Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Resumo

Autor: Marcelo Velloso Heeren
Título(s): [pt] Efeitos do treinamento físico em parâmetros hemodinâmicos e no estresse oxidativo em camundongos fêmeas ldl knockout submetidas à privação dos hormônios ovarianos.
Resumo: [pt] As doenças cardiovasculares representam as maiores causas de morbi-mortalidade em indivíduos de ambos os sexos. As mulheres após a menopausa freqüentemente apresentam alterações no perfil lipídico, que tem sido associado ao aumento do risco cardiovascular verificado nesse período. Por outro lado, o treinamento físico tem sido reconhecido como um tratamento não farmacológico para doenças metabólicas e cardiovasculares. O objetivo do presente estudo foi verificar os efeitos do treinamento físico sobre o controle autonômico cardiovascular e perfil oxidativo e nitrosativo de camundongos fêmeas controle (C57) e LDL Knockout submetidas à privação dos hormônios ovarianos. Foram utilizados camundongos fêmeas controle (C57) e Knockout para o receptor do colesterol LDL ooforectomizadas (retirada bilateral dos ovários) divididas em 4 grupos: controle ooforectomizado sedentário (COS, n=14), controle ooforectomizado treinado (COT, n=14), LDL Knockout sedentário (LOS, n=19) e LDL Knockout treinado (LOT, n=19). Uma semana após a retirada dos ovários os grupos treinados foram submetidos a um protocolo de treinamento físico aeróbio em esteira ergométrica, com intensidade moderada e duração progressiva (1h/dia; 5 dias/sem; 50-65% da velocidade máxima de corrida no teste de esforço) durante 4 semanas. As medidas dos parâmetros metabólicos de triglicerídeos e o colesterol total sanguíneo foram realizados após jejum de 4 horas no início e ao final do protocolo. O registro e o processamento dos sinais biológicos de pressão arterial (PA) e frequência cardíaca (FC) foram realizados nos animais acordados, através de um sistema de aquisição de dados (CODAS, 4KHz). A sensibilidade barorreflexa foi avaliada através das respostas taquicárdicas e bradicárdicas reflexas à diminuições ou aumentos da PA induzidos pela injeção de doses crescentes de nitroprussiato de sódio e fenilefrina, respectivamente. A modulação autonômica foi avaliada através da análise da variabilidade da frequência cardíaca e da pressão arterial sistólica nos domínios do tempo e da frequência (método da Transformada Rápida de Fourier, FFT). O perfil oxidativo foi verificado avaliando-se a lipoperoxidação, medido pela quimiluminescência (QL), e pelas medidas das atividades das enzimas antioxidantes superóxido dismutase (SOD) no tecido cardíaco. O perfil nitrosativo foi avaliado através da análise da concentração de nitrito e nitrato no tecido cardíaco. O peso corporal foi semelhante entre os 4 grupos estudados no início e ao final do protocolo. Os triglicerídeos sanguíneos foram semelhantes entre os grupos no início do protocolo, e ao final estavam aumentado nos grupos LDL Knockout em relação aos grupos controles e também em relação aos seus valores iniciais. A ooforectomia induziu aumento da concentração de colesterol total apenas nos grupos LDL Knockout e o treinamento físico reduziu o colesterol no grupo LOT (191 ± 22,3 