate the internal training load by Foster et al. (2001) protocol. In spite of the fact that this variable is often used in soccer, there is not a perceived exertion scale developed and validated specifically for this sport. Instead, generic scales which have verbal anchors, which can propitiate semantic problems in understanding and translation (without the fundamental process of cross-cultural validation) have been frequently used. Therefore, the present thesis was divided in two studies, the first one aimed to develop and to validate a pictorial perceived exertion scale specific to soccer athletes called GOL Scale, the second one aimed to verify the ecologic validation of the GOL Scale to estimate the internal training load in soccer players using the Foster’s method. In the developing phase, the drawings of the scale were developed based on the theoretical construction of perceived exertion and on the physiological signals from incremental exercise. In order to ensure the representativeness of the drawings, they were validated by nine judges (nine PhD professors: physiologists, physical trainers and sports psychologists). The final version of the scale is composed by six drawings, which demonstrate different exertion levels (1: low exertion to 6: exhaustion). In the validation phase, twenty professional soccer players (16,40 ± 0,68 y; stature 175,45 ± 9,00 cm; total body mass 66,39 ± 7,75 kg; % fat mass 12,39 ± 3,31; fat mass 8,21 ± 2,28 kg; fat free mass 58,18 ± 7,30 kg) were evaluated in a progressive protocol involving stimuluses of three minutes with one minute for the rest into the stages until the voluntary exhaustion in Maximal Cardiopulmonary Effort Test (MCET), and in the Yo Yo Intermittent Recovery Test – Level 1 (Yo-Yo). The RPE identified by the GOL Scale, by the Borg Scale 6 – 20 and by the Cavasini Scale, as well as the heart rate (HR), perceptual of the heart rate (%HRmáx) and the blood lactate concentration ([La]) were immediately evaluated after each stage of both tests. Spearman’s correlation coefficient (p < 0,05) was used. In the MCET, significant correlation values of the GOL Scale with Borg Scale (r = 0,93), Cavasini Scale (r = 0,91), %HRmáx (r = 0,91), HR (r = 0,87) and [La] (r = 0,68) were found, as in the Yo-YoIRT1, significant correlation values of the GOL Scale with Borg Scale (r = 0,88), Cavasini Scale (r = 0,90), %HRmáx (r =0,86), HR (r = 0,83) and [La] (r = 0,83) were found. To verify the ecologic validation of The GOL Scale, twenty-one professional soccer athletes (21,90 ± 4,04 y; stature 180,30 ± 6,24 cm; total body mass 74,9 ± 8,57 kg; % fat mass 12,10 ± 2,20; fat mass 9,10 ± 2,27 kg; fat free mass 65,80 ± 7,07 kg) were evaluated during sixty-two session trainings, planned by the professionals of the technical team, and three official soccer matches. The calculation of the ITL was done by the multiplication of the RPE identified by both scales, Foster and GOL Scale, by the time of training session in minutes. The training monotony was calculated by the division of the average of the week ITL by the standard deviation of the week ITL, as the training strain was calculated by the sum of the week ITL multiplied and the training monotony. The data showed significant correlation between the internal training load calculated by the Foster Scale and calculated by the GOL Scale (r = 0,94), as well as for the monotony and strain training (r = 0,92 and r = 0,97, respectively). In both studies, Pearson’s correlation coefficient for parametric variables and Spearman’s for the non-parametric was used (p < 0,05). The results showed that the use of a pictorial perceived exertion scale, called GOL Scale, shows strong evidence of validation to be employed in the following-up of the soccer athletes in incremental tests, made in laboratory or field, and also in training sessions. The absence of verbal anchors makes the use of this instrument to soccer athletes of different languages possible, and there are no semantic problems arising from the translation of the instrument without the needed transcultural adaptation.
Titulação: Doutorado em Educação Física
Orientador (a): Prof. Maria Regina Ferreira Brandão
Banca

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Assuntos: Futebol, Psicofisiologia, Esforço Físico
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