
Por Christiane Burti*
Elaborado anualmente pelo Centro de Pesquisa da Universidade São Judas Tadeu, o Simpósio Multidisciplinar é realizado desde 1995 com o objetivo principal de produzir e divulgar conhecimento.
O Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, professor Alberto Mesquita Filho, relata que os simpósios surgiram como um projeto do Centro de Pesquisa, pois sempre acreditou que as instituições particulares, em especial a São Judas, teriam capacidade de avançar, realizando pesquisas.
O professor Alberto Mesquita Filho diz que o primeiro Simpósio surgiu de um desafio que ele propôs à comunidade universitária. A pergunta feita foi: a instituição particular deve ou não produzir pesquisas? É claro que eu sabia e tinha a resposta, mas queria ouvir isso e ter essa resposta”, declara.
Era primordial incentivar, de alguma maneira, a produção do conhecimento, mas teria que ter um fluxo, pois se alguém produz esse material, era necessário pensar em uma maneira de “escoar” e “fluir” para a sociedade.
Segundo o professor Alberto, uma das dificuldades que tinham era o fato de a instituição não ter estrutura de produção. “Como fazer um simpósio sem que fosse real?”. Os cientistas eram iniciantes, assim como ele, recém chegado da USP. Alguns professores faziam as pesquisas de forma amadora.
Num segundo momento, Mesquita Filho começou a pensar no que apresentar, conhecer e descobrir quais docentes estavam produzindo para que houvesse proveito desse material. “Conhecer a massa produtora de conhecimento fazia parte do projeto inicial. Também queria saber se, além de bom professor, seria bom pesquisador”, declara.
A instituição incentivou aqueles que tinham aptidão e abriu espaço para transformar o trabalho desses candidatos a pesquisadores em tempo integral. "Quando o MEC começou a exigir que as universidades deveriam ter 30% de seus professores em tempo integral, nós saímos na frente, pois já tínhamos esses profissionais em atuação nesse período", afirma.
Estabelecer títulos e temas foi essencial para elaboração dos simpósios, especialmente no início. Após focalizar o assunto, estabeleciam-se diretrizes, planejavam e partiam para as etapas da organização.
Para ilustrar, ele faz uma analogia para que se compreenda como foram os primeiros simpósios. “Imaginem a realização do simpósio como a montagem de um quebra cabeças. Hoje o montamos por completo. Toda a equipe coloca as peças até o simpósio ficar pronto. Antigamente, tínhamos que encontrá-las, peça por peça. Nem sabíamos se era possível juntar todas.”
Alguns “buracos” precisavam ser preenchidos e, nesse momento, a opção era fazer uma espécie de importação e convidar professores de outras instituições. “Atualmente é normal este tipo de convite no sentido de agregar valor aos simpósios, mas naquele período foi uma necessidade que surgiu”, conta o professor Alberto.
Em sua opinião, as pesquisas deveriam começar no primeiro grau, com o aprendizado inicial que a criança recebe. “O que nos diferencia dos demais animais é que o homem é um pesquisador nato. A produção do conhecimento é inerente ao ser humano. Tudo o que construiu foi através do conhecimento.”
Além disso, o professor Alberto considera importante que o educando perceba que há possibilidade de produção e apresentação do conhecimento adquirido. “Qualquer livro é defasado pelo menos cinco anos quanto ao conteúdo. Até mesmo o professor precisa atualizar-se para mostrar ao aluno o que é aplicável ou não em determinado publicação utilizada em sua disciplina”, recomenda.
O professor finaliza, dizendo que este evento é o “termômetro da produção do conhecimento do ano”, e incentiva a participação daqueles que têm disponibilidade para comparecer. “Política, aprendizado e arte são primordiais nos simpósios. Há sempre um dia dedicado à arte. O simpósio é uma oportunidade para que o aluno tenha contato com o que foi produzido.”
*Aluna do 3º ano do Curso de Jornalismo da USJT - Setembro de 2007.