Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Resumo

Autor: Alexandre Correia Rocha
Título(s): [pt] Ajustes cardiovasculares e autonômicos ao exercício resistido em filhos de hipertensos treinados: influência do número de séries e da massa muscular
Resumo: [pt] Uma alternativa para o controle e a prevenção da hipertensão arterial sistêmica (HAS) é a prática regular do exercício físico. Estudos recomendam o exercício resistido (ER), principalmente em associação ao aeróbio, na prevenção desta doença, o que poderia ser uma alternativa inclusive para aqueles que têm pressão arterial (PA) dentro da faixa de normalidade, no entanto, apresentam predisposição genética para o desenvolvimento da HAS. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a influência do número de séries e da massa muscular em sessões de ER nas alterações cardiovasculares durante e após o ER em indivíduos normotensos fisicamente ativos com histórico familiar positivo (FH) ou negativo (FN) de HAS. A amostra foi composta por 12 FH e 10 FN 10, com idade média de 26,77 ± 6,26 anos e com no mínimo seis meses de prática de musculação. Os voluntários foram submetidos a 4 rotinas de ER a 10 RM: Rotina 1: 2 séries com predominância de exercícios uniarticulares; Rotina 2: 2 séries com predominância de exercícios multiarticulares; Rotina 3: idem a 1 com 3 séries e Rotina 4: idem a 2 com 3 séries. As alterações hemodinâmicas e autonômicas antes, durante e após o ER foram realizadas através de um frequencímetro de marca polar (S810) e da medida da PA pelo método auscultatório. A variabilidade da frequência cardíaca (FC) foi analisada no domínio do tempo e da frequência pela transformada rápida de Fourrier no repouso e no período pós ER. Não houve diferença na PA e na frequência cardíaca (FC) entre os grupos em repouso, mas o grupo FH apresentou maior balanço simpato vagal cardíaco (BF/AF) (2,89 ± 0,15) quando comparados com o grupo FN (2,38 ± 0,07). Não houve diferenças entre os grupos nas respostas de PAS, PAD e FC medida entre as séries de ER. No entanto, os FH apresentaram uma média de duplo produto (PAS x FC) maior na R4 (11.075 mmHg X bpm) em relação a R1 (15.203 mmHg X bpm), o que não foi observado no grupo FN. O ER induziu hipotensão pós-exercício (HPE) em ambos os grupos, evidenciada por redução da PAS aos 90 minutos da recuperação nos FH (delta da PAS - R1: -7,20 ± 2,62; R2: -10,8 ± 1,50; R3: -7,20 ± 1,96 e R4: - 13,40 ± 2,07 mmHg) e nos FN (delta da PAS - R1: -7,75 ± 1,79; R2: -10,7 ± 1,19; R3: - 8,25 ± 3,01 e R4: -9,50 ± 2,50 mmHg). A redução do delta da PAS foi maior somente nos FH nas sessões de maior volume e/ou massa muscular (R2 e R4 vs. R1 e R3). Não houve redução da PAD após as rotinas utilizadas tanto em FH quanto em FN. Na recuperação, a FC foi maior em relação ao repouso até os 15 minutos na R1 e R3 e até os 30 minutos na R2 e R4 no grupo FN, mas permaneceu elevada até os 30 minutos em todas as rotinas no grupo FH. O ER induziu redução da modulação autonômica cardíaca no domínio do tempo, evidenciada por redução do desvio padrão do intervalo de pulso (IP) até os 15 minutos (R1, R2 e R3 para FN e R1 e R3 para FH) ou até 30 minutos pós ER (R4 para FN e R2 e R4 para FH), bem como aumento do BF/AF até os 15 minutos de recuperação para ambos os grupos. Aos 90 minutos do período de recuperação da R1 (2,12 ± 0,22) e da R3 (2,13 ± 0,28) observou-se redução do BF/AF somente no grupo FH em relação aos valores de repouso (R1: 2,79 ± 0,34 e R3: 3,03 ± 0,34) e obtidos na R2 (2,64 ± 0,32) e R4 (2,87 ± 0,28) no mesmo tempo. Concluindo, os resultados evidenciam que FH fisicamente ativos, mesmo em presença de normotensão, apresentaram aumento da modulação simpática cardíaca em repouso, bem como maior duplo produto durante o ER e resposta cronotrópica nos primeiros minutos de recuperação do ER em relação aos FN. Entretanto, O ER foi capaz de induzir HPE (ΔPAS) a partir de 60 minutos nos FH praticantes de musculação, sendo essa resposta acompanhada de normalização do balanço simpatovagal cardíaco (90 min da recuperação) nas rotinas envolvendo exercícios uniarticulares. Adicionalmente, FH foram mais responsivos ao ER, já que somente esse grupo apresentou redução da PAS após 60 minutos da rotina de ER de menor carga total (2 séries de exercícios uniarticulares) e potencialização da resposta hipotensora nas rotinas de ER envolvendo exercícios multiarticulares (2 ou 3 séries). Em conjunto, esses resultados sugerem que indivíduos geneticamente predispostos a HAS podem obter benefícios da prática regular de musculação, principalmente relacionada à HPE e normalização do exacerbada modulação simpática cardíaca em sessões de ER envolvendo exercícios com predominância de grupos musculares menores.
Abstract: [en] Regular physical exercise has been indicating as an alternative for hypertension (HBP) control and prevention. Studies recommend resistance exercise (RE), especially in combination with aerobic exercise, in the prevention of this disease, which could be an alternative even for those who have blood pressure (BP) in the normal range, however, have a genetic predisposition to HBP development. Therefore, the aim of this study was to evaluate the influence of the number of sets and the muscle mass in RE session on cardiovascular changes during and after the RE in positive family history (FH) or negative (FN) of HBP normotensive physically active subjects. The sample was 12 FH and 10 FN, with a mean age of 26.77 ± 6.26 years and at least six months of RE practice. The volunteers performed 4 routines of 10 RM.: Routine 1: 2 sets with predominance of single joint exercises; Routine 2: 2 sets with predominance of multi-joint exercises; Routine 3: same as the 1 with 3 sets; and routine 4: the same as the 2 with 3 sets. The hemodynamic and autonomic changes before, during and after the RE were evaluated measuring pulse interval (IP) by Polar S810 and BP by auscultatory method. The heart rate variability (HRV) was analyzed in the time and frequency domain by fast Fourier transform at rest and in the post RE. There was no difference in BP and heart rate (HR) between groups at rest, but the FH group showed higher cardiac sympatovagal balance (LF/HF) (2.89 ± 0.15) compared with the FN group (2 , 38 ± 0.07). There were no differences between groups in the responses of SBP, DBP and HR measured between the RE sets. However, FH group had increased the rate pressure product (SBP x HR) in R4 (11.075 mmHg X bpm) in relation to R1 (15.203 mmHg X bpm), which was not observed in the FN. The RE induced post-exercise hypotension (PEH) in both groups, as evidenced by reductions in SBP at 90 minutes of the recovery in FH (delta SBP - R1: -7.20 ± 2.62, R2: -10.8 ± 1.50, R3, R4 and -7.20 ± 1.96: - 13.40 ± 2.07 mmHg) and FN (delta SBP - R1: -7.75 ± 1.79, R2: -10, 7 ± 1.19; R3: - 8.25 ± 3.01 and R4: -9.50 ± 2.50 mmHg). The delta SBP reduction was increased only in FH after sessions involving larger volume and/or muscle mass (R2 and R4 vs. R1 and R3). There was no reduction of DBP after the RE routines in both FH and FN. During recovery, HR was higher in relation to the resting values until the 15 minutes in R1 and R3 and up to 30 minutes in R2 and R4 in the FN group, but remained high until 30 minutes in all routines in the FH group. The RE induced reduction of cardiac autonomic modulation in the time domain, as evidenced by reduction of the mean standard deviation of the pulse interval (IP) up to 15 minutes (R1, R2 and R3 to FN and R1 and R3 for FH) or 30 minutes after RE (R4 for FN, R2 and R4 for FH), and increase in LF/HF up to 15 minutes of recovery for both groups. Only in FH group, a reduction in LF/HF was observed at 90 minutes of the recovery period of R1 (2.12 ± 0.22) and R3 (2.13 ± 0.28) compared to resting values (R1: 2.79 ± 0.34 and R3: 3.03 ± 0.34) and to the values obtained in R2 (2.64 ± 0.32) and R4 (2.87 ± 0.28) at the same time. In conclusion, the results suggest that physically active hypertensive offspring, even in presence of normotension, showed increased cardiac sympathetic modulation at rest, as well as higher rate pressure product during RE and chronotropic response and in the short term RE recovery compared to FN. However, RE was able to induce PEH (ΔSAP) from 90 minutes in active FH. This response was accompanied by cardiac sympathovagal balance normalization after RE routines involving single joint exercises. Additionally, FH group was more responsive to RE, since only this group showed SAP reduction after 60 minutes of RE routine with lower total load (2 sets of single joint exercises) and potentiate the hypotensive response in the ER routines involving multi joint exercises (2 or 3 sets). Together, these results suggest that genetically predisposed to hypertension subjects may benefit from regular resistance exercises, especially related to PEH and normalization of exacerbated cardiac sympathetic modulation after RE sessions involving exercises with small muscle groups predominance.
Titulação: Mestre em Educação Física
Orientador (a): Bruno Rodrigues
Assuntos: [pt] Exercício resistido
[pt] Filhos de hipertensos
[pt] Hipotensão pós exercício
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