

Everaldo de Almeida Santiago
Dias de chuva
São dias de molhada preguiça,
Da seca vontade de não fazer nada
Acorda-se tarde, pensando ser cedo;
Dorme-se cedo, pensando ser tarde.
Pingos de chuva são como
Passos do ponteiro,
Com vagareza vão passando,
Debruçados em lentidão, vão
encharcando
O dia escuro, tudo deitado,
Muitos encolhidos
Os orvalhados são os mais lindos.
Se balançá-los, dão uma mini-chuva,
Segundos de surpresa e incômodo
A terra vira massa
A rechear os chinelos
E a grudar nos sapatos,
Dando queda em apressados e
descuidados.
A chuva lenta, tudo silencia.
O espaço fica calmo e triste,
Até parece que a face a terra
Está chorando,
Um chorinho dengoso e
Bem preguiçoso

Rodrigo Vieira de Almeida
Dança Flor espanhola, dança!
O vestido toca o chão.
Velado vermelho escuro, dança!
Movimento hipnótico das mãos.
Canta Flor espanhola, canta!
O vestido, o toque, a paixão.
Velado vermelho escuro, encanta!
Movimento suave das mãos.
Aflora Flor espanhola, aflora!
A dança hipnótica do amor.
Aflora pequeno botão de outrora!
Velado vermelho escuro, de amor.
Chora Flor espanhola, chora!
Frágil criança de amor.
Violado vermelho escuro, chora!
Um grito rápido de dor.
Morre Flor espanhola, morre!
O vestido, o sangue, a paixão.
Violado vermelho escuro de morte!
Movimento brusco das mãos.

Bruno de Alencar Pereira
Visto máscaras
Não sei quem sou,
Nem sei se sou eu mesmo,
Ou se penso ser,
As mentiras que conto,
E se minto pensando
Em ser, ou querendo
Saber se não sou
Ou ao saber
Que o que não sei,
Sou alguém além
Do pensar que pensei.
Faço promessas,
Visto figuras,
Teatro às avessas,
Canduras
Couro puro
De um ser escuro.
© 2000 / 2010 Universidade São Judas Tadeu