Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Resumo

Autor: Nathalia Bernardes
Título(s): [pt] Efeitos do treinamento físico associado ao tratamento com Sinvastatina no controle autonômico cardiovascular após a privação dos hormônios ovarianos
Resumo: [pt] O objetivo do presente estudo foi investigar os efeitos do treinamento físico e/ou do tratamento com sinvastatina no controle autonômico cardiovascular e em parâmetros metabólicos após a privação dos hormônios ovarianos. Foram utilizadas 36 fêmeas Wistar (200 a 230) divididas em 4 grupos: ooforectomizadas sedentárias (OS, n=8), ooforectomizadas treinadas (OT, n=10), ooforectomizadas sedentárias tratadas com sinvastatina (OSS, n=8) e ooforectomizadas treinadas e tratadas com sinvastatina (OTS, n=10). A ooforectomia foi realizada através remoção bilateral dos ovários. A sinvastatina foi administrada por gavagem (1mg/kg/d, 7dias, 8 semanas). Os grupos treinados foram submetidos a um programa de treinamento físico em esteira ergométrica (1 hora/dia, 5 dias/semana, 8 semanas). A concentração sanguínea de glicose e de triglicerídeos e o teste de resistência à insulina foram utilizados para avaliar o perfil metabólico. Ao final do protocolo, foi realizado o registro direto de pressão arterial (PA), a avaliação da sensibilidade barorreflexa, através das respostas de taquicardia (RT) e bradicardia (RB) reflexas a alterações de PA induzidas pela injeção de doses crescentes de nitroprussiato de sódio e fenilefrina, e a avaliação dos tônus vagal (TV) e simpático (TS), através (i.v.) do bloqueio vagal (atropina, 3mg/Kg) e simpático (propranolol, 4mg/Kg). Além disso, avaliou-se a modulação autonômica cardiovascular nos domínios do tempo e da frequência (análise espectral, FFT). Não houve diferença significante no peso corporal entre os grupos ao longo do protocolo. Os grupos OSS (5,14±0,5 g), OT (5,66±0,9 g) e OTS (4,85±0,2 g) apresentaram redução no peso do tecido adiposo branco abdominal, quando comparados ao grupo OS (8,17±0,9 g). O peso do músculo sóleos e dos ventrículos foi maior nos grupos treinados (OT e OTS) em relação aos grupos sedentários (OS e OSS), enquanto que o peso do fígado foi menor no grupo OSS em comparação aos demais grupos avaliados. Os valores de glicemia, dentro da faixa de normalidade, foram menores no grupo OTS quando comparado ao grupos OS ao final do protocolo. Os valores de triglicerídeos sanguíneos não foram diferentes ao longo do protocolo. Ambas abordagens terapêuticas, associadas ou não (grupos OSS: 5,4±0,3; OT: 5,8±0,3; e OTS: 5,1±0,4 mg/dl/%) apresentaram aumento do KITT (constante de decaimento da glicose) no teste de tolerância à insulina quando comparado ao grupo somente ooforectomizado OS (4,1±0,5 mg/dl/%). No teste de esforço final observou-se aumento da capacidade física somente no grupo OT (2,3±0,09 km/h) quando comparado aos grupos OS (1,8±0,09 km/h), OSS (1,6±0,1 km/h), OTS (1,8±0,1 km/h). A PA foi semelhante entre os 4 grupos estudados ao final do protocolo. As duas abordagens, farmacológica e não farmacológica, induziram bradicardia de repouso (OSS: 343±6, OT: 339±5 e OTS: 340±5 bpm) quando comparadas ao grupo somente ooforectomizado (OS: 361±6 bpm). A RB e a RT foram maiores nos grupos OSS (-1,86±0,1 e 3,30±0,2 bpm/mmHg), OT (-1,86±0,1 e 3,35±0,3 bpm/mmHg) e OTS (-18±0,1 e 3,15±0,2 bpm/mmHg) em relação as do grupo OS (-1,27±0,1 e 2,42±0,1 bpm/mmHg). Os grupos treinados (OT: 39±2 e OTS: 47±2 bpm) apresentaram maior TV quando comparados ao grupo OS (27±4 bpm), somado a isso, o grupo OTS adicionalmente apresentou TV em relação ao grupo OSS (32±2 bpm). O tratamento com sinvastatina ou o treinamento físico, associados (OTS: 63±9 bpm) ou não (OSS: 58±5 e OT: 60±6 bpm) induziram redução do TS quando comparados ao grupo sedentário ooforectomizado (OS: 81±5 bpm). A variância do intervalo de pulso foi maior nos grupos OSS (73,1±12 ms2), OT (71,1±5,9 ms2) e OTS (67,4±8,8 ms2) em relação ao grupo OS (39,3±4,2 ms2), no entanto, não foram observadas diferenças entre os grupos nas bandas de baixa e alta frequência do intervalo de pulso. A variância da banda de baixa frequência da PA sistólica estavam reduzidas nos grupos OSS (20,17±2,01 e 4,16±0,47 mmHg²), OT (23,23±5,77 e 5,83±0,60 mmHg²), OTS (18,79±1,73 e 5,45±0,51mmHg²), quando comparada ao grupo OS (41,04±6,51 e 9,09±0,87 mmHg²). A sensibilidade espontânea dos pressorreceptores, avaliada pelo índice alfa, foi maior nos grupos OSS (1,19±0,15 ms/mmHg), OT (1,02±0,11 ms/mmHg) e OTS (0,91±0,03 ms/mmHg) em comparação ao grupo OS (0,62±0,05 ms/mmHg). Concluindo, os resultados demonstram que as abordagens farmacológica, tratamento com sinvastatina, ou não farmacológica, treinamento físico, associadas ou não, induziram melhora no controle autonômico cardíaco e vascular independente da redução da PA e dos triglicerídeos sanguíneos. Além disto, evidenciou-se que associação do treinamento físico ao tratamento com sinvastatina, apesar de não proporcionar melhora na capacidade física, impediu a redução do peso do fígado (observado no grupo tratado com sinvastatina) e induziu aumento no peso muscular e ventricular e no tônus vagal cardíaco, além de diminuição da glicemia. Tais achados em conjunto sugerem que o tratamento crônico com sinvastatina possa induzir benefícios cardiovasculares e autonômicos que vão além da melhora no perfil lipídico, e que sua associação com uma vida fisicamente ativa possa trazer benefícios adicionais no manejo do risco cardiovascular em mulheres no climatério.
Abstract: [en] The aim of the present study was to investigate the effects of exercise training associated or not with simvastatin treatment on the cardiovascular autonomic control and on metabolic parameters after the ovarian hormones deprivation. Female Wistar ovariectomized rats (n=36) were divided into the following groups: sedentary (SO, n= 8), sedentary treated with simvastatin (SSO, n=8), trained (TO, n=10) and trained treated with simvastatin (STO, n=10). The ovariectomy was realized by the bilateral ovary removal. The simvastatin treatment was perfomed by gavage (1mg/kg; 7 days/week; 8 weeks). Trained groups were submitted to an exercise training protocol on a treadmill (1 hour/day; 5 days/week; 8 weeks). The blood glucose and triglycerides levels and the insulin tolerance test were performed to evaluate the metabolic profile. At the end of the protocol, the arterial pressure (AP) direct recording was performed. The baroreflex sensitivity was also evaluated, by the tachycardic (TR) and bradycardic (BR) reflex responses to AP alterations induced by increasing doses of sodium nitroprusside and phenylephrine, respectively; and the vagal (VT) and the sympathetic tonus (ST) were measured, through vagal (atropine, 3mg/Kg, iv) and sympathetic blockades (propranolol, 4mg/Kg, iv). Moreover, the cardiovascular autonomic modulation was evaluated in the time and the frequency (spectral analysis) domains. There was no significant difference in body weight between groups during the protocol. The SSO (5.14±0.5 g), TO (5.66±0.9 g) and STO groups (4.85±0.2 g) showed a reduction in abdominal adipose tissue weight when compared to the SO group (8.17±0.9 g). The soleus and ventricular muscles weight were increased in trained groups (TO e STO) in relation to sedentary groups (SO e SSO), while liver weight was reduced in SSO group as compared to other evaluated groups. The blood glucose, besides in normal range, was lower in STO rats in relation to SO rats at the end of the protocol. The values of blood triglycerides were not different between groups during the protocol. Both therapeutic approaches, associated or not (SSO: 5.4 ± 0.3; OT: 5.8 ± 0.3 and STO: 5.1 ± 0.4 mg/dl/%), showed increase in KITT (rate of glucose decrease) in the insulin tolerance test when compared to the group only ovariectomized (SO: 4.1 ± 0.5 mg/dl/%). In the final maximal exercise test it was observed an increase in physical capacity only in TO group (2.3±0.09 km/h) when compared to the SO (1.8 ± 0.09 km/h), SSO (1.6±0.1 km/h), STO groups (1.8±0.1 km/h). The AP was similar among the studied groups at the end of the protocol. Both approaches, pharmacologic or non-pharmacologic, induced resting bradycardia (SSO: 343±6, TO: 339±5 and STO: 340±5 bpm) when compared to the ovariectomized group (SO: 361±6 bpm). The BR and the TR were higher in SSO (-1.86±0.1 and 3.30±0.2 bpm/mmHg), TO (-1.86±0.1 and 3.35±0.3 bpm/mmHg) and STO groups (-1.8±0.1 e 3.15±0.2 bpm/mmHg), when compared to SO group (-1.27±0.1 and 2.42±0.1 bpm/mmHg). The trained groups (TO: 39±2 and STO: 47±2 bpm) showed increased VT when compared to SO group (27±4 bpm). In addition to this, the STO group showed higher VT in relation to SSO group (32±2 bpm). The simvastatin treatment or the exercise training, associated (STO: 63±9 bpm) or not (SSO: 58±5 and TO: 60±6 bpm) induced a reduction in ST when compared to the sedentary group (SO: 81±5 bpm). The pulse interval variance was increased in SSO (73.1±12 ms2), TO (71.1±5.9 ms2) and STO groups (67.4±8.8 ms2) as compared to SO group (39.3±4.2 ms2), however, no difference was observed between groups in pulse interval low and high frequency bands. The systolic AP total variance and low frequency band were reduced in SSO (20.17±2.01 and 4.16±0.47 mmHg²), TO (23.23±5.77 and 5.83±0.60 mmHg²), STO groups (18.79±1.73 and 5.45±0.51 mmHg²) when compared to SO group (41.04±6.51 and 9.09±0.87 mmHg²). The spontaneous baroreflex sensitivity, evaluated by alpha index, was increased in SSO (1.19±0.15 ms/mmHg), TO (1.02±0.11 ms/mmHg) and STO groups (0.91±0.03 ms/mmHg) in relation to SO group (0.62±0.05 ms/mmHg). In conclusion, the results demonstrated that the pharmacologic (simvastatin treatment) and the non pharmacologic (exercise training) approaches, associated or not, induced improvement on cardiac and vascular autonomic control independent of AP and blood triglycerides reductions. Moreover, it was showed that the exercise training and simvastatin treatment association, despite did not promote enhancement on physical exercise capacity, abolished the liver weight loss (observed in simvastatin treated group) and induced increase in muscular and ventricular weights and in vagal tonus, as well as reduction in glycemia. These data suggest that simvastatin chronic treatment can induce cardiovascular and autonomic benefits that are independents of lipid profile improvement, and that it association with an physically active life can promote additional benefits on cardiovascular risk management in women during the climaterium.
Titulação: Mestrado em Educação Física
Orientador (a): Kátia De Angelis
Assuntos: [pt] Menopausa
[pt] Treinamento Físico
[pt] Sinvastatina
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