Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Autor: Walter Krause Neto
Título(s): [pt] Efeitos do treinamento resistido associado ao propionato de testosterona sobre a Morfologia do nervo tibial, placa motora terminal, músculos sóleo e plantar e parâmetros de treinamento de ratos Wistar envelhecidos.
Resumo: [pt] Sarcopenia é um processo multifatorial caracterizado por alterações morfológicas, fisiológicas e funcionais em todo sistema neuromuscular. Estudos recentes demonstraram que degenerações na junção neuromuscular (JNM) precedem alterações no perfil muscular e conduzem a reduções iniciais nos componentes dos nervos periféricos. Desta forma, a utilização de estratégias que retardem ou revertam este processo, faz-se necessária. Dentre tais, destacam-se o treinamento resistido (TR) e o uso de terapia com testosterona exógena. O objetivo do presente estudo foi analisar os efeitos do treinamento resistido associado a testosterona exógena sobre o sistema nervoso periférico e músculos esqueléticos de ratos Wistar velhos. Para tal, utilizamos 35 ratos Wistar machos, com idade de 10 e 20 meses, divididos em seis grupos: SA – animais controle-sedentários de 10 meses de idade (n=6), SEI – animais controle-sedentários de 20 meses de idade (n=6), SEF – animais controle-sedentários de 24 meses de idade (n=6), SEA – animais controle-sedentários com 20 meses de idade que receberam propionato de testosterona (n=6), ET – animais com 20 meses de idade que foram submetidos ao protocolo de treinamento resistido (n=6) e ETA – animais com 20 meses de idade que foram submetidos ao treinamento resistido associado ao propionato de testosterona (n=5). Os animais receberam ração referência para roedores e agua ad libitum. Todos os grupos foram submetidos ao protocolo de adaptação ao equipamento de treinamento, familiarização e testes de carga carregada máxima (CCVM). O teste de carga carregada máxima foi aplicado antes e após o período de TR. O TR (6-8x/sessão, com cargas progressivas de 50 a 100%CCVM, 3x/semana, 120 segundos de pausa) foi realizado em equipamento de escalada em escadas durante 15 semanas. A administração de propionato de testosterona (PT) foi feita 2x/semana com dose de 10 mg/kg do animal nos grupos SEA e ETA pelo mesmo tempo que o TR. Após o período de experimentação, os animais foram eutanásiados em câmara de gás, e o nervo tibial e músculos sóleo e plantar do membro inferior direito retirados e preparados para analise em microscopia eletrônica de transmissão, citofluorescência e histoquímica. Ao final do treinamento, quantificamos carga carregada máxima, carga absoluta e relativa, média do volume de treinamento total, média do volume total por escalada, média do volume total relativo, média do volume relativo por escalada e média do volume de escaladas. Para análise estatística usamos software SPSS versão 21.0. Para comparação entre os grupos usamos ANOVA one-way (teste post hoc Tukey), testes t-student para testes pré vs pós (variáveis dependentes e independentes), correlação de Pearson e nível de significância fixado em p≤0,05. Os seguintes resultados significativos foram encontrados: a) houve aumento da área de secção transversa das fibras e axônios mielinizados com a finalidade de compensar a redução significativa na densidade numérica de fibras mielinizadas do nervo tibial durante o envelhecimento. Na JNM do músculo Sóleo ocorreu aumento da área total e corada dos receptores de ACh. Por outro lado, ocorreu 9 aumento apenas na área total dos receptores na JNM do músculo plantar. Estes ajustes morfológicos, impediram qualquer alteração nos músculos esqueléticos e na capacidade de resistência de força aferida no TCCM até a idade de 24 meses; b) uso de PT isolado aumentou a área e diâmetro das fibras mielinizadas, que ocorreu juntamente com aumento da espessura da bainha de mielina do nervo tibial. Contudo, esta terapia não conseguiu prevenir a redução do número de suas fibras mielinizadas. Na JNM do músculo plantar, o uso de PT aumentou de forma significativa área e perímetro, entretanto nenhuma alteração foi demonstrada na JNM do músculo sóleo. Na morfologia do músculo sóleo, demonstramos aumento das miofibras do tipo I e razão nuclear, com aumento do volume ocupado por fibras do tipo IIa. Já no músculo plantar, apenas as fibras do tipo I hipertrofiaram significativamente. Estas alterações possibilitaram aumento da carga carregada máxima nos roedores do grupo SEA; c) TR aumentou a área das fibras mielinizadas e não mielinizadas do nervo tibial, juntamente com a bainha de mielina. Estas alterações possibilitaram aumentar a área ocupada por fibras mielinizadas mantendo sua quantidade e ainda, reduzir o espaço intersticial. Na JNM, de ambos músculos sóleo e plantar, o TR foi eficaz em inibir as alterações causadas pelo envelhecimento. O músculo sóleo apresentou hipertrofia significativa e redução da área ocupada por fibras do tipo I, e aumento da razão nuclear. No músculo plantar, ocorreu aumento da área das fibras do tipo I e IIx, com aumento da razão nuclear. O TR possibilitou aumentar a carga carregada, carga absoluta e relativa, além de praticamente todos os parâmetros de treinamento e d) a associação de PT e TR aumentou a área dos axônios não mielinizados e a espessura da bainha de mielina. Em comparação ao ET, ambas as estratégias apresentam resultados similares. Contudo, as células de Schwann aumentaram significativamente apenas nesta estratégia. Quanto a JNM do músculo sóleo, a terapia combinada impediu alterações observadas durante o envelhecimento. Porém, na JNM do musculo plantar, nenhuma mudança ocorreu. No músculo Sóleo ocorreu aumento das ASTs das miofibras tipo I e IIa, da área ocupada por fibras IIa e a razão nuclear. No músculo plantar, houve aumento da área das fibras I e IIx, e da razão nuclear. Todos os parâmetros de treinamento foram aumentados com a associação das terapias. Assim, podemos concluir que (1) durante o processo de envelhecimento o nervo tibial sofre ajustes juntamente com as JNMs, prevenindo a sarcopenia e o decréscimo funcional; (2) a administração de PT é eficaz em estimular ajustes na morfologia do nervo tibial, JNM do músculo Plantar, ambos músculos esqueléticos e aumentar a resistência de força muscular; (3) o TR isolado é potente modulador de todos os parâmetros morfológicos analisados e uma ferramenta importante para aumentar a resistência de força através de aumentos progressivos do volume absoluto e relativo de treinamento; e (4) a associação de PT e TR não parece ser diferente de TR isolado, em induzir alterações na morfologia do nervo tibial, placa motora terminal, músculos esqueléticos e parâmetros de treinamento.
Abstract: [en] Sarcopenia is a multifactorial process characterized by morphological, physiological and functional changes throughout neuromuscular system. Recent studies have demonstrated that degeneration in the neuromuscular junction (NMJ) precede alterations in the muscular profile leading to reductions in peripheral nerve components. Thus, the use of strategies to slow down or reverse this process become necessary. Among these, it highlights the resistance training (RT) and the use of exogenous testosterone therapy. The aim of this study was to analyze the effects of resistance training associated with exogenous testosterone administration on the peripheral nervous system and skeletal muscles of old Wistar rats. Therefore, we used 35 male Wistar rats, aged 10 to 20 months, divided into six groups: SA - control-sedentary animals 10 months of age (n = 6), SEI – control-sedentary animals 20-month-old (n = 6), SEF - control animals, sedentary 24 months of age (n = 6), SEA - animal control-sedentary with 20 months of age which received testosterone propionate (n = 6), ET - animals 20 months of age which underwent resistance training protocol (n = 6) and ETA - animals 20 months of age which underwent resistance training associated with testosterone propionate (n = 5). The animals received diet rodent chow and water ad libitum. All groups were submitted to adaptation protocol at training equipment with subsequent familiarization and maximum load carrying testing (CCVM). The maximum load test was applied before and after the RT period. RT (6-8x / session with progressive loads of 50 to 100% CCVM, 3x/week and pause of 120 seconds) was performed in ladder climbing equipment for 15 weeks. The administration of testosterone propionate (TP) was performed 2x/week with 10 mg / kg of the animal in the SEA and ETA groups at the same time of RT. After the trial period, the