Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Autor: Daniele Jardim Feriani
Título(s): [pt] Adaptações cardíacas e autonômicas ao treinamento físico aeróbico ou resistido associado á estimulação colinérgica por brometo de iridostigmina em ratos infartados
Resumo: [pt] Apesar dos avanços tecnológicos e científicos na prevenção e na intervenção durante um evento isquêmico agudo, ou mesmo em seu tratamento crônico, o infarto do miocárdio (IM) continua fazendo muitas vítimas em todo mundo. O desequilíbrio autonômico em favor da maior ativação do sistema nervoso simpático, e redução do parassimpático, propicia uma importante elevação na mortalidade, bem como parece estar associado a outras alterações nos pacientes após o IM, incluindo as alterações metabólicas, hormonais e imunológicas. O treinamento físico (TF) aeróbico é uma importante estratégia na prevenção e no tratamento das doenças cardiovasculares, principalmente associado ás adaptações funcionais e do sistema nervoso autonômico. Apesar de, nos últimos anos, alguma atenção ter sido empregada ao treinamento físico resistido (TR) para pacientes com IM ou insuficiência cardíaca, as evidências acerca de seus benefícios ainda são escassas e os mecanismos pelos quais sua realização poderia atenuar as respostas cardiovasculares e autonômicas, bem como a mortalidade após o IM, permanecem pouco divulgados. Por outro lado, a estimulação colinérgica por brometo de piridostigmina (PIR) tem apresentado efeitos positivos clínica e experimentalmente, na resposta cardiovascular após o exercício máximo em pacientes com insuficiência cardíaca, bem como melhorada modulação vagal, redução da área de IM e aumento da angiogênese após a ligadura da artéria coronária de ratos. No entanto, associações entre estas estratégias nas alterações cardíacas autonômicas e funcionais provocadas pelo IM têm sido pouco estudadas e merecem atenção. Sendo assim, o objetivo deste estudo consistiu em avaliar os efeitos do TF aeróbico ou resistido, associados ao tratamento com PIR, nas respostas ventriculares, hemodinâmicas e autonômicas do IM. Para isso, ratos Wistar machos foram divididos nos seguintes grupos experimentais: controle Sham (C); infartado sedentário (IS); infartado sedentário + PIR (IP); infartado + TF aeróbico (ITA); infartado + TF aeróbico + PIR (ITAP); infartado + TR (ITR); infartado + TR + PIR (ITRP). A cirurgia de infarto ocorreu por meio da ligadura da artéria coronária descendente anterior esquerda. Os protocolos de TF e tratamento com PIR foram realizados por 90 dias. A área de IM, semelhante entre os grupos no início do protocolo (~38±5%), foi reduzida pelo TF aeróbico e pelo tratamento com PIR tanto isolado quanto associado aos treinamentos (IS: 45±4; IP: 30±2; ITA: 29±3; ITAP: 28±3; ITRP: 33±3%). Quanto á capacidade física, os animais infartados e sedentários apresentaram redução da capacidade aeróbica, bem como do desempenho no teste carga máxima. No entanto, o TF aeróbico e resistido minimizou tal prejuízo. A fração de encurtamento do ventrículo esquerdo, representante da função sistólica, foi melhorada nos grupos IP, ITA, ITAP e ITRP (C: 38±3; IS: 16±2; IP: 27±2; ITA: 35±2; ITAP: 38±1; ITRP: 28±2%). Nestes mesmos grupos, também ocorreu redução da frequência cardíaca (C: 325±3; IS: 356±8; IP: 322±8; ITA: 317±7; ITAP: 306±7; ITRP: 319±5bpm). A função diastólica, demonstrada pela relação E/A, obteve melhora com o fármaco e o TF aeróbico (C: 1,7±0,2; IS: 2,9±0,4; IP: 1,6±0,1; ITA: 1,5±0,3; ITAP: 1,6±0,2). Os grupos IP, ITA e ITAP apresentaram redução do tônus simpático (C: 46±4; IS: 68±6; IP: 50±3; ITA: 42±2; ITAP: 43±3bpm) e aumento do tônus vagal (C: 56±5; IS: 23±4; IP: 44±6; ITA: 49±4; ITAP: 50±4bpm). Estes grupos, bem como o grupo ITRP, reduziram a frequência cardíaca intrínseca (C: 375±10; IS: 344±14; IP: 307±5; ITA: 300±12; ITAP: 294±5; ITRP: 300±6bpm). Além disso, o TF aeróbico isolado e associado ao PIR também foi eficaz em melhorar a resposta taquicárdica (C: 3,30±0,14; IS: 1,70±0,18; IP: 2,37±0,39; ITA: 3,20±0,21; ITAP: 3,18±0,56bpm/mmHg) e bradicárdica (C: -2,10±0,30; IS: -0,60±0,08; IP: - 1,27±0,10; ITA: -2,10±0,10; ITAP: -1,98±0,23bpm/mmHg). A modulação autonômica cardiovascular também foi beneficiada pelo TF aeróbico e pelo tratamento com PR, podendo ser observada pelo desvio padrão do intervalo de pulso (C: 11,5±0,7; IS: 5,3±0,4; IP: 12,1±0,8; ITA: 9,2±0,3; ITAP: 11,4±0,8ms), variância do intervalo de pulso (C: 136±16; IS: 35±7; IP: 149±8; ITA: 125±12; ITAP: 144±10ms²) e banda de baixa frequência da pressão arterial (C: 3,5±0,4; IS: 6,9±1,1; IP: 4,5±0,3; ITA: 4,0±0,08; ITAP: 3,3±0,3mmHg²). Sendo assim, os dados do presente estudo sugerem que independentemente do tratamento com PIR, o TF aeróbico foi eficaz em promover benefícios hemodinâmicos, ventriculares e autonômicos em ratos submetidos ao IM. Por outro lado, quando o TR foi associado á inibição da acetilcolinesterase, benefícios adicionais foram obtidos na função sistólica e na FC dos animais estudados. Dessa forma, é possível que, pelas características intrínsecas de cada tipo de TF, os ratos infartados submetidos ao TR possam ter sido mais beneficiados com o tratamento com PIR em relação aos animais não tratados e treinados.
