Labemp 2799-1939

I Encontro de Extensão discute Discriminação e Intolerância

   

            A terceira noite do XVI Simpósio Multidisciplinar, dia 21 de setembro, foi marcada por grande emoção diante dos depoimentos de pessoas que vivenciaram o nazismo na segunda guerra mundial, e mais uma vez, ao anunciar a criação do Núcleo de Atenção à Discriminação e à Intolerância, a instituição reafirmou o seu comprometimento para com as questões que trabalham a cidadania e a intolerância.
            Estiveram presentes a Dra. Rachel Mizrahi – Coordenadora do Núcleo de História Oral do Arqshoah LEER-USP, Lia Bergmann – Assessora de Direitos Humanos da B´Nai´B´Rith do Brasil (Entidade judaica de direitos humanos), Abraham Goldstein – Co-Presidente da B´Nai´B´Rith do Brasil, os sobreviventes, Ben Abraham - presidente da Sherit Hapleitá do Brasil (Associação dos Sobreviventes do Nazismo), Rita Braun e Nanette König; e do  Prof. Ms. Fernando Ferrari Duch, diretor do Centro de Extensão, o qual foi o mediador da mesa.
            O debate teve início com a Dra. Raquel que, em seu discurso, relembrou as atrocidades cometidas pelo regime nazista fundado por Adolf Hitler, que tinha como alvo principal os judeus. “A batalha contra os judeus era prioridade”, afirma Raquel sem deixar de mencionar tantos outros grupos que também pereceram nos campos de concentração e de extermínio, como ciganos, deficientes, negros, homossexuais, Testemunhas de Jeová.
            Os relatos dos sobreviventes começaram por Rita Braun, a qual conta que tinha nove anos quando a guerra estourou, os alemães invadiram a Polônia e fizeram proibições aos judeus por altofalantes. “Culpo o clero por incentivar o ódio contra nós, porque ele considerava que os judeus haviam matado Jesus Cristo. O Padre falou, é sagrado! Na escola, quando o padre entrava na classe, eu e um outro colega tínhamos que sair da sala”, desabafa Rita.
            Rita, que veio para o Brasil aos dezesseis anos de idade, descreveu como ela e sua família enfrentavam as diversidades nos chamados “guetos”. “Eu passei fome, vasculhava o lixo dos alemães e levava para casa. Vivi todo esse tempo sentindo o cheiro dos cadáveres, ouvia gritos, vi doentes dos hospitais com tiro na nuca”, diz.
            Em depoimento, Ben Abraham, um dos heróis da história que agonizou por cinco anos e meio em campos de concentração da Polônia, desabafou: “Prometi que se eu sobrevivesse iria contar ao mundo todas as atrocidades que vivi nos campos, para que nenhum regime como o de Hitler assuma o poder novamente”.
            A terceira sobrevivente, Nanette König, falou do nazismo que enfrentou na Holanda e da sua amizade com Anne Frank – escondida por dois anos em Amsterdam com sua família e outros judeus durante a ocupação nazista no país -, Anne foi assassinada aos 15 anos pelo regime.
            “Fui transferida para o campo de concentração de mulheres, lá não tinha crianças, porque as menores de 15 anos haviam sido exterminadas. Fui para o campo 7 e a Anne para o 8”, diz Nanette que após a guerra encontrou-se com o pai de Anne, Otto Heinrich Frank, único sobrevivente do grupo que havia ficado escondido, o qual a questionou se ele deveria publicar o diário que a filha tinha escrito durante o “exílio”. O Diário de Anne Frank, publicado em 1947, é hoje um dos livros mais traduzidos do mundo.
            O Sr. Abraham Goldstein, falou da importância de se perseguir a tolerância e do respeito que devemos nutrir pelo próximo, elogiou a iniciativa da USJT que jamais deixa de discutir assuntos relacionados à cidadania e enfatizou: “Hoje, 21 de setembro, é o dia internacional da paz, uma paz difícil que deve se estabelecer desde que haja cultura para a paz, que deve ser uma ação”.
            Lia, em suas palavras, fez com que nós refletíssemos sobre o presente em que estamos vivendo. “O neonazismo continua, por isso, é muito importante estarmos em alerta. É preciso denunciar, fazer com que as leis sejam cumpridas. É possível respeitar o outro nas suas especificidades para um mundo mais pacífico. Somos todos iguais, em direitos e em deveres”, diz.
            A palestra foi encerrada pelo diretor do Centro de Extensão com uma mensagem para os estudantes do curso de jornalismo que têm o compromisso de defender a liberdade de expressão para cumprir sua função de informar a sociedade.
“Espero que vocês, como futuros jornalistas, lutem para que a informação possa ser divulgada com liberdade de imprensa, para que a verdade não seja distorcida”, diz Fernando Duch.


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