Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Resumo

Autor: Juliana Oliva
Título(s): [pt] Identidade e reciprocidade em o segundo sexo de Simone de Beauvoir
Resumo: [pt] O objetivo deste trabalho é esclarecer em que consiste ser mulher enquanto “o segundo sexo” definido e construído em sociedade, e, em particular, compreender o significado da reciprocidade na relação homem-mulher da perspectiva de Simone de Beauvoir em O Segundo Sexo (1949) e em Por uma moral da ambiguidade (1947). Para tanto foram consideradas inicialmente as noções básicas dessa perspectiva que Beauvoir nomeou como a de uma “moral existencialista”: “existência”, “essência”, “transcendência”, “projeto”, “liberdade”, “desvelamento”, “situação”, “má-fé”, “inautenticidade”, “ser”, “tornar-se”, “opressão”, “imanência” e “corpo”. Procuramos compreender em que sentido ela afirma a necessidade do existente, contingentemente livre, definir a si mesmo e criar os seus próprios valores, em meio a categorias historicamente construídas de masculino e feminino que determinam o indivíduo em sociedade enquanto “homem” ou enquanto “mulher” a partir de seu próprio corpo, aparentemente limitando sua liberdade. Acompanhamos como Beauvoir entende o processo do tornar-se mulher, a sua formação influenciada por mitos e por uma visão negativa do corpo, compreendendo a infância, a educação, a vestimenta, as brincadeiras, a puberdade, a iniciação sexual e o “desvio” ao destino feminino, feito, segundo ela, pela lésbica. Vimos como tal formação conduz a mulher a uma situação constituída historicamente em que ela encarna os mitos e ocupa o lugar de Outro, um objeto, em relação a um Sujeito absoluto, o homem. Procuramos examinar as possibilidades dessa mulher transcender tal situação, tanto por meio de reivindicações em grupo, que é o que Beauvoir considera ação efetiva para mudar a sociedade, quanto por meio de uma elaboração individual das experiências, na qual Beauvoir também identifica importantes e positivos aspectos, embora insuficientes, para que a mulher deixe a categoria do Outro. Para melhor compreender esse processo, trouxemos à nossa reflexão outras mulheres escritoras, Virginia Woolf e Anaïs Nin, considerando as suas perspectivas aparentemente mais voltadas à superação da situação pela singularidade feminina do que pela união em um coletivo de mulheres. O próprio fato de ambas terem se tornado escritoras em suas situações pareceu-nos, nos termos de Beauvoir, uma recusa ao destino imposto às mulheres. Por fim, consideramos especificamente a relação entre homem e mulher, interrogando-nos sobre a presença e a ausência da reciprocidade entre eles e sua importância. Acompanhamos as noções de reciprocidade entre grupos e entre indivíduos que Beauvoir considera, e o uso que ela faz da sempre lembrada passagem de Hegel conhecida como “dialética do senhor e do escravo” para pensar a relação homem-mulher. Examinamos as situações em que Beauvoir se detém, a do casamento e a da prostituição, com ênfase na relação erótica e suas ambiguidades de sujeito e objeto, consciência e carne, que, quando assumidas, estabelecem o que Beauvoir considera como possibilidade de reciprocidade na relação concreta homem-mulher e abertura de novas possibilidades de ser para a mulher.
Abstract: [en] The objective of this work is to clarify what, according to Simone de Beauvoir’s perspective in The Second Sex (1949) and in The Ethics of Ambiguity (1947), to be a woman as “the second sex” defined and constructed in society consists in, and, in particular, to understand the meaning of reciprocity in the man-woman relationship. For that, initially, the basic notions of the perspective that Beauvoir named as the one of an “existentialist moral” were considered: “existence”, “essence”, “transcendence”, “project”, “freedom”, “disclosure”, “situation”, “bad faith”, “inauthenticity”, “to be”, “to become”, “oppression”, “immanence” and “body”. We tried to understand in what sense she states the necessity of the existent, whose freedom is contingent, to define oneself and to create one’s own values, amid the historically constructed categories of masculine and feminine that determine the individual from one’s body as “man” or as “woman” in society, apparently limiting one’s freedom. We followed the way Beauvoir understands the process of becoming a woman, the woman’s formation influenced by myths and by a negative view of the body, understanding the childhood, the education, the clothes, the plays, the puberty, the sexual initiation and the “deviation” from the feminine destiny, taken by, according to Beauvoir, the lesbian. We saw how that formation leads the woman to a historically constituted situation in which she embodies the myths and holds the place of Other, an object, in relation to an absolute Subject, the man. We tried to examine the possibilities of this woman to transcend that situation, as much through group demands, which is what Beauvoir considers actual action to change society, as through an individual elaboration of personal experiences, in which Beauvoir also identifies important and positive aspects, although insufficient, for the woman to leave the Other category. To reach a better understanding of this process, we brought to our reflection the perspective of two other women writers, Virginia Woolf and Anaïs Nin, considering that their perspectives apparently highlight feminine singularity over collective women’s union as a way to overcome this situation. The fact itself that both became writers in their situations seemed to us, on Beauvoir terms, a refusal to the imposed destiny on women. At last, we considered specifically the relationship between man and woman, questioning ourselves about the presence and the absence of reciprocity between them and its importance. We followed the notions of reciprocity between groups and between individuals that Beauvoir considers, and her use of Hegel’s notorious passage known as “master-slave dialectic” to think the man-woman relationship out. We examined the situations in which Beauvoir attach importance, as the ones of marriage and prostitution, emphasizing the erotic relationship and its subject and object, conscience and flesh ambiguities, which, when taken on, establish what Beauvoir considers as a possibility for reciprocity in the concrete manwoman relationship and the opening of new possibilities of being to a woman.
Titulação: Mestra em Filosofia
Orientador (a): Profª. Hélio Salles Gentil
Assuntos: [pt] Feminismo
[pt] Identidade
Arquivo(s): Abrir documento (PDF)
   

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