Abstract: [en] Despite technological and scientific advances in prevention and intervention during an acute ischemic event, or even your chronic treatment, myocardial infarction (IM) continues to make many victims worldwide. The autonomic imbalance in favor of greater activation of the sympathetic nervous system, and reduced parasympathetic provides a significant increase in mortality, and appears to be associated with other changes in patients after IM, including metabolic, hormonal and immunological changes. The physical training (TF) aerobic is an important strategy in the prevention and treatment of cardiovascular diseases, mainly associated with functional adaptations and autonomic nervous system. Although in recent years, some attention has been employed to resistance exercise training (TR) for patients with IM or heart failure, evidence about its benefits are still scarce and the mechanisms, by which their achievement could attenuate cardiovascular and autonomic responses and mortality after IM, remain poorly disclosed. Furthermore, cholinergic stimulation pyridostigmine bromide (PIR) has shown clinical positive and experimentally, cardiovascular response after maximal exercise in patients with heart failure, as well as improved vagal modulation, reducing IM area and increased angiogenesis after ligation of coronary artery of rats. However, associations between these strategies in autonomic and functional cardiac changes caused by IM have been little studied and deserve attention. Thus, the aim of this study is to evaluate the effects of aerobic or resistance TF, associated with treatment with PIR, the ventricular response, hemodynamic and autonomic IM. To this end, male Wistar rats were divided into the following experimental groups: Sham control (C); infarcted sedentary (IS); sedentary infarcted + PIR (IP); infarcted + aerobic TF (ITA); infarcted + aerobic TF + PIR (ITAP); infarcted + TR (ITR); infarcted + TR + PIR (ITRP). The myocardial surgery occurred through ligation of the left anterior descending coronary artery. The TF treatment protocols and PIR were carried out for 90 days. The IM area, similar in both groups at the beginning of the protocol (~38±5%) was reduced by aerobic TF and treatment with PIR both isolated as associated with training (IS: 45±4; IP: 30±2; ITA: 29±3; ITAP: 28±3; ITRP: 33±3%). As for the physical, the infarcted animals and sedentary decreased aerobic capacity and performance at maximum load test. However, aerobic and resistance TF played such injury. The shortening fraction of the left ventricle, representative of systolic function has been improved in the IP group, ITA, ITAP and ITRP (C: 38±3; IS: 16±2; IP: 27±2; ITA: 35±2; ITAP: 38±1; ITRP: 28±2%). These same groups also occurred reduction in heart rate (C: 325±3; IS: 356±8; IP: 322±8; ITA: 317±7; ITAP: 306±7; ITRP: 319±5bpm). Diastolic function, demonstrated by the E/A ratio, obtained improvement with drug and aerobic TF (C: 1,7±0,2; IS: 2,9±0,4; IP: 1,6±0,1; ITA: 1,5±0,3; ITAP: 1,6±0,2). The IP, ITA and ITAP groups decreased sympathetic tone (C: 46±4; IS: 68±6; IP: 50±3; ITA: 42±2; ITAP: 43±3 bpm) and increased vagal tone (C: 56±5; IS: 23±4; IP: 44±6; ITA: 49±4; ITAP: 50±4bpm). These groups, as well as ITRP group reduced the intrinsic heart rate (C: 375±10; IS: 344±14; IP: 307±5; ITA: 300±12; ITAP: 294±5; ITRP: 300±6bpm). Moreover, aerobic TF alone and associated with PIR was also effective in improving tachycardic response (C: 3,30±0,14, IS: 1,70±0,18; IP: 2,37±0,39; ITA: 3,20±0,21; ITAP: 3,18±0,56bpm/mmHg) and bradycardia (C: -2,10±0,30; IS: - 0,60±0,08; IP: -1,27±0,10; ITA: -2,10±0,10; ITAP: -1,98±0,23bpm/mmHg). Cardiovascular autonomic modulation was also benefited by the TF aerobic and the treatment with PIR, it can be observed by the standard deviation of the pulse interval (C: 11,5±0.7; IS: 5,3±0,4; IP: 12,1±0,8; ITA: 9,2±0,3; ITAP: 11,4±0,8ms), the variance pulse interval (C: 136 ± 16; IS: 35± 7; IP: ± 149 8; ITA: 125 ± 12; ITAP: 144±10ms²) and low frequency band blood pressure (C: 3,5±0,4; IS:6,9±1,1; IP: 4,5±0,3; ITA: 4,0±0,08; ITAP: 3,3±0,3mmHg²). Thus, the data from this study suggest that regardless of treatment with PIR, aerobic TF was effective in promoting hemodynamic, ventricular and autonomic benefits in the IM rats submitted. On the other hand, when TR was associated with inhibition of acetylcholinesterase, additional benefits were obtained in systolic function and FC of the animals studied. Thus, it is possible that the intrinsic characteristics of each type of TF, the infarcted rats submitted to TR may have more benefit from treatment with PIR compared to untreated animals and trained.
Titulação: Mestre em Educação Física
Orientador (a): Profª érico Chagas Caperuto
Banca

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Assuntos: Infarto do miocárdio, Função cardíaca, Função autonômica, Treinamento físico, Estimulação colinérgica.
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