Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Resumo

Autor: Viviane Ferri Ross Perucha
Título(s): [pt] Relação entre consumo dietético, concentrações séricas de vitaminas B6, B12 e folato e homocisteína e alterações cognitivas e neurológicas em idosos atendidos por programas de extensão universitária
Resumo: [pt] Distúrbios nutricionais como desnutrição e deficiência de micronutrientes constituem problemas comuns entre idosos. Deficiência de vitamina B12 relacionada à idade é considerada um problema de saúde pública mundial, cuja prevalência varia entre 5-25% da população com mais de 60 anos. As alterações clínicas da deficiência de B12 são polimórficas, podendo apresentar manifestações hematológicas, associadas ou não a sintomas neurológicos, ou ser assintomática. A vitamina B12 é essencial às reações do metabolismo de um carbono, também interdependente de folato, colina e vitamina B6. Alterações nesta via bioquímica podem ocasionar o aumento da homocisteína (Hcy), diminuição das reações de metilação e comprometer funções do sistema nervoso. Estudos epidemiológicos têm associado o aumento do risco de declínio cognitivo em idosos com deficiência de B12 ao excesso de ácido fólico sintético utilizado na fortificação de alimentos. Dessa forma, o diagnóstico precoce da deficiência de B12 em idosos, assim como o conhecimento dos níveis de ingestão dietética de folato, B6, B12, e sua relação com a homocisteinemia, são de grande importância para evitar danos neurológicos irreversíveis. Este trabalho teve por objetivo geral avaliar a relação entre consumo dietético e as concentrações séricas de vitaminas B12, B6, folato e Hcy entre idosos participantes de programas de extensão universitária e relacioná-las às alterações cognitivas e neurológicas avaliadas pelos testes do Mini-Mental, teste de equilíbrio de Berg, Romberg e de avaliação da sensação superficial. As avaliações dietéticas, bioquímicas e neurológicas foram também relacionadas a variáveis que permitiram analisar o estado de saúde geral (hemograma, glicemia e ferro sérico) e ao estado nutricional. Entre os resultados observou-se que a ingestão média dos nutrientes avaliados (dieta com suplemento) atendeu as atuais recomendações para a idade, sendo que 5% dos idosos apresentaram deficiência de B12 sérica (<258pmol/L) e 27,5% (<400pmol/L) estavam sujeitos à deficiência funcional. Apesar da fortificação, a frequência de possível deficiência de folato sérico (<13,6nmol/L) se fez presente em 15% dos idosos, enquanto 7,5% apresentaram níveis suprafisiológicos. A deficiência de B6 foi de apenas 2,5% no grupo. A frequência de hiper-homocisteinemia foi de 87,5% e 65% para os pontos de corte de ≥12μmol/L e ≥15 μmol/L, respectivamente. Quanto aos testes neurocognitivos, 47,5% apresentaram déficit cognitivo pela classificação do Mini-Mental ajustado pelo nível de escolaridade. No teste de sensibilidade a pontuação média foi de 9,5 pontos (DP 7,2); no teste de Equilíbrio de Berg 100% obteve pontuação acima do ponto de corte para risco de quedas; e no teste de Romberg 100% dos resultados foram positivos. A alta ingestão de B12 apresentou tendencia relacionada ao pior desempenho cognitivo (p=0,056) e também ao aumento do colesterol, proteína e cálcio da dieta (p<0,05). Idosos com déficit cognitivo pelo Mini-Mental apresentaram níveis séricos de B12 menores que idosos classificados como normais, porém a diferença não foi estatisticamente significante (p>0,05). Em relação ao consumo e níveis séricos de folato, não se observou relação com o teste do Mini-Mental. Entretanto, observou-se que o consumo de ácido fólico sintético foi maior entre os idosos classificados com déficit no Mini-Mental, apesar da diferença não ter sido estatisticamente significante (p>0,05). E ainda, que o consumo de ácido fólico foi inversamente relacionado com os níveis séricos de B12, indicando uma interação desfavorável e estatisticamente significante, decorrente da fortificação das farinhas (p<0,05). Não se observou macrocitose na população, o que sugere que a fortificação pode estar mascarando sinais hematológicos da deficiência de B12. Maiores níveis de folato sérico e maior consumo do ácido fólico sintético e ferro foram relacionados ao melhor desempenho no teste de sensibilidade (p<0,05). A Hcy não se correlacionou com variáveis neurocognitivas. O folato sérico foi o único nutriente avaliado que apresentou correlação negativa com a Hcy (p<0,05). Tanto a Hcy quanto o folato dietético (com suplemento) apresentaram correlação positiva com a idade dos idosos (p<0,05). Níveis séricos de B12 <400 pmol/L foram associados a maior frequência de alterações da cavidade oral, assim como a obesidade foi associada com níveis elevados de Hcy (≥12μmol/L) (p<0,05). Entre as variáveis antropométricas, somente o consumo de B6 (com suplemento) mostrou correlação inversa com a circunferência da cintura e massa magra (p<0,05). Níveis glicêmicos elevados, presente em 50% dos idosos, correlacionaram-se com o déficit cognitivo e com a piora da função sensorial (p<0,05), possivelmente induzindo à deficiência funcional de B12 e ocultando os efeitos da interação entre B12 e ácido fólico. Diante desses resultados conclui-se que a fortificação com ácido fólico pode influenciar negativamente o metabolismo da vitamina B12 em idosos, induzindo danos cognitivos, que não foram relacionados com a avaliação dos níveis de B12 sérica e Hcy. A análise conjunta com outros marcadores, como o ácido metilmalônico e o ácido fólico não metabolizado, poderia auxiliar na confirmação destes resultados.
