Poesias Premiadas 2014

1º Lugar

Saudade de Florbela Espanca

Henock José da Silva
Apelido: João José da Silva

Sonhava...
E tão bonito era o meu sonho,
E tinha tão belas flores no meu sonho.
Flores que contavam tristes casos,
Mas que alegravam minha alma
E davam sentido à minha vida.

Sentia o peso de viver.
Uma vida de imposições e incertezas.
Um viver sem entender o viver;
Um querer morrer para não ser.
Um ser que não compreende
Porque sabendo-se flor sente-se espinho.

De branco esquecida num banco
De olhar perdido a flor maior,
A mais bela das belas flores
Chorava a dor de seu coração.
Tão triste era seu choro
Que me fez chorar também.

Por que chora a bela flor,
Sendo flor e sendo bela?
Será porque brotou antes da hora,
Quando o tempo era de espinhos
E teve suas pétalas dilaceradas
Pela privação da liberdade?

Ah! Florbela.
Eras um frágil passarinho,
E o mundo era uma gaiola.
A prisão era o anúncio que teu destino
Era ser eternamente a Florbela
Que enfeitaria o sonho dos desesperançados...

2º Lugar

Saudade

Ricardo Alexandre Malerba
Apelido: RAM

Não sou a flecha,
sou o vento solto no espaço.
a reflexão biológica dos astros,
a harmonia imputa da célula,
a transmutação dos corpos,
e fecundação dos lábios,
sou a insana vontade,
a poesia perdida,
e a alma que arde.

não sou a flecha,
sou o amor e a saudade...

3º Lugar

Na varanda

Alice Jessica Bandeira de Paula
Apelido: Mística

Da varanda de minha casa debruço-me a pensar
Veja a vida lá fora, caminhando em passos de chumbo.
Hoje a noite está escura, a lua não dá o ar da graça,
Escondida atrás das nuvens parece até que me adivinha
Na tristeza de meu olhar ela não quer me olhar.

A neblina cai levemente, eu sinto bater em minha face
Juntando o meu pranto ao pranto da noite,
Na rua não há ninguém, apenas eu e a solidão
Olhando de minha varanda perguntando:
- Será que sofro em vão?

A solidão não tem endereço,
não tem escolhido, ou destino,
Ela arrebata um coração ferido sem pudor ou piedade
Faz da vida só um livro, qual final é certo
Porém nem sempre belo.

Mas na vida não temos escolha é preciso descobrir-te
Mas o que me mata de pedaço a pedaço,
É não saber se me agradará seu desfecho.

A vida é tão longa e tão curta
Tão valiosa e tão medíocre,
Com um final tão maldoso quanto célebre,
Mas nunca será tão perfeita quanto a solidão,
Que nasce conosco e permanece até mesmo na morte!

Resta-se uma dúvida cruel,
Que é embalada pelo cheiro da chuva,
Vale a pena sofrer na vida?
Já que ela é tão mesquinha assim?
Viver pra morrer,
Sorrir pra chorar,
Caminhar pra cair!
E não mais que de repente arranca tudo de nós...

Menção Honrosa

Literaturando

Fernanda Teles Satiro de Oliveira
Apelido: Fernanda Teles

Drummondando-se
Fernandando-me
Clariceando cá
Mariano lá
Bandeirando aqui.

Estou a Carpinejar
No meu Sabino Quental
Colhendo orquiLygia Telles
Brincando de subir nos ipês com Rubem Albes
Para cair em Barros
Até o entardecer em Beauvoir's
Que gostam de Dostoiévski
Concordam em partes com Nietzsche
Riem mas também percebem a depressão de Bukowski
Bebem Kafka
Beijam Bocage
Filosofam com Saramago
E apaixonam-se pelos contos de um Machado.

Ahhh... Que no final do dia Seu Vinícius me chama
E Florbela me Espanca.
Mas eu fujo para os braços de um gentil Graciliano
E por fim adormeço
Para sonhar com Augusto dos Anjos
E falar com Quintana.

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