

Paulo Edson de Oliveira
Observe a elipse
de uma pedra arremessada
observe o zigue-zague
das pernas nas calçadas
observe o circular
de uma valsa bem dançada
observe o labirinto
de um bom jogo de palavras
observe que não minto
enquanto não dizendo nada
Absorva um eclipse
de uma noite enluarada
absorva o zigue-zague
de uma calça costurada
absorva o circular
de uma barata envenenada
absorva o labirinto
de uma voz anasalada
absorva o que lhe minto
enquanto não dizendo nada

Neusa Isaias do Nascimento
Coloridos corpos aprisionados
que o vento com ar despudorado
percorre e movimenta
ao som de um farfalhar de agrado
Ora se aprumam... ora se encantam...
e a estranha dança o tempo aumenta
no roçar leve e acalorado
a sensualidade experimentam
São ruídos de festa e folhas
que as tardes mornas ambientam

Ricardo Lacorte
É deste teu riso que nasço
Abismado de tamanha admiração.
Assim completo o que é vasto
Num instante lúcido de alucinação
É desta tua forma que me esculpo
Atraído por imensa grandeza,
Assim dum sublime olhar te cubro
Numa constante e doce audiência.
É assim sempre que recolho
Tudo do teu ar tão presente,
Muito da tua alma que encontro.
Será assim, eu sei, pra sempre
Nada da tua vida só por encanto,
Pouco que sou com você ausente.
© 2000 / 2010 Universidade São Judas Tadeu