Abstract: [en] Nutritional problems, such as malnutrition and micronutrient deficiencies, are common problems among the elderly. The vitamin B12 deficiency related to age is considered a public health problem worldwide, which is estimated to affect between 5-25% of the population over 60 years old. Clinical abnormalities of B12 deficiency are polymorphic, ranging from no symptoms to haematological disorders associated or not with neurological symptoms. Vitamin B12 is essential for reactions related to one-carbone metabolism, also interdependent of folate, choline and vitamin B6. Changes in this biochemical pathway can cause increased homocysteine (Hcy), reduce methylation reactions and compromise functions related to the nervous system. Epidemiological studies have associated increased risk of cognitive decline in elderly patients with B12 deficiency to excess of synthetic folic acid used in food fortification. Thus, early diagnosis of B12 deficiency in the elderly, as well as knowledge of the levels of dietary intake of folate, B6, B12, and its relationship with hyperhomocysteinemia, are very important to avoid irreversible neurological damage. This study aimed at evaluating the association between dietary intake and serum concentrations of vitamins B6, B12, folate and homocysteine in the elderly participants from university extension programs and relate them to cognitive and neurological tests assessed by the Mini-Mental, Berg balance scale, Romberg and peripheral sensibility. The dietary, biochemical and neurocognitive evaluations were also related to other variables in order to analyze the general health status (blood count, blood glucose, serum iron) and to nutritional status. Among the results it was observed that the average intake of nutrients assessed (from diet more supplement) achieved the current recommendations for that age, and that 5% of the elderly had serum B12 deficiency (<258pmol/L) and 27.5% (<400pmol/L) were subject to functional deficiency. Despite fortification, the frequency of possible deficiency of serum folate (<13.6 nmol/L) was present in 15% of the elderly, while 7.5% had supraphysiological levels. Vitamin B6 deficiency was only 2.5% in the group. The frequency of hyperhomocysteinemia was 87.5% and 65% for the cutoff of ≥12μmol/L and ≥15 mmol/L, respectively. As for neurocognitive tests, 47.5% had low cognitive classification of the Mini-Mental adjusted for educational level. In the sensitivity test average score was 9.5 points (SD 7.2); in the Berg balance test 100% achieved score above the cutoff point for risk of falls, and the Romberg test showed 100% positive results. The high consumption of B12 showed a trend relationship to poorer cognitive performance (p=0,056) and also was correlated to the high content of cholesterol, protein and calcium from the diet (p<0,05). Elderly with cognitive impairment by Mini-Mental had less serum B12 than subjects classified as normal (p≥0,05). The consumption and serum folate level were 11 not associated with the Mini-Mental test. However, it was observed that the consumption of synthetic folic acid was higher among subjects classified with the Mini-Mental deficit, although the difference was not statistically significant (p≥0,05). And yet, that consumption of folic acid was inversely related to serum B12, indicating a negative and statistically significant interaction, resulting from flour fortification (p<0,05). Macrocytosis was not observed in the population, suggesting that fortification may be masking haematological signs of B12 deficiency. Higher levels of serum folate and higher consumption of synthetic folic acid and iron were related to better performance on the sensibility test (p<0,05). Hcy did not correlate with neurocognitive variables. The serum folate was the only nutrient evaluated that was negatively correlated with Hcy (p<0,05). Both Hcy and dietary folate (with supplement) showed a positive correlation with the age of the elderly (p<0,05). B12 serum levels of <400 pmol/L were associated with a higher frequency of damage in the oral cavity as well as obesity was associated with elevated levels of Hcy (≥12μmol/L) (p<0.05). Among the anthropometric variables, only the consumption of B6 (with supplement) showed an inverse correlation with waist circumference and lean mass (p<0,05). High glucose levels, present in 50% of the elderly, correlated with cognitive impairment and worsening of sensory function (p<0.05), possibly leading to functional impairment of B12 and hiding the interaction effect of B12 and folic acid. From these results it was concluded that folic acid fortification may negatively influence the metabolism of vitamin B12 in the elderly population, inducing cognitive impairments, which were not related to the assessment of levels of serum B12 and Hcy. The joint analysis with other markers such as, methylmalonic acid and circulating folic acid unmetabolized, could help confirm these results.
Titulação: Mestre em Ciências do Envelhecimento
Orientador (a): Profª. Rita de Cássia de Aquino
Assuntos: [pt] Ácido fólico sintético
[pt] Cianobalamina
[pt] Cognição
[pt] Consumo dietético
[pt] Folato
[pt] Homocisteína
[pt] Idoso
[pt] Piridoxina
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