mg/dL) em relação ao grupo LOS ( 250 ± 9,2 mg/dL). O protocolo de treinamento físico aplicado neste estudo foi eficaz, pois induziu aumento da capacidade física determinada pela maior velocidade atingida no teste de esforço pelos grupos treinados, e também se observou bradicardia de repouso nos grupos treinados (COT: 501 ± 18; LOT: 535 ± 14 bpm) quando comparados aos grupos sedentários (COS: 569 ± 16; LOS: 600 ± 14 bpm). Adicionalmente, os grupos treinados apresentaram valores reduzidos de PA média (COT: 106 ± 2,5; LOT: 101 ± 2,7 mmHg) em relação aos grupos sedentários (COS: 127 ± 4; LOS: 125 ± 2,8 mmHg). A sensibilidade barorreflexa se mostrou reduzida para a resposta taquicárdica nos grupos LDL Knockout em relação aos grupos controles. O treinamento físico induziu melhora na sensibilidade barorreflexa por aumentar a resposta bradicárdica nos grupos treinados (COT: -6,8 ± 1,4 e LOT: -4,24 ± 0,62 bpm/mmHg) em relação aos grupos sedentários (COS: -1,63 ± 0,04; LOS: -1,49 ± 0,15 bpm/mmHg), além de aumentar a resposta taquicárdica no grupo COT (3,97 ± 0,76 bpm/mmHg) em relação aos demais grupos (COS: 2,77 ± 0,28; LOS: 1,51 ± 0,17; LOT: 1,74 ± 0,22 bpm/mmHg). A variância do intervalo de pulso foi maior nos grupos COT (90 ± 25 ms2) e LOT (34 ± 7,93 ms2) em relação aos grupos sedentários (COS: 28 ± 14; LOS: 5 ± 1,45 ms2). A banda de baixa freqüência normalizada do intervalo de pulso (IP) estava reduzida no grupo LOS (7 ± 1,1 %) quando comparado aos outros grupos estudados (COS: 32 ± 10,7; LOS: 34,6 ± 4,25; LOT: 31,3 ± 3,2 %). Já a banda de alta frequência normalizada do IP estava maior no grupo LOT (52,6 ± 6,6 %) em relação aos grupos LOS (25,6 ± 5 %) e COS (29,9 ± 4 %) e se mostrou reduzida no grupo LOS em relação ao grupo COT (42,7 ± 4,2 %). Não houve diferença entre os grupos na variabilidade da pressão arterial sistólica. Foram obtidas correlações positivas entre o colesterol total e a pressão arterial média (r= 0,85) e a resposta bradicárdica (r= 0,9). Adicionalmente, obtivemos correlações negativas entre o colesterol total e a variância do IP (r= -0,7) e a banda de alta frequência (r= -0,75). O treinamento físico induziu melhora no perfil oxidativo evidenciado pela diminuição da QL nos grupos treinados (COT: 2198 ± 344; LOT: 2250 ± 524 cps/mg proteína) quando comparados aos sedentários (COS: 3411 ± 963; LOS: 3644 ± 531 cps/mg proteína) e por aumentar a atividade da enzima SOD (COT: 2,1 ± 0,1; LOT: 2,14 ± 0,11 U/mg proteína) em relação ao grupo COS (1,34 ± 0,2 U/mg proteína). O perfil nitrosativo demonstrou aumento da concentração de nitritos apenas no grupo LOT em relação aos demais grupos avaliados. Foram obtidas correlações positivas entre a atividade da enzima SOD e a concentração de nitrito (r=0,6) e a razão nitrito/nitrato (r=0,6). Concluindo, o treinamento físico induziu melhora no controle autonômico da circulação de camundongos LDL Knockout submetidas à privação dos hormônios ovarianos associado à redução do colesterol sanguíneo e também do estresse oxidativo. Dessa forma, nossos dados sugerem que o treinamento físico é uma importante abordagem não farmacológica na prevenção e/ou reabilitação de mulheres menopausadas com dislipidemia.
Abstract: [en] Cardiovascular diseases have shown as an important cause of morbi-mortality in individuals of both sexes. Post menopausal women frequently present alterations in the lipidic profile that can be associated to the increases in cardiovascular risk at this phase. On the other hand, exercise training has been recognized as a non pharmacological treatment for metabolic and cardiovascular diseases. The aim of the present study was to investigate the effects of exercise training on cardiovascular autonomic control and oxidative and nitrosative profile in ovariectomized control and LDL-Knockout mice. Ovariectomized (bilateral ovaries removal) control (C57) and LDL cholesterol receptor Knockout female mice were divided into 4 groups: sedentary ovariectomized control group (SOC, n=14), trained ovariectomized control group (TOC, n=14) sedentary ovariectomized LDL Knockout group (SOL, n=19) and trained ovariectomized LDL Knockout group (TOL, n=19). One week after the ovariectomy, the trained groups were submitted to an exercise training protocol on a treadmill for 4 weeks (1h/day; 5 days/week; 50-65% of maximum speed of running). Plasmatic triglycerides and cholesterol were measured after 4 hours of fast in the beginning and at the end of the protocol. The arterial pressure (AP) and heart rate (HR) were recorded and processed in conscious mice using a data acquisition system (CODAS, 4KHz). Baroreflex sensitivity was evaluated by tachycardic (TR) and bradycardic (BR) responses to AP changes induced by sodium nitroprusside and phenylephrine, respectively. The autonomic modulation was analyzed by the heart rate variability and the systolic arterial pressure variability in time and frequency domains (Fast Fourier Transformated (FFT) method). Oxidative profile was measured in cardiac tissue by chemiluminescence (CL) and superoxide dismutase (SOD) and catalase (CAT) activities. The nitrosative profile was evaluated by nitrite and nitrate concentrations in cardiac tissue. No differences were observed in body weigh in the beginning and at the end of the protocol between groups. The plasmatic triglycerides were similar between groups in the beginning of the study, and were increased in LDL Knockout groups as related to control groups and also as compared to initial values. Ovariectomy induced increase in the total cholesterol in both LDL groups, however the exercise training reduced this parameter in lot group (191 ± 22.3 mg/dL) in relation to SOL group (250 ± 9.2 mg/dL) at the end of the protocol. The trained groups demonstrated higher physical capacity determined by increased maximum velocity of running in the maximal test (TOC: 2.64 ± 0.04; TOL: 2.73 ± 0.14 Km/h) after training as compared to sedentary groups. The heart rate was reduced in trained groups (TOC: 501 ± 18; TOL: 535 ± 14 bpm) in relation to sedentary groups (SOC: 569 ± 16; SOL: 600 ± 14 bpm). Furthermore, reduced mean arterial pressure was observed in trained groups (TOC: 106 ± 2.5; TOL: 101 ± 2.7 mmHg) in relation to sedentary groups (SOC: 127 ± 4 and SOL: 125 ± 2.8 mmHg). The baroreflex sensitivity to tachycardic response was impaired in LDL Knockout group as compared to control groups. Exercise training induced an improvement in bradycardic reflex response in TOC (6.8 ± 1.4 bpm/mmHg) and TOL animals (4.24 ± 0.62 bpm/mmHg) in relation to SOC (1.63 ± 0.04 bpm/mmHg) and SOL animals (1.49 ± 0.15 bpm/mmHg). The tachycardic response were also higher in TOC group (3.97 ± 0.76 bpm/mmHg) when compared to other groups (SOC: 2.77 ± 0.28; SOL: 1.51 ± 0.17; TOL: 1.74 ± 0.22 bpm/mmHg). The R-R variance was increased in trained groups (TOC: 90 ± 25; TOL: 34 ± 8 ms2) in relation to sedentary groups (SOC: 28 ± 14; SOL: 6.6 ± 1.5 ms2). The high frequency band (HF) of pulse interval (IP) was higher in TOL (53 ± 7 ms2) as compared to SOL and SOC groups (26 ± 6 and 30 ± 7 ms2). The systolic arterial pressure variability was similar between studied groups. Significant positive correlations were obtained between total cholesterol and mean arterial pressure (r= 0.85) and bradycardic response (r= 0.9). Additionally a negative correlations were obtained between total cholesterol and variance of IP (r= - 0.7) and HB band of IP (r= -0.75). CL was reduced in trained groups (TOC: 2198 ± 344; TOL: 2250 ± 524 cps/mg protein) in relation to sedentary groups (SOC: 3411 ± 963; SOL: 3644 ± 531 cps/mg protein). SOD activity was increased in trained groups (TOC: 2.1 ± 0.1; TOL: 2.14 ± 0.11 U/mg protein) as compared to SOC group (1.34 ± 0.2 U/mg protein). The nitrosativo profile showed increase in nitrite concentration only in LOT group in relation to the other studied groups. Significant positive correlations were obtained between SOD activity and nitrite concentration (r= 0.61) and the relation nitrite/nitrate (r= 0.59) in cardiac tissue. In conclusion, trained LDL-knockout ovariectomized mice showed an exercise training-induced improvement in cardiovascular autonomic control associated with cholesterol and oxidative stress reductions, suggesting an important role of this non-pharmacological treatment in the rehabilitation of post-menopause women with dislipidemia.
Titulação: Mestrado em Educação Física.
Orientador (a): Dra. Kátia De Angelis
Assuntos: [pt] Menopausa
[pt] Treinamento físico
[pt] Doença cardiovascular
[pt] Estresse oxidativo
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