animals were euthanized in the gas chamber, and the tibial nerve and soleus and plantaris muscles of the right paw were removed and prepared for transmission electron microscopy, immunohistochemistry and cytofluorescence. At the end of training, we quantify maximum carrying load, absolute and relative load, the average total training volume, average total volume per climbing, average total volume relative, relative volume per climbing and average climbing volume. For statistical analysis we used SPSS software version 21.0. To compare the groups we used one-way ANOVA (post hoc Tukey), Student's t-tests for pre vs post (dependent and independent variables) comparisons, Pearson correlation and significance level set at p ≤ 0.05. The following significant results were found: a) an increased cross-sectional area of myelinated axon fibers, possibly in order to compensate for the significant reduction in the number density of myelinated fibers of the tibial nerve during aging. NMJ of soleus muscle presented larger total area and stained ACh receptors. On the other hand, it was only seeing in the total area of receptors in plantaris NMJ. These morphological adjustments prevented any changes in skeletal muscle and strength endurance measured in CCVM until the age of 24 months; b) use of isolated TP increased diameter of myelinated fibers, along with increased thickness of the tibial nerve myelin sheath. However, this therapy has failed to prevent reduction of their myelinated fibers. In plantaris NMJ, the use of TP increased significantly area 11 and perimeter, though no changes have been demonstrated in the NMJ of the soleus muscle. The morphology of the soleus muscle, demonstrated increase in Type I myofibers and nuclear ratio, increasing the volume occupied by the type IIa fibers. In the plantaris muscle, only the fibers type I increased significantly. These changes allowed increasing the maximum carrying load in the SEA group rodents; c) RT increased area of myelinated and unmyelinated fibers of the tibial nerve, together with the myelin sheath. These changes made it possible to increase the area occupied by myelinated fibers keeping their quantity and also reduce the interstitial space. In NMJ, of both soleus and plantaris muscles, RT was effective in inhibiting the aging changes. The soleus muscle showed significant hypertrophy and reduction of the area occupied by Type I fibers, and increased nuclear ratio. In the plantaris muscle, there was an increase in the area of type I and IIx fibers with increased nuclear ratio. RT allowed to increase carrying load, absolute and relative, and almost all training parameters and d) association of TP and RT increased the area of unmyelinated axons and thickness of the myelin sheath. Compared to ET, both strategies have similar results. However, Schwann cells increased significantly only in this strategy. As the NMJ of the soleus muscle, combination therapy prevented changes observed during aging. But in plantaris NMJ, no change occurred. Soleus muscle had increased ASTs of myofibers type I and IIa, the area occupied by IIa fibers and nuclear ratio. In the plantaris, an increase was presented at fiber area I and IIx, and nuclear ratio. All training parameters were increased with the combination of therapies. Thus, we conclude that (1) during the aging process tibial nerve undergoes adjustments along with the endplates and prevent sarcopenia and functional decline; (2) management of TP is effective in stimulating settings in the morphology of the tibial nerve, NMJ of plantaris muscle, both skeletal muscle and increase muscle strength endurance; (3) RT is a potent modulator of all morphometric parameters and an important tool to increase strength through progressive increases in absolute and relative volume of training; and (4) the combination of TP and RT appears no different than RT alone to induce changes in the morphology of tibial nerve, motor endplate, skeletal muscles and training parameters.
Titulação: Doutorado em Educação Física
Orientador (a): Profa. Eliane Florencio Gama
Banca

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Assuntos: Treinamento de força, Envelhecimento.
Arquivo(s): Abrir documento (PDF)
   

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