XX Concurso de Poesia
Simpósio MultidisciplinarPortal São Judas
O Concurso
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1999
1º Lugar

U-Sina

Daniela de Costa Loreto

As torres da usina cospem
- infladas, catarrentas, intatas
densas fumaças mofas e ácidas
pretas tosses
- de fogo
brancas nuvens
- de chumbo

Chuvas tácitas

As torres da usina exalam
nacos cinzentos de carbono podre
que dão piruetas, se soltam
se estalam
se espatifando pelo céu
- de enxofre

As torres da usina bolem
massa ferventes e em seu vôo
as nutrem
e ecoam e enjoam a esvaem e
escorrem
tapando as estrelas que dormem
- e surgem

As torres da usina entalam
seus ares não falam
mas escuto meu nome
a suspiro e aspiro e transpiro
e me calo
e respiro e me rendo e me rôo
- de fome

As torres da usina correm
não posso alcançá-las de dentro
do carro

quero que me sumam com
meu cigarro

meu coração
- de gás
meu pulmão
- disforme

As torres da usina fogem
quero que se morram com
seu escarro
que se exploda e se coma esse ferro
e o barro
Venha em seu lugar
com sorrisos de homem

2º Lugar

Distância

Nicola Greco

Caminho de olhos baixos,
Emudecido
Pois já não canto,
Apenas imagino os minutos
Dissolverem o tempo
E a cada passo que realizo,
Nesta solidão
Observo meus pés entregarem-se
Ao acaso, sem pressa
Parecem não querer voltar para casa
Aumentando assim,
A distância entre teu ouvir e minha voz
Resta-me a poesia imponderável,
Ao consolar-me
Neste caminho
Que me separa de tua voz
Minha sensibilidade
Não foi suficiente
Para conquistar a distância
Minha poesia não foi importante
Para seduzir o tempo
Mas resta em mim,
A certeza do amor maior que havia,
E tamanha dificuldade em traduzir-te
Tua poesia brotará na simplicidade,
Posto que é simples
Meu momento em tua busca
Sonho em conduzir-te descalça
Sobre o horizonte de areia
Caminhando ao teu lado,
Em direção ao futuro.
Permanecer assim,
Na certeza de que ao longe
Poderei conjugar
O verbo do afeto em tua direção,
Para que através da distância
Eu possa sentir o calor de teus lábios
Permanecerei consoante de mistérios,
Pois me ensinaste a resgatar
Meus sonhos e encantos
Ainda que tua voz não ecoe nas cisternas
Dos meus sonhos
Resta-me a poesia,
Ainda que o tempo te transporte
Ao pais dos sonhos
Ainda que a distância
Me condene ao exílio

3º Lugar

Entrelinhas da vida

Fernando Michio Iamamura

Escrevo-me nas entrelinhas da vida
Onde a gramática não faz muito sentido
Passeando entre as virgulas e ponto e
vírgulas
Prendendo-me entre as reticências e as
palavras mal escritas
Fazendo das interrogações exclamações
E das exclamações interrogações
Algumas vezes me espremendo nas
margens da folha
Em idéias confusas e sem sentido
Outras vezes fluindo
Como a poesia de um poeta inspirado
Existem momentos em que a vida
Não passa de uma mera descrição
Ou uma triste dissertação de como as
coisas podem ser
A vida traz sentido às palavras que escrevemos
As palavras trazem a riqueza às nossas vidas
Onde cada texto tem sua partícularidade
Onde história tem sua alma
Cada texto constrói um sonho.

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