XX Concurso de Poesia
Simpósio MultidisciplinarPortal São Judas
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2003
1º Lugar

Realidade Linguística

Ana Paula Ricci

Sentenças geram nosso mundo real
Só é possível viver o que nossa linguagem
pode traduzir, aludir, definir...
Realidade construída com palavras
Como se não houvesse vida
Antes do primeiro fonema

Letras que engendram morte e vida,
guerra e paz, alegria e tristeza, amor e
ódio...
O ser humano prisioneiro do próprio
discurso
Das próprias dicotomias maniqueístas que elaborou
Ao longo dos séculos engenhosamente,
lentamente, pacientemente na mente...

Instrumento ambíguo que salva e destrói;
Linguagem só linguagem, nada mais...
Mas cremos numa realidade gramatical
com a fé simples das crianças
E tomamos nosso mundo de palavras
como onipotente onipresente...

Raça que julga o discurso capaz
De abarcar qualquer situação
De explicar quaisquer sentimentos
sensações, emoções...
Supõe resolver seus pseudo-problemas
precisando conceitos e definições

Homem refém do som de sua voz, dos
seus escritos, das suas verdades da sua
ciência...
São tantas as prisões lingüísticas que
se auto impôs!

Há que silenciar, há que se libertar
Legitimando o não-científico
Aceitando o inefável,
Reconhecendo o indizível inerente à vida
ao mundo, a tudo, a todos, a nos...

2º Lugar

Fenômeno

Fábio Gomes da Silva

O amor é como o mar
Convidativo, envolvente
Às vezes, vem devagar
Remando contra a corrente
As vezes por muitas vezes,
Deságua dentro da gente...
O amor é como vento,
Pairando sobre a cidade.
As vezes brisa serena,
soprando ao cair da tarde,
As vezes por muitas vezes,
Inconstante tempestade...
O Amor é como a terra,
Guardando o grão prometido,
As vezes, se desespera,
quer ver o fruto crescido,
As vezes, por muitas vezes,
morre sem ter florescido...

3º Lugar

Universo

Fabio Roberto Lucas

Fluem nos flancos do espaço sideral,
as fuligens de algumas falas passadas,
idéias e sensações em espiral
esvaindo-se em nada, nulificadas.

Caóticas dissonâncias, um abissal
de incertezas quânticas reiteradas
por filosofias além do bem, do mal,
relatividade geral, ressoadas.

No entanto, há uma luz, uma luz opaca,
Um sol derrotado pelo eclipse obscuro
com que a tenaz prosalidade o ataca.

Mas para alguns poetas, a luz embala
E guardA consigo Fênix e Epicuro,
um canto que renasce, celebra, cala.

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