XX Concurso de Poesia
Simpósio MultidisciplinarPortal São Judas
O Concurso
Regulamento
topo
2007
1º Lugar

Mito

Nestor Ângelo da Luz

Volto ao espelho
Em busca do Eu-Narciso
Não em busca do sorriso
Nem do esquecido olhar.
Volto ao espelho
Como quem bebe água
Mato minha sede
Na miragem do que sou
Na mentira que aniversario
Na ponte virtual que construo
Entre mim e o outro que penso ser
Volto ao espelho
Como quem do sexo
Vicio
Como quem do medo
Oficio
Como quem do sacrifício
O altar
Volto e sei que voltarei
Foco e sufoco
As leituras que faço de mim.

2º Lugar

Errando Poesia

Marcos Antonio Lizardo

É com a vida que erro minha poesia
E com a poesia erro meus sonhos
E com meus versos em sonhos erro a vida
Porque erro meus versos em vida quando sonho
Eu me componho não de vida e sonhos
Mas de meus versos errando minha poesia
É com a estrada que erro meus passos
Meu descompasso de sentir-me tão medonho
Eu me descomponho no que faço
Sonho de vida, em poesia, tão enfadonho
E no fazer-me em versos é que me desfaço
E no desfazer em versos a vida é que sonho
E em versos a vida é o que não canto
Em meu canto sem compasso me esvazio
E vazio de mim a vida é um desencanto
Em versos sem compasso eu desvario
A poesia que erro é um pranto
E o pranto em versos é o que silencio
É com a poesia que erro o dom de amar
E é amando que erro o dom de existir
No que muito canto é que sei calar
Calando o grito é que posso resistir
A todo silêncio em mim que não pode chamar
E a todo o amor que em mim não pode mentir
Mas que se pudesse com certeza mentiria
E se acaso mentisse, seria poesia

3º Lugar

Pseudo - Metonímia

Ronaldo Ferreira Lana

Minhas-linhas que evito considerar
poesia-, ah!, as
Minhas linhas, tão pateticamente
intimas e tão sofregamente
Singulares! Nada envolvem, nada
compreendem, nada acrescentam
E nada são além de patéticas! Sem valor,
Como as brasas d’uma certa fogueira
que ardeu toda a noite
Há tempos, sendo agora nada além de
cinzas. Nada, nada!
Pois é... nem mesmo a metáfora do
coração vale, tudo está
Cansado, tudo marcha em marcha
lenta, e lenta é a vontade
Do peito de respirar. Tudo está cansado
sem ar. As palavras
Não têm fôlego, são tuberculosas.
Os auto-possessivos de
Quem nada realmente possui fazem o
sentido dos todos, são
Ouro de ninguém! Nada dizem; nada
são além de qualquer cousa.
Gostaria de pegar o bonde, mas... que
bonde? Hoje não
Há bondes e são os ônibus que ardem
pessoas e assassinam reféns indefinição
Alegrar-me-ia colher flores, mas nem
mesmo a Rosa de Hiroshima é:
Banalizaram a vida
Ah, que alivio seria a canção de todo o
pesar que carrego!
Um fardo indistinto, sem traços, sem
laços, sem pedaços de verdade!
Um fardo que pesa e dobra os joelhos,
que rala minha pele no chão
E me machuca um’alma que nem
mesmo sei se tenho!
Pegarei o bonde; mas...,ir pra onde?
Nem meu lamento vale!
A sintaxe não é sintaxe; nem mesmo
sei que é sintaxe.
Se um dia perguntarem-me o que é
sintaxe, direi, envergonhado.
Que não sei da sintaxe. A verdade, isso
não importa. Divirto-me-
Divirto-me?-com isso chover no papel.
A chuva é desordenada.
A chuva não escolhe, não tem
intenções. A chuva apenas cai.
Minhas linhas são chuva. A chuva não
se assemelha às minhas linhas
Como sabe o que é sintaxe?
Como sabe o que é... o amor?
Nem meu lamento vale!
Banal. Clichê. Normal. Simples.
Ordinário. Comum. Raso.
Pobre. Fraco. Ralo. Tênie. Débil.
Terminal. Eutanásia.
Eutanásia.
Dos grilhões dos quais livre me brado
nada levo além
Da mentira da liberdade pseudo-
ridicularmente-poética!
Idiota! Falta essência, falta sumo, falta
técnica, falta cultura
Falta alma! Não enfrentas aquilo que
não conheces e tema
O teu isolamento por meio da
segregação intelectual!
Falta-me tudo, meu Deus de ninguém.
Falta-me tudo, tudo...
Tudo
E
Nada.
Tudo...
Nada.
Tudo...
Nada.
Tudo...
Nada.
Tudo...
Nada.
Acabaram as pétalas.

Voltar

© 2000 / 2010 Universidade São Judas Tadeu

Voltar para o Portal São Judas