

Sueli Constancia Lopes Alves
De que adianta fazeres poesia
Se tua vida não for um poema
De amor ou de dor não importa,
Contando que tenho o tema.
Se sofres, o mote é saudade,
Se ris, a rima é paixão
Amor e dor são verdades
Tudo o mais... ilusão
Se tua vida for um poema
Decerto escreverás um dia
A poesia virá com calma
Do âmago fluirá o tema,
Não será a razão tua guia.
Poesia quem escreve é a alma

Deise Mirian Rossi
Lençóis de asfalto e pedras...
Assim é a minha rua
Uma rua chicoteada
Pelos passos de pessoas
Instáveis que caminham,
Caminham à procura,
de um hábito
De vida
Uns descalços, outros com saltos;
Uns apressados, outros mais lentos
A minha rua tem arestas de vida
Encavaladas...
Arenosa em sua sôfrega idade,
Minha rua possui o hábito
De pés pequenos e agitados
Eles ainda não possuem o
Susto solene da existência,
A relíquia da saudade,
Nem a gravidade da vida...
A minha rua possui um certo silêncio
Aos domingos
Minha rua é uma cama
Para aqueles que foram
Esquecidos pela vida...
Em sua desbotada errância
Minha rua suporta os imperfeitos,
Os excluídos, os que estão
No exílio destes versos...
Minha rua está arrendada
Ao comércio e conserto de carros
Minha rua é um discurso
Avulso de olhares dispersas...
Na minha rua nada é natural
Tudo é um ritual de singularidades...
O sol se escondeu na minha rua,
O silêncio soturno da noite
Desprende-se de seus cúmplices...

Marcos Antonio Lizardo
Agora eu fico só.
Só isso e mais nada.
Não sei se essa solidão
Cabe no apartamento
Não sei se virei pó,
Uma rocha triturada,
Perdida na imensidão,
Espalhada pelo vento.
A estrada deu um nó.
Tropecei na caminhada,
Perdi de ver a direção.
Passos no esquecimento...
Agora eu virei só.
A alma estrangulada.
Nem sonho nem ilusão,
Gritos no sofrimento.
Agora eu fico pó
Na beira da estrada,
Viagem desatinada,
Nada de arrependimento.
A vida deu um só
No meio da caminhada
Triste impressão.
Morri no esquecimento
O amor me fez só,
O amor se fez pó,
O amor é um nó.
Só isso e mais nada.
Não há estrada
Nem caminhada,
Rumo ou direção,
Sonho ou ilusão. Nem imensidão.
Há solidão,
Mais nada...
© 2000 / 2010 Universidade São Judas Tadeu