Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Resumo

Autor: Márcio Tubaldini Sousa
Título(s): [pt] Modulação autonômica cardiovascular em mulheres com síndrome metabólica sob tratamento farmacológico: respostas ao teste de estresse mental e ao exercício aeróbico agudo.
Resumo: [pt] O objetivo do presente estudo foi analisar a variabilidade da pressão arterial sistólica (VPAS) e a variabilidade da freqüência cardíaca (VFC), no domínio do tempo e da freqüência, em mulheres com síndrome metabólica (SM) sob tratamento farmacológico em repouso, em resposta a um teste de estresse mental e a uma sessão de exercício aeróbico agudo. Foram avaliadas 23 mulheres, divididas em grupo controle (C, n= 8) e grupo síndrome metabólica (SM, n= 15) com idade entre 35 e 75 anos. O grupo síndrome metabólica foi caracterizado utilizandose dos critérios do NCEP/ATPIII, e manteve-se sob tratamento farmacológico. O protocolo foi dividido em 5 etapas: 1- avaliação da composição corporal e dos parâmetros hematológicos e bioquímicos sanguíneos após um período mínimo de 08 horas em jejum; 2- Avaliação metabólica, hemodinâmica e autonômica em repouso e em resposta ao teste de estresse mental (TEM); 3- avaliação ergoespirométrica em esteira ergométrica com eletrocardiógrafo para avaliação do consumo máximo de oxigênio (VO2max) e determinação dos limiares ventilatórios; 4- avaliação das respostas metabólicas, hemodinâmicas e autonômicas a uma sessão de exercício aeróbico com graus incrementais de esforço de 30, 20 e 10% abaixo do limiar anaeróbico (LA) obtido no teste ergoespirométrico. Na 2ª e 4ª etapas realizou-se o registro contínuo de freqüência cardíaca (FC), através do freqüencímetro Polar S810®, e da pressão arterial de forma nãoinvasiva, através do aparelho Finapres®. A partir dos registros da PA, foram avaliadas a VPAS e a VFC no domínio do tempo e da freqüência (Transformada Rápida de Fourier). Os valores pressóricos também foram avaliados pelo método auscultatório no repouso, e em reposta ao TEM e a sessão de exercício aeróbica. Os valores de IMC (C: 21 ± 0,7 vs SM: 31,7 ± 1 Kg/m2), triglicérides (C: 96 ± 12 vs SM: 210 ± 29 mg/dL), glicemia de jejum (C: 89 ± 2 vs SM: 135 ± 13 mg/dL), glicemia pós-prandial (C: 89 ± 5 vs SM: 203 ± 2 mg/dL) e proteinúria (C: 22 ± 3,5 vs SM: 42 ± 8 vs mg/dL) foram maiores no grupo SM quando comparado ao grupo C. Já o colesterol total sanguíneo e a hemoglobina glicosilada foram semelhantes entres os grupos. A PA sistólica (PAS) (C: 102 ± 4 vs. SM: 140 ± 6 mmHg) e a pressão arterial diastólica (PAD) (C: 84 ± 2 vs. SM: 93 ± 2 mmHg) foram maiores no grupo SM que no grupo C, entretanto, a FC foi semelhante entre os grupos. A variância do intervalo de pulso (IP) (C: 1714 ± 232 vs SM: 444 ± 60 ms2) foi menor e a variância da PAS (C: 13 ± 1,7 vs SM: 45,7 ± 8 mmHg2) foi maior no grupo SM em relação ao grupo C em repouso. Na análise da variabilidade da FC no domínio do tempo, o grupo SM apresentou valores reduzidos para o NN50 (C: 15 ± 5 vs SM: 4,5 ± 1 ms) para o PNN50 (C: 4,3 ± 16 vs SM: 1,3 ± 0.32 %) e também para o RMSSD (C: 264 ± 3 vs SM: 15,5 ± 1,3 ms) quando comparado ao grupo C em repouso. Já para os componentes da variabilidade da FC no domínio da freqüência, o grupo SM apresentou valores da banda de alta freqüência (AF, modulação vagal) normalizada (C: 64 ± 3 vs SM: 41 ± 2 %) menores e os valores da banda de baixa freqüência (BF, modulação simpática) normalizada (C: 35,6 ± 3 vs SM: 59 ± 2 %) foram maiores em relação ao grupo C em repouso. A variância da PAS foi maior no grupo SM em relação ao grupo C em repouso. A sensibilidade dos pressorreceptores, avaliada pelo índice alfa, foi menor nas mulheres do grupo SM do que no grupo C em repouso (C: 9 ± 0,8 vs SM: 4 ± 0,46 ms/mmHg). A PAS e a PAD imediatamente após o TEM foi maior no grupo SM em relação ao grupo C. Além disso, o grupo C apresentou valores de PAS e PAD elevada quando comparado aos seus valores de repouso. Já para os valores de FC, ambos os grupos apresentaram elevação imediatamente após o TEM quando comparados aos seus respectivos valores em repouso. No período de recuperação do TEM (20min) a PAS e a PAD continuaram maiores no grupo SM em comparação ao grupo C, entretanto, retornaram aos seus respectivos valores basais. A variância do intervalo do IP os valores do NN50 e PNN50 permaneceram menores no grupo SM quando comparado ao grupo C na recuperação do TEM. O grupo C apresentou uma diminuição da banda de AF do IP (C: 29,5 ± 1%) e um aumento da banda BF do IP (C: 71 ± 1%) na recuperação do TEM em comparação aos seus valores de repouso. Também foi verificado um aumento da variância da PAS em ambos os grupos em relação aos seus respectivos valores de repouso após o TEM. Já o componente de BF da PAS foi maior no grupo C em comparação aos seus valores de repouso. O índice alfa continuou reduzido no grupo SM em relação ao grupo C após o TEM. Os valores de glicemia foram maiores no repouso e nos primeiros 5 minutos do exercício agudo (aquecimento) no grupo SM em comparação ao grupo C, não havendo diferença entre os grupos nos demais momentos de exercício e recuperação. Os níveis de colesterol, triglicérides e lactato mensurados no dia da sessão de exercício não foram diferentes entre os grupos antes e após a sessão de exercício agudo. Os valores de PAS permaneceram maiores no grupo SM durante a sessão de exercício, porém no período de recuperação não foram observadas diferenças em relação ao grupo controle (C: 109 ± 4 e SM: 121 ± 3 mmHg) entre os grupos. Já a FC foi maior em todos os momentos do exercício agudo no grupo SM e no grupo C em relação aos seus valores basais, e maior no grupo SM em relação ao grupo C no aquecimento. A variância do IP permaneceu menor no grupo SM (855 ± 142 ms2) após o exercício agudo em comparação ao grupo controle (1692 ± 362 ms2), entretanto, estava maior quando comparado aos valores em repouso. O NN50 e o PNN50 permaneceram menores, no grupo SM em relação ao grupo C ao final do período de recuperação do exercício agudo. Porém, não foram observadas diferenças entre os grupos no RMSSD após o exercício. A banda de BF normalizada do IP se apresentou reduzida no grupo SM no período de recuperação (42 ± 3 %) quando comparados aos seus valores de repouso (58 ± 2 ms2), enquanto que a banda de AF do IP foi maior na recuperação (58 ± 3 %) do exercício aeróbico em relação ao repouso (41±3 %) no grupo SM. De acordo com o observado em repouso, a variância da PAS estava maior e o índice alfa menor no grupo SM, quando comparado ao grupo controle, no período de recuperação após o exercício agudo. Nossos resultados demonstram que mulheres com síndrome metabólica em repouso, mesmo sob tratamento farmacológico, apresentaram hipertensão arterial e desregulação do perfil lipídico, além de redução da variabilidade da freqüência cardíaca e da modulação vagal cardíaca, aumento da variabilidade da pressão arterial sistólica e prejuízo na sensibilidade barorreflexa. Mulheres controle submetidas ao teste estresse mental apresentaram aumento na modulação simpática e redução da modulação vagal cardíaca, o que não foi observado nas mulheres com síndrome metabólica, provavelmente em decorrência da maior modulação simpática já no período de repouso ou por ação do tratamento farmacológico. Por fim, o achado mais importante do presente estudo foi que no período de recuperação de uma única sessão de exercício aeróbico, as mulheres com síndrome metabólica apresentaram redução da glicemia e dos valores da pressão arterial sistólica, aumento da variabilidade da freqüência cardíaca e melhora do balanço simpatovagal cardíaco, sugerindo um importante papel desta abordagem não-farmacológica no manejo das disfunções associadas à síndrome metabólica no sexo feminino.
Abstract: [en] The objective of this study was to analyze the systolic arterial pressure variability (SAPV) and heart rate variability (HRV), at time and frequency domain, at rest and after in response to a mental stress test and an acute bout of aerobic exercise, in women with metabolic syndrome (MS) under pharmacologic treatment. Twenty-three women were assigned to two groups, (age between 35 and 75 years old): control (CG, n=8) and metabolic syndrome (MSG, n= 15). NCEP/ATPIII criteria were used to define metabolic syndrome group individuals. Pharmacologic treatment was maintained in MSG. The protocol had five steps: 1- Evaluation of body composition and hematological and biochemical blood parameters, after a minimum 8- hours fasting period; 2- metabolic, hemodynamic and autonomic evaluation at rest and after a mental stress test (MET); 3- ergospirometric evaluation on a motor treadmill equipped with electrocardiogram to evaluate the maximal oxygen consumption (VO2 max) and ventilatory thresholds; 4- evaluation of the metabolic, hemodynamic and autonomic responses to an aerobic bout of exercise, with increasing effort to 30, 20 e 10 percent under of anaerobic threshold (AT) obtained in the ergospirometric test. At 2nd and 4th steps, a Polar S810® monitor was used for heart rate (HR) continuous recording, and a Finapres® monitor was used for non-invasive arterial pressure measurements. Towards the BP records, we evaluate SAPV and HRV in time and frequency dominium (Fast Fourier Transform). Blood pressure was also measured by auscultatory method at rest, immediately after MET and after aerobic exercise session. BMI (CG: 21 ± 0,7 vs MSG: 31,7 ± 1 Kg/m2), triglycerides (CG: 96 ± 12 vs MSG: 210 ± 29 mg/dL), fasting glucose (CG: 89 ± 2 vs MSG: 135 ± 13 mg/dL), postprandial glicemia (CG: 89 ± 5 vs MSG: 203 ± 2 mg/dL) and protein excretion (CG: 22 ± 3.5 vs MSG: 42 ± 8 vs mg/dL) values were greater in MSG as compared to CG. However, plasma total cholesterol and glycosylated hemoglobin were similar between groups. The systolic arterial pressure (SAP) (CG: 102 ± 4 vs. MSG: 140 ± 6 mmHg) and diastolic arterial pressure (DAP) (CG: 84 ± 2 vs. MS: 93 ± 2 mmHg) were higher in MSG than in CG, but the HR were similar between groups. The pulse interval (PI) interval variance (CG: 1714 ± 232 vs MSG: 444 ± 60 ms2) was lower and SAP variance (CG: 13 ± 1.7 vs MSG: 45.7 ± 8 mmHg2) was higher in MSG in relation to CG at rest. HR variability analysis in the time domain showed that MSG had reduced values of NN50 (CG: 15 ± 5 vs MSG: 4,5 ± 1 ms), PNN50 (CG: 4,3 ± 16 vs MSG: 1,3 ± 0,32 %), and RMSSD (CG: 264 ± 3 vs MSG: 15,5 ± 1,3 ms) when compared to CG at rest. However, for HR variability components in the frequency domain, MSG presented lower normalized high frequency band (HF parasympathetic modulation) values (CG: 64 ± 3 vs MSG: 41 ± 2%), and higher normalized low frequency band (LF sympathetic modulation) values (CG: 35.6 ± 3 vs MSG: 59 ± 2%) in relation to CG at rest. The SAP variability was higher in MSG than CG at rest. The baroceptor sensibility, which was evaluated by alpha index, was lower in MSG than in CG at rest (CG: 9 ± 0.8 vs MSG: 4 ± 0.46 ms/mmHg). SBP and DBP, immediately after MET were higher in MSG as compared to CG. Moreover, CG presented higher SBP and DBP values when compared to their values at rest. Both groups presented increase in HR values, immediately after MET when compared to their respective values at rest. In the recovery period of MET (20 min), MSG maintained high SBP and DBP values in comparison to CG; however, SBP and DBP returned to their basal values. PI interval variance, and values of NN50 and PNN50 remained lower in MSG in comparison to CG after the recovery period of the MET. CG presented a reduction in HF normalized band (CG: 29.5 ± 1%), an increase in LF normalized band (CG: 71 ± 1%) as compared to their values at rest. An increase in SBP variability was also observed in both groups as compared to their respective values at rest after MET. However, the LF component of SBP was higher in CG after MET in comparison to their basal values. Alpha index remained reduced in MSG in relation to CG after MET. At rest and at the first five minutes of acute exercise (warming), glycemia was higher in MSG in comparison to CG, there weren't differences between groups all over exercise steps or recovery. The cholesterol, tryglicerides and lactate values were similar between groups during and after a bout of exercise. SBP values remained higher in MSG in the exercise period, however in the recovery period of the acute exercise there was no difference in relation to CG (CG: 109± 4 e MSG: 121±3mmHg). HR, however, remained higher during all acute exercise session in the MSG and CG in relation to its basal values, and higher in MSG compared to CG in the warming period. PI variance remained lower in MSG (855 ± 142 ms2) after acute exercise, in comparison to CG (1692 ± 362 ms2), but it was higher in MSG when compared to MSG values at rest. NN50 and PNN50 remained diminished in MSG in relation to CG at the end of the recovery period of the acute exercise. However, there weren't difference between groups at RMSSD after exercise period. LF normalized band of PI was reduced in MSG in the recovery period (42 ± 3%) when compared to its values at rest (58 ± 2%), as well as HF band of PI was higher in MSG (58 ± 3%) in exercise in relation to rest (41± 3%). In accordance with the observed at rest, SBP variance was increased and alpha index was reduced in MSG in relation to CG in the recovery period of acute exercise. Our results showed that women with metabolic syndrome, even under pharmacologic treatment, present hypertension and lipidic profile alteration as well as reduction in pulse interval variance and cardiac vagal modulation, increase in arterial pressure variance, and impairment of baroreflex sensitivity at rest. Control women submitted to MET presented augment in cardiac sympathetic modulation and reduction in cardiac vagal modulation, which were not observed in women with metabolic syndrome, probably due to their increased sympathetic modulation at rest or to the pharmacological treatment. Finally, our most important finding was that in the recovery period of a single bout of aerobic exercise, women with metabolic syndrome presented reduction of glicemia and systolic arterial pressure values, increased heart rate variability and improved in cardiac sympathovagal balance, suggesting an important role of this non-pharmacological approach in the management of the dysfunctions related to metabolic syndrome.
Titulação: Mestrado em Educação Física.
Orientador (a): Drª. Kátia De Angelis
Assuntos: [pt] Obesidade
[pt] Gasto energético
[pt] Adolescentes
[pt] Exercícios
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Pesquisa Específica