Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Resumo

Autor: Iris Callado Sanches
Título(s): [pt] Perfil metabólico e cardiovascular de ratas hipertensas submetidas a um modelo experimental de menopausa e síndrome metabólica: papel do treinamento físico
Resumo: [pt] Os objetivos do presente estudo foram avaliar em ratos fêmeas os efeitos metabólicos, cardiovasculares e autonômicos: 1) da privação dos hormônios ovarianos na presença ou não de hipertensão associada ou não a alterações metabólicas induzidas pela sobrecarga de frutose; 2) do treinamento físico em ratas hipertensas ooforectomizadas submetidas ou não à sobrecarga de frutose. Foram utilizados 16 ratos Wistar fêmeas e 32 ratos espontaneamente hipertensos fêmeas (SHR) dividas em 6 grupos (n=8 cada): controles sedentárias (CS), ooforectomizadas sedentárias (OS), ooforectomizadas hipertensas sedentárias (OHS), ooforectomizadas hipertensas treinadas (OHT), ooforectomizadas hipertensas sedentárias tratadas com frutose (FOHS) e ooforectomizadas hipertensas treinadas tratadas com frutose (FOHT). O tratamento com frutose consistiu na diluição de frutose na água de beber (100g/L de água). A ooforectomia foi realizada através da secção dos ovidutos e remoção bilateral dos ovários. A concentração sanguínea de glicose e triglicerídeos e o teste de resistência à insulina foram utilizados para avaliar o perfil metabólico. Os grupos treinados foram submetidos a um programa de treinamento físico em esteira ergométrica (1 hora/dia, 5 dias/semana, 8 semanas). Ao final do protocolo, os animais foram canulados para registro direto de pressão arterial (PA), avaliação da sensibilidade barorreflexa, através das respostas de taquicardia (RT) e bradicardia (RB) reflexas a alterações de PA induzidas pela injeção de doses crescentes de nitroprussiato de sódio e fenilefrina, e dos tônus vagal (TV) e simpático (TS), através (i.v.) do bloqueio vagal (atropina, 3mg/Kg) e simpático (propranolol, 4mg/Kg). Além disso, avaliou-se o controle autonômico cardiovascular no domínio do tempo e da freqüência (análise espectral). A ooforectomia promoveu aumento no peso corporal. O grupo FOHS apresentou aumento significativo nas concentrações sanguíneas de glicose e triglicerídeos e menor KITT (constante de decaimento da glicose) no teste de tolerância à insulina quando comparado aos demais grupos ao final do protocolo. O grupo OS apresentou maior pressão arterial média do que o CS (121±2,5 vs. 108±1,4 mmHg no CS). O consumo de frutose provocou um aumento adicional na pressão arterial média e taquicardia no grupo FOHS (174±3,6 mmHg e 398±14 bpm) em relação ao OHS (162±4,7 mmHg e 348±16 bpm). A ooforectomia provocou uma redução na sensibilidade barorreflexa para as RT no grupo OS em relação ao grupo CS. Os animais dos grupos hipertensos (OHS e FOHS) apresentaram menor sensibilidade barorreflexa para as RB do que os animais CS. Além disso, os grupos OHS e FOHS apresentaram uma redução adicional da RT quando comparados ao grupo OS. O consumo de frutose provocou uma redução do TV no grupo FOHS (5±3 bpm) em relação aos demais grupos estudados (CS: 55±5; OS: 37±6; OHS: 35±7 bpm). Além disso, o TS foi maior no grupo FOHS quando comparado ao CS (91±18 vs. 39±10 bpm no CS). O índice RMSSD, indicativo de atividade parassimpática, foi significativamente maior no grupo FOHS (3,33±0,40 ms) quando comparado ao CS (7,41±0,83 ms) ou OS (7,60±0,88 ms). A banda de baixa freqüência do intervalo de pulso (BF-IP), correspondente à modulação simpática, estava reduzida no grupo FOHS em relação aos demais grupos, enquanto a banda de alta freqüência do intervalo de pulso (AF-IP), que corresponde à modulação parassimpática, foi significativamente menor no FOHS em relação ao CS. O grupo OHS (7,03±0,34 mmHg) apresentou maior desvio padrão da pressão arterial sistólica (DP-PAS) quando comparado ao CS (4,69±0,45 mmHg). O DP-PAS, a variância da pressão arterial sistólica (VAR-PAS) e a banda de baixa freqüência da pressão arterial sistólica (BF-PAS) foram maiores no grupo FOHS em relação ao grupo CS e OS. A redução na banda BF-PAS no grupo FOHS foi significativa quando comparada também ao grupo OHS. O índice alfa, que tem sido aceito como um índice da atividade barorreflexa espontânea, foi menor nos grupos OHS e FOHS quando comparados ao CS. O consumo de frutose induziu uma redução adicional do índice alfa no grupo FOHS em relação ao grupo OS. Além disto, o treinamento físico foi eficaz em reduzir a glicemia, os triglicerídeos sanguíneos e a resistência à insulina no grupo FOHT em relação ao FOHS. Os valores de pressão arterial foram menores no grupo OHT (146±3,1 mmHg) quando comparado ao grupo OHS (162±4,7 mmHg). Foi observada melhora na sensibilidade barorreflexa para RB e RT no grupo OHT em relação ao OHS associado a aumento no TV. O treinamento físico também normalizou a taquicardia e induziu redução do exacerbado tônus simpático cardíaco e da banda de BF-PAS no grupo FOHT em relação ao grupo FOHS. O treinamento físico induziu aumento na sensibilidade barorreflexa espontânea, representado pelo índice alfa, no grupo OHT (1,13±0,13 ms/mmHg) em relação ao OHS (0,79±0,11 ms/mmHg), e no grupo FOHT (0,67±0,09 ms/mmHg) em relação ao FOHS (0,29±0,03 ms/mmHg). Concluindo, a privação dos hormônios ovarianos induziu disfunções cardiovasculares e autonômicas que foram agravadas pela presença de hipertensão e ainda mais exacerbadas quando associadas ao consumo crônico de frutose. A melhora na sensibilidade barorreflexa arterial, a diminuição dos níveis de atividade nervosa simpática e/ou aumento da atividade nervosa parassimpática causadas pelo treinamento físico, que foram ainda associadas à melhora no perfil metabólico (grupo submetido ao consumo crônico de frutose) em ratas hipertensas submetidas à privação dos hormônios ovarianos podem ter importantes implicações clínicas se confirmadas em estudos futuros em mulheres e reforçam o importante papel da prática de exercícios físicos regulares como forma de tratamento nãofarmacológico nas disfunções induzidas pela privação dos hormônios ovarianos em presença de hipertensão associada ou não a alterações metabólicas.
Abstract: [en] The objectives of present study were to investigate in female rats the metabolic, cardiovascular and autonomic effects: 1) of ovarian hormones deprivation in presence or not of hypertension associated or not with metabolic alterations induced by a high fructose diet; 2) of exercise training in hypertensive ovariectomized female rats submitted or not to a high fructose diet. Experiments were performed in 16 female Wistar rats and 32 female spontaneously hypertensive rats (SHR), divided into 6 groups (n=8 each): sedentary control (SC), sedentary ovariectomized (SO), sedentary hypertensive ovariectomized (SHO), trained hypertensive ovariectomized (THO), sedentary hypertensive ovariectomized submitted to fructose overload (SHOF), trained hypertensive ovariectomized submitted to fructose overload (THOF). The fructose was provided in the drinking water (100g/L). The ovariectomy was realized through the oviduct section and bilateral ovary removal. The blood glucose and tryglicerides concentrations and the insulin tolerance test were performed to evaluate the metabolic profile. The trained groups were submitted to an exercise training protocol on a treadmill (1 hour/day; 5 days/week; 8 weeks). At the end of protocol, the rats were canullated to arterial pressure (AP) direct recording, baroreflex sensivity evaluation, by the tachycardic (TR) and bradycardic (BR) reflex responses to AP alterations induced by increasing doses of sodium nitroprusside and phenylephrine, and vagal (VT) and sympathetic tonus measurements, through vagal (atropine, 3mg/Kg, iv) and sympathetic blockade (propranolol, 4mg/Kg, iv). Moreover, the cardiovascular autonomic control was evaluated in the time and the frequency (spectral analysis) domains. The ovariectomy induced an increase in body weight. The SHOF group showed increased blood glucose and tryglicerides concentrations and reduced KITT (rate constant for blood glucose disappearance) during the insulin tolerance test when compared to other groups at the end of protocol. The SO group showed higher mean AP than the SC group (121±2.5 vs. 108±1.4 mmHg in SC). The fructose consumption induced an additional increase in mean AP and a resting tachycardia in SHOF rats (174±3.6 mmHg and 398±14 bpm) in relation to SHO rats (162±4.7 mmHg and 348±16 bpm). The ovariectomy promoted a baroreflex sensitivity reduction for TR in SO group in relation to SC group. The hypertensive animals (SHO and SHOF) showed attenuated baroreflex sensitivity to BR as compared to SC animals. Moreover, the SHO and SHOF groups showed an additional reduction in TR when compared to SO group. The fructose consumption induced a VT reduction in SHOF group (5±3 bpm) in relation to the other groups (SC: 55±5; SO: 37±6; SHO: 35±7 bpm). Furthermore, the ST was higher in SHOF group as compared to SC group (91±18 vs. 39±10 bpm in SC). The RMSSD, a parasympathetic activity index, was higher in SHOF group (3.33±0.40 ms) in comparison to SC (7.41±0.83 ms) and SO groups (7.60±0.88 ms). The low frequency band of the pulse interval (LF-PI), representative of the sympathetic modulation, was reduced in SHOF group in relation to the other groups, while the high frequency band of the pulse interval (HF-PI), representative of the parