Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Autor: Bettina Ursula Weissler Ried
Título(s): [pt] Instruções com diferentes estruturas rítmicas: efeito na aprendizagem da pernada do nado peito
Resumo: [pt] Na aprendizagem de habilidades motoras, a instrução é um dos fatores que interferem no resultado, que vem sendo pouco explorado quanto ao seu conteúdo. No ensino de habilidades aquáticas, as características espaciais da habilidade comumente são priorizadas, em detrimento de outras como a estrutura rítmica, que distingue uma habilidade de outra e é crucial para o alcance da meta na execução de uma habilidade, especialmente nas habilidades aquáticas. O ritmo é um princípio organizador, estruturado em níveis (pulso, métrica e variação rítmica), que é compartilhado intuitivamente entre indivíduos por diversas vias perceptivas, mas é pouco explorado quanto ao seu potencial pedagógico. O presente trabalho analisou os efeitos de uma instrução visual ou auditiva, retratando diferentes métricas, no processo de aprendizagem da pernada do nado peito, e as correlações com outros fatores como experiência anterior e frequência de exposição á instrução. Foi avaliado o desempenho de 50 participantes em três índices: o índice de pernada (IP), de configuração rítmica (ICR) e espacial (ICE). A amostra foi distribuída em quatro grupos conforme a instrução recebida: auditiva (A) ou visual (V), com métrica típica (T) ou alternativa (A) (AT, VT, AA, VA), bem como por experiência anterior em brincar na água, participação em aulas de natação e em aulas de atividades rítmicas (música, dança, capoeira, etc.), manifesta em questionário fechado. Cada um dos participantes executou ao longo da fase de aquisição, em três dias, 400 tentativas da tarefa em flutuação ventral, mais 50 tentativas no teste de retenção e 50 no teste de transferência, este em flutuação dorsal. Antes de cada ciclo de 10 tentativas puderam solicitar a instrução específica do grupo. As tentativas foram filmadas para obtenção dos índices de desempenho e posterior análise descritiva, de variância e tamanho do efeito. Todos os grupos melhoraram seu índice de pernada e a configuração espacial, mas não a rítmica. Foi constatado IP superior (p=0,075; r=0,258) dos grupos de instrução com métrica típica em comparação com a alternativa, no teste de retenção, e no ICE no teste de transferência (p=0,045, r=0,289), mas sem diferença entre as instruções auditiva e visual e quanto á solicitação da instrução. A experiência em brincar na água facilitou a aprendizagem (p=0,035; 8 r=0,541) enquanto aulas de natação a comprometeram, e a experiência em atividades rítmicas quase não se manifesta, o que relativiza a importância da instrução na aprendizagem de habilidades aquáticas e reforça o papel das experiências perceptivo-motoras. Em síntese, os resultados apontam para uma repercussão positiva da informação sobre a métrica típica, e há indícios de um melhor aproveitamento da instrução auditiva. O foco sobre a configuração espacial, comumente adotado no ensino de habilidades aquáticas, não se justifica, mas recomenda-se enfatizar a métrica da habilidade, e valorizar a diversificação de experiências motoras na água em detrimento do ensino de padrões motores pré-determinados.
Abstract: [en] In motor skill learning, the influence of instruction on the outcome has been widely studied, but little attention has been paid to the content of the message. In aquatic skills teaching processes, spatial features are commonly emphasized, whereas other aspects such as rhythmic structure are left aside, even though rhythmic structure is known to be a feature that distinguishes one motor skill from the other, and crucial for effective performance. Rhythm is an overall organizing principle that is structured in three levels: pulse, meter and rhythmic variation. It is intuitively communicated and connects individuals and groups through several perceptive channels, but its potential in teaching has not yet been explored. This study investigates the effects of visual and auditory instructions that depict different meters on learning the breaststroke kick, and looks into correlations with other factors like previous experience and instruction access frequency. The sample consisted of 52 college students, divided into four groups, each of which received group specific instruction: auditory or visual, depicting either the typical or an alternative meter. Participants were further grouped according to their previous experience with rhythmic activities (i.e. dancing, gymnastics, playing music), swimming lessons and/or playing in water during childhood, which were assessed by a yes/no questionnaire. The breaststroke kick learning process was determined using three outcome measures: stroke index, rhythmic configuration index and spatial configuration index. All participants performed 400 trials of the breaststroke kick in prone position during the acquisition phase over two days, plus 50 retention trials and 50 transfer trials on a third day, the latter in supine position. Before each set of ten trials, participants were allowed to access their group specific instruction. The outcome measures were evaluated based on video recordings of the trials and submitted to descriptive, variance and effect size analysis. All participants increased their stroke index and spatial configuration index, but not their rhythmic configuration index, although both indices were highly correlated during the whole learning process. The typical meter instruction groups outperformed the alternative meter instruction groups in the retention test as measured by stroke index in (p=0,075; r=0,258), and in the transfer test as measured by spatial configuration index (p=0,045, r=0,289). No difference was 10 found between auditory and visual instruction or relating to the instruction access frequencies. Participants who reported childhood play in water showed better stroke indices (p=0,035; r=0,541) than other experience groups, whereas swimming lesson experience hampered learning. Experience in rhythmic activities did not correlate with outcome differences. This puts into perspective the role of instruction in aquatic skills learning, and stresses the impact of previous perceptive-motor experience. In a combined consideration, our results show that information about the typical metric structure helps to learn the breaststroke kick and suggest that under certain circumstances auditory instruction may improve learning more than visual instruction. Emphasizing the spatial configuration of the skill, as is common practice in aquatic skill teaching, does not promote the learning process; instead, the rhythmic configuration deserves more attention. Furthermore, teaching should go beyond merely transmitting predetermined motor patterns and instead focus on fostering diverse perceptual-motor experiences.
Titulação: Doutora em Educação Física
Orientador (a): ProfÂȘ Graciele Massoli Rodrigues
Banca

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Assuntos: Instrução, Desempenho, Aprendizagem motora, Nado peito.
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