XX Concurso de Poesia
Simpósio MultidisciplinarPortal São Judas
O Concurso
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2001
1º Lugar

Versos repulsivos

Charles Gentil

Tenho nojo
Tenho asco
Destes versos
Destes restos

De lembranças
Doloridas
Das imagens
Tão sofridas

Tenho repúdio
Tenho aversão
Destes versos
Destes restos

De ilusão
Tenho ódio
Tenho enjôo
Menospreza

Destes versos
Destes restos
Excrementos
Da paixão

Tenho repulsa
E escarro
E execro
E condeno

Estes versos
Estes restos
Circunspectos
Que dissecam

Uma alma
Uma vida
Um passado
Uma ferida

Estes versos
Estes restos
Que exumam
Que dissecam

Eu execro
Eu condeno
Estes versos
Estes restos

2º Lugar

Eu desfeito

Augusto César Vassilopoulos Natal

eu

que despendi de todas as horas para
fazer de mim
o que sou e não o fiz

que simulei em muitas manhãs de
outono como me despir
do que não cria e não me despi

que em leitos de prazer infinitas
mulheres provei
e nem assim tive mulheres ou filhos

que na aguda madrugada enquanto
dormia enverguei
cordas adornando o meu pescoço e não
as desatei

que cheguei perto perto perto de meu
caminho e por ter chegado perto não heguei

que cheguei sempre antes do combinado
quando melhor seria atrasar

que lutei feito cavaleiro obstinado por sonhos
que não me diziam respeito

que mastiguei o pão que o diabo amassou
só para mostrar a não sei quem que podia mastigar
[o pão que o diabo amassou]

que prometi dividir com todos o que não tinha
e quando tive desisti, pois preferi conservar
o que consegui

entro pelo corredor estreito
do meu apartamento de um dormitório
depois me deito
numa cama de casal
olho pro feto
pego um cinzeiro
seguro um maço
retiro um cigarro
e penso em todo esse nada
em um único trago

3º Lugar

Psiquê

Marcos de Souza Lemos

Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!

Ricardo Reis

Quero que hoje o sol não apareça,
pois dorme Psiquê no alto da colina
grega e
tão tranqüila e fresca me parece
que os raios solares a perturbariam.
Pelas redondezas Eros a observa e vê
o que também eu vejo
uma beleza que ofusca os olhos,
mais os meus do que os deles, Eros
e isto é obvio: ele é deus eu não
Vemos juntos aquela bela figura de
mulher
com a cabeça encostada nas mãos
enquanto o corpo, de bruço, repousa
suavemente
De repente, a ventania...
acorda Psiquê de seu sono profundo;
redemoinhos de pétalas roxas sobre ela,
tormenta, tempestade, furacão...
Eros desesperado, Psiquê em “transe...”
Há pedras despencando, árvores à cair.
Correm as cores... voam as flores
de repente, tudo volta ao normal
como se nada tivesse acontecido e
Psiquê volta ao seu sono profundo.
As horas voltam ao seu canto e
a natureza repousa graciosamente
Olho para um límpido lago
e vejo um ancião em súplice posição
Nesse instante percebo que não o
Tempo passa por mim,
Mas sim, sou eu quem passo por Ele.

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