

Maria Gevanea Xavier da Silva
Morte minha
Palavra amiga
Sensual retorcida
Morte dos sabores
Dos amores
Da beleza cristalina das
lágrimas
sem orgulho
Morte do gosto amargo do teu
corpo nu
Da tua áurea sombria
Da tua cabeça vazia
Morte dos meus olhos ao
chocarem com os teus
Morte que vagueia
Que me incendeia
Que me debruça
Que me toma e me arrepia
Morte dos meus pecados
Das minhas entranhas perdidas
Do meu olhar embranquecido
Da minha solidão singela
Da minha vida esquecida.

Nestor Ângelo da Luz
Avisto janelas
o calor dos lares
olhares entre vitrais.
São anjos
são luzes
são luzes que caem.
Avisto mensagens esculpidas
nos cacos de vidros.
Nas esquinas um canto místico
vozes sobrevoam a terra
com mantos prateados.
São braços que me aceitam
corpos que se deitam
nas cinzas da santa ceia.
Flores assexuadas voam
homens apaixonados soam
o último grito de morte.
Avisto olhares e vitrais,
são anjos
são Cristos
são cais.

Lúcio Alves da Luz
olha
o
olhar
olhando
o
olhar
quente
molhado
acolchoado
perspicaz...
olha
alhures
alhambre
alhambrado
guarda
oculto
olhar
o
olhado
© 2000 / 2010 Universidade São Judas Tadeu