Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Resumo

Autor: Catarina de Andrade Barboza
Título(s): [pt] Efeitos do treinamento físico na função ventricular e autonômica de ratos infartados: impacto do destreinamento
Resumo: [pt] Os diferentes graus de alterações na função ventricular, nos mecanismos moleculares e hemodinâmicos, bem como os desarranjos neuro-humorais estão, por vezes, associados às altas taxas de mortalidade em pacientes após o infarto do miocárdio (IM). Os benefícios cardiovasculares e autonômicos já bem descritos do exercício físico têm levado os investigadores a sugerirem o treinamento físico (TF) como uma conduta não farmacológica importante no tratamento da doença arterial coronariana e do IM. No entanto, os efeitos da cessação do TF na função ventricular e morfometria cardíaca e na modulação autonômica após o IM permanecem pouco estudados. Nesse sentido, objetivo do presente estudo foi avaliar o impacto de 1 mês de destreinamento (DT) na função e morfometria cardíacas, na modulação autonômica e sensibilidade barorreflexa, bem como na mortalidade de ratos infartados submetidos a 3 meses de TF aeróbico. Para isso ratos Wistar machos foram divididos em: controle (C), infartado (IS), infartado treinado (IT), infartado sedentário +1 mês (IS-1) e infartado destreinado (ID-1). Após 1 semana de IM, os grupos IT e ID-1 foram submetidos a 3 meses de TF aeróbico (60min/dia, 55-75% do VO2máx). Após o TF, o grupo ID-1 permaneceu por mais 1 mês em DT. Ao final do protocolo de TF e/ou DT, os grupos foram submetidos às avaliações ecocardiográficas e ao registro direto de pressão arterial. A área de IM, semelhante entre os grupos na avaliação inicial (~41±2%), foi reduzida pelo TF e mantida após o DT (IS: 42±4; IT: 30±1; IS-1 43±3 e ID-1: 30±1%). O VO2máx, reduzido nos grupos IM, aumentou no grupo IT em relação ao C, IS, e ID-1. Apesar da redução, o grupo ID-1 permaneceu com o VO2máx mais elevado que o grupo IS-1. A fração de ejeção estava reduzida nos grupos experimentais, ao final do estudo, o TF melhorou esse parâmetro no grupo IT, permanecendo semelhante após o DT (C:71±1%, IS: 41±1%, IT: 60±2,1%, IS-1: 37±3% e ID-1: 61±2%). No entanto, A relação E/A, que estava aumentada após o IM, foi normalizada pelo TF e permaneceu assim após o DT. O TF também normalizou a função barorreflexa (avaliada pelas respostas taquicárdica e bradicárdica), benefício este que permaneceu após o período de DT. A variância do intervalo de pulso (IP), bem como as bandas de baixa e alta frequência do IP, que estavam prejudicadas no grupo IS (58,5±10,1; 1,5±0,3 e 6,6±0,7 ms2) e IS-1 (61,2±6,2; 1,2±0,4 e 6,0±0,8 ms2) em relação ao C (100,7±13,1; 3,9±0,5 e 13,9±0,9 ms2), foram normalizadas pelo TF (IT: 128,5±21; 4,5±1,2 e 10,6±1,2 ms2). Vale ressaltar que esses benefícios foram mantidos após o período de DT (ID-1: 127,1±5,2; 4,4±0,6 e 10,9±0,9 ms2). Os dados do presente estudo sugerem que o TF foi capaz de reduzir a área de infarto, melhorar a morfometria e função ventricular, bem como induzir alterações positivas na função autonômica de ratos infartados. Além disso, um mês de destreino não foi suficiente para reverter os ajustes advindos do treinamento. Em conjunto, esses achados sugerem que o treinamento físico não é apenas uma ferramenta eficaz no manejo das alterações cardiovasculares, hemodinâmicas e autonômicas provenientes do infarto do miocárdio, mas também na permanência dos benefícios pelo período de um mês, elevando a taxa de sobrevida desses animais mesmo após a interrupção completa do treinamento físico aeróbio.
Abstract: [en] The different degrees of impairments on left ventricular function, molecular mechanisms, hemodynamic, as well as the neurohumoral derangements are associated with increased mortality rate after myocardial infarction (MI). Cardiovascular and autonomic benefits of physical activity has led the researchers to suggest the exercise training (ET) as a non-pharmacological tool in the management of coronary artery disease and MI. However, the effects of ET cessation on the left ventricular function and morphometry, as well as on autonomic modulation after MI remain unclear. Thus, the aim of this study was to evaluate the impact of 1 month of detraining (DT) on cardiac function and morphometry, autonomic modulation and baroreflex sensitivity, as well as on mortality rate of MI rats underwent 3 months of aerobic ET. Male Wistar rats were divided into: control (C), sedentary-MI (IS), trained-MI (IT), sedentary-MI +1 month (IS-1) and detrained-MI (ID-1). After 1 week of MI, IT and ID-1 groups were submitted to 3 months of aerobic ET (60min/day, 45-75% of VO2max). After ET, ID-1 group was submitted to 1 month of DT. At the end of the protocol, experimental groups were submitted to echocardiographic assessments and direct recording of arterial pressure. The MI area, which was similar at baseline (~41±2%) between the groups, was reduced by the ET and maintained after DT (IS: 42±4; IT: 30±1;IS-1: 43±1; and ID -1: 30±1%). The VO2max was increased in IT group as compared with C, IS and ID-1 groups. Despite de VO2máx reduction in the ID-1 group, the values remained increased in relation to IS-1. After MI, IS (41±1%), IT (60±2%), IS-1 (37±3%) and ID-1 (61±2%) groups presented a reduced ejection fraction as compared with the C (71±0.9%) group. However, this parameter was improved by ET and remained after DT. E/A ratio, which was increased after MI, was normalized by the ET and remained after DT. The ET also normalized the baroreflex function (assessed by tachycardic and bradycardic responses), and this benefit also remained after the DT period. The pulse interval (PI)variance, as well as low and high frequency bands of PI, which were impaired in the IS (58.5±10.1; 1.5±0.3 and 6.6±0.7 ms2) and IS-1 (61.2±6.2; 1.2±0.4 and 6.0±0.8 ms2) compared to C group (100.7±13; 3.9±0.5 and 13.9±0.9 ms2) were normalized by the ET (IT: 128.5±21; 4.5±1.2 and 10.6±1.2 ms2). It is important to highlight that these benefits were maintained after the DT period (ID-1: 127.1±5; 4.4±0.6 and 10.9±0.9 ms2). These data suggest that the ET was able to reduce the MI area, improving ventricular function and morphology, as well as induce positive changes in the autonomic function of infracted rats. Moreover, one month of detraining was not able to reverse these positive adjustments from the ET. In addition, these findings suggest that ET is not only an effective tool in the management of cardiovascular, autonomic and hemodynamic dysfunctions of myocardial infarction, but these benefits remain at least one month after detraining, increasing the survival rate of these animals even after complete discontinuation of physical activity.
Titulação: Mestre em Educação Física
Orientador (a): Bruno Rodrigues
Assuntos: [pt] Destreinamento
[pt] Infarto do Miocárdio
[pt] Treinamento Físico
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