Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Autor: Rafael Pedroso Divino
Título(s): [pt] A discussão sobre o mal nas Confissões de Agostinho: fenomenologia e ontologia
Resumo: [pt] Sendo Deus necessariamente o ser/bem absolutamente imutável e eterno, não poderia criar nada que fosse essencialmente mau, então como explicar a presença do mal na criação? O objetivo da presente dissertação é apresentar a resposta agostiniana no livro das Confissões para o problema da presença do mal em uma totalidade pautada pela perfeição do Criador. No primeiro capítulo, elaboramos uma fenomenologia do mal, ou seja, uma descrição do aparecer do mal desde a infância até a juventude de Agostinho, pois acreditamos que a pergunta pela origem do mal é precedida pela constatação da existência do mal na realidade. Assim sendo, diante do aparecer do mal nas suas recordações, Agostinho é levado a interrogar pela causa do mal, procurando conciliar a suma bondade e a onipotência do Criador com a presença do mal. No segundo capítulo, explicitamos a adesão de Agostinho ao maniqueísmo/corporalismo, com o propósito de conciliar a existência do mal com afirmação de que o mundo tem por origem o supremo bem. Concebendo Deus unicamente como uma substância corporeamente extensa e a ausência de substância como nada absoluto, Agostinho não escapa da contradição de atribuir a origem do mal ao Criador, pois ambos são reduzidos ao âmbito da espacialidade. No capítulo final, a partir dos sermões do bispo Ambrósio e dos livros neoplatônicos, Agostinho realiza a passagem da ontologia sensível/exterior para a ontologia inteligível/interior. Ao compreender Deus como ser incorpóreo e inextenso e o nada como privação de ser/bem, Agostinho passa a pensar o mal como deficiência (defectus) ou como pecado, isto é, como perversão da vontade que escolheu o inferior em vez do superior. Por último, depois de constatar as limitações do neoplatonismo para atingir o eterno, Agostinho descobre na Bíblia, principalmente na leitura das cartas paulinas, que o Verbo encarnado, mediador entre Deus e os homens, é a única via de condução ao absoluto. Ao assumir o que não era (humano) sem perder o que era (divino), o Verbo feito carne, ao contrário de Adão que pretendeu por meio da soberba usurpar um grau superior de ser, tomou humildemente um grau inferior de ser. Diante do abaixamento do Deus Filho que desceu ao grau mais baixo da criação, sem abandonar seu próprio grau, Agostinho aponta o mal não apenas como pecado, mas também como castigo pelo primeiro pecado.
Abstract: [en] God being necessarily the being/good absolutely immutable and eternal, he could not create anything that was evil, so how to explain the presence of evil in creation? The objective of this present dissertation is to present the Augustinian response in the book Confessions to the problem of the presence of evil in a totality guided by the Creator’s perfection. In the first chapter we elaborated a phenomenology of evil, that is, a description of evil’s appearing since Augustine’s childhood until his youth, for we believe that the question about the origin of evil is preceded by the realization of evil’s existence in reality. Therefore, with evil’s appearing in his memories, Augustine is led to question for the cause of evil, trying to conciliate the supreme goodness and the omnipotence of the Creator with the presence of evil. In the second chapter we make clear Augustine’s adhesion to manichaeism/materialism, aiming at conciliating the existence of evil with the claim that the world has originated from the supreme good. Conceiving God only as a substance bodily vast and the absence of substance as the absolute nothing, Augustine does not escape the contradiction of attributing the origin of evil to the Creator, for both are reduced to the scope of spatiality. In the final chapter, from sermons of bishop Ambrose and neo-platonic books, Augustine performs the passage from sensitive/external ontology to intelligible/internal ontology. By understanding God as an incorporeal and non-extensive being and the nothing as the deprivation of being/good, Augustine starts to think of evil as deficiency (defectus) or as sin, that is, as perversion of will that chose the inferior instead of the superior. At last, after finding limitations of Neo-Platonism to reach the eternal, Augustine finds out in the Bible, mainly in the reading of Pauline letters that the Incarnate Word, mediator between God and men, is the only way that leads to the absolute. By assuming what was not (human) without losing what was (divine), the Word made flesh, in contrast to Adam, who intended, through pride, to usurp a higher degree of being, took on humbly a lower degree of being. In the face of God’s Son humiliation, who himself went down to the lowest degree of creation without abandoning his own degree, Augustine points evil not only as sin, but also as punishment for the first sin.
Titulação: Mestre em Filosofia
Orientador (a): Profª Floriano Jonas César
Banca

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Assuntos: Mal, Deus, Ontologia, Neoplatonismo, Pecado, Verbo, Mediação.
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