Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Resumo

Autor: Sérgio Luiz Salles Souza
Título(s): [pt] Hospitais da fé e da ciência
Resumo: [pt] O incêndio do Hotel-Dieu (Paris,1772) provocou uma enorme comoção popular exigindo a construção de um hospital de acordo com o espírito ilustrado da época. Coexistiam na ocasião dois tipos de instituições: uma assistencialista segundo os conceitos da Alta Idade Média, que se ocupava do acolhimento dos miseráveis; e outra organizada segundo os conceitos da Baixa Idade Média, oferecendo cuidados com a saúde e almejando a cura. Na Alta Idade Média, o cristianismo introduziu uma apreciação diferente entre enfermo e enfermidade, a caridade era a virtude suprema e, dessa forma a ciência era submetida à fé. Na Baixa Idade Média houve a retomada das instituições médicas. Em 1540, com a Ordem Hospitaleira dos Irmãos de São João de Deus, surgiu um novo capítulo da história dos hospitais ao considerar como dever central o cuidado clínico com os doentes, a formação em enfermagem e cirurgia, readmitindo e aprimorando princípios da medicina bizantina. A fundação da Charité em Berlim (1727) representou uma grande evolução que propiciou a conceito de Hospital Geral. O Hospital de Bamberg (1787-89) marcou o início do desenvolvimento de concepções especializadas para edifícios hospitalares. Na segunda metade do século XIX, definitivamente adotou-se como modelo a solução de hospitais pavilhonares, que demonstravam benefícios nos sanatórios de doenças infecciosas e tuberculose. O avanço da medicina clínica, entre 1880 e 1890, aumentou a expectativa média de vida dos 46 para os 76 anos, sedimentando definitivamente a importância social dos hospitais. Em 1905, van Zutphen, dirigente do sindicato dos trabalhadores do diamante de Amsterdã, sensibilizado com o problema da silicose e da tuberculose que afetava os trabalhadores, criou um fundo de apoio aos doentes. Em 1919 com o aumento dessa arrecadação foi comprada uma propriedade em Hilversum para a construção de um sanatório destinado ao tratamento dos operários tuberculosos, conforme o Plano do Dr. Philip de Edimburgo. O clínico geral Ben Sajet, foi escolhido como diretor clínico do sanatório e Johannes Duiker e Bernard Bijvoet como arquitetos consultores. O complexo construído adotou o nome da fundação, Zonnestraal (Raio de Sol). Os primeiros estudos do sanatório ficaram prontos no final de 1925 e registraram a articulação das fases de tratamento desde a internação à reabilitação hospitalar, em um projeto que distribuía por vários edifícios as diversas atividades. O projeto de Zonnestraal revela uma longa batalha contra os custos. Duiker estava sempre economizando, tanto em espaço quanto em material. Ao lapidar seu projeto, sempre que possível Duiker ficou apenas com o essencial. Para ele, a forma de arte era em grande parte um resultado da forma de trabalho. A fachada não é algo que se acrescenta, mas sim que compartilha o mesmo status das outras paredes e da cobertura. A fachada é "uma vestimenta saudável", uma pele fina e transparente. A esbeltes e o refinamento são ditados pelas possibilidades estruturais e as tecnologias. Duiker, que também era músico, ao realizar Zonnestraal, tentou algo incomum na arquitetura, a reescrita de uma partitura para outros instrumentos, conseguindo edificar, de forma temporã, uma das obras primas da arquitetura moderna.
Abstract: [en] The burning of the Hotel-Dieu (Paris/1772) caused a massive popular commotion, demanding the construction of a hospital in accordance with the spirit of the era depicted. Coexisted at the time two types of institutions: one welfare, according to the concepts of the High Middle Ages, that was used to shelter miserable people, and other organized according to the concepts of the Late Middle Ages, providing health care and longing for healing. In the High Middle Ages, Christianity introduced a different assessment between patient and disease, the charity was the supreme virtue and thus science was subjected to faith. In the Late Middle Ages, there was a resumption of medical institutions. In 1540, the Order of the Hospitaller Brothers of St. John of God started a new chapter in the history of hospitals, when considering central duty the clinical care to patients, training in nursing and surgery, reassuming and enhancing principles of Byzantine medicine. The foundation of the Charité in Berlin (1727) represented a major evolution that led to the concept of General Hospital. The Hospital of Bamberg (1787/89) marked the beginning of the development of specialized designs for hospital buildings. In the second half of the nineteenth century, definitely it was adopted, as a model, the solution of different buildings hospitals that showed benefits in the infectious diseases and tuberculosis sanatoriums. The advancement of clinical medicine between 1880 and 1890 increased the average life expectancy of 46 to 76 years, finally solidifying the social importance of hospitals. In 1905, van Zutphen, head of the workers union diamond of Amsterdam, sensitized with the problem of silicosis and tuberculosis that affected workers, created a fund to support patients. In 1919, with the increased collection, was purchased a property in Hilversum, to build a sanatorium destined to the workers for the treatment of tuberculosis, as Dr. Philip plane of Edinburgh. The general practitioner Sajet Ben was chosen as clinical director of the sanatorium, and as architects Duiker and Bijvoet. The complex built adopted the foundation's name: Zonnestraal (Sunbeam). The earlier studies of the sanatorium were completed in late 1925 and recorded the timing of the treatment, from admission to the rehabilitation, in a project that distributed over several buildings the various activities. The Zonnestraal's project reveals a long battle against the costs. Duiker was always saving both in space and in materials. To hone your project whenever possible Duiker was left with only the essentials. For him, the art form was largely a result of the way of working. The facade is not something added, but it shares the same status as the other walls and roof. The facade is "a healthy garment", a thin and transparent skin. The slenderness and refinement are dictated by structural possibilities and technologies. Duiker, who was a great musician, while designing Zonnestraal tried something unusual in architecture, the rewriting of a piece of music for other instruments, getting to build, in such a temple way, one of the masterpieces of modern architecture.
Titulação: Mestre em Arquitetura e Urbanismo
Orientador (a): Profª. Eneida de Almeida
Assuntos: [pt] Arquitetura moderna
[pt] Hospitais ‐Arquitetura
Arquivo(s): Abrir documento (PDF)
   

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