XX Concurso de Poesia
Simpósio MultidisciplinarPortal São Judas
O Concurso
Regulamento
topo
1992
1º Lugar

Soneto da cachoeirinha

Ricardo Lacorte

Descem em desordem tantas gotas brancas
Num desenfreado turbilhão sensível
Uma sinfonia quase legível
Música que encanta e lembra outras tantas

A cachoeira se faz nua aos meus olhos
Despe-se entre as pedras escuras
Deixa-se à mostra, desliza nua
É um tecido delicado que veste o solo

Caminhos largos cheios de espelhos
Guardam dos meus olhos alquimias
Tiram da voz um silêncio

Morre calma numa garganta à fúria dos veios
Na mais pura e clássica magia
Fazendo nascer n’alma incansável desejo

2º Lugar

Metrópole

Fernando Mathias

Da semente lançada pelo homem
Nasceu à Metrópole
Ferindo a terra
Arranhando o céu

Filha do cimento e do concreto armado
tem os nervos de aço
e um coração que bate descompassado
pela alucinante velocidade do sangue
motorizado
que corre em suas veias

Seu aspecto cansado e abatido
dos dias de calor
torna-se sombrio e assustador
nas noites de frio

Os corpos espalhados pelo chão fundem-se às calçadas e às paredes
formando uma homogênea massa
cinzenta
o embrião da nova geração

Os antigos campos verdes
retalhados e conservados em canteiros
cedem lugar aos campos de piso negro
Os campos de batalha
Os campos em que corremos rios
vermelhos
que irrigam às plantações de frutos
verdes

Da semente lançada pelo homem
nasceu a cidade
Arranha-céu
Asfalto
Concreto armado
Menor abandonado
Maior assaltado
Idoso atropelado
Sangue...

A Metrópole é cinza e vermelha

3º Lugar

Enigma

Mauro José Batista

O meu nome é silêncio
Tenho à idade da vida
Tenho o tamanho do medo
Tenho no brilho dos tempos
uma vida aberta em segredos
Trilho caminhos de sonhos
que não fazem parte do meu passado

O meu nome é vida
Tenho a idade do segredo
Tenho o tamanho dos sonhos
Tenho no brilho do silêncio
uma vida coberta de medos
Trilho caminhos do passado
que não fazem parte do meu
tempo

O meu nome é sonho
Tenho a idade do silêncio
Tenho o tamanho dos tempos
Tenho no brilho do medo
uma vida fechada no passado
Trilho caminhos na vida,
que não fazem parte do meu segredo

O meu nome é passado
Tenho a idade do medo
Tenho o tamanho do segredo
Tenho no brilho dos sonhos
uma vida fechada em silêncio
Trilho caminhos dos tempos
que não fazem parte da
minha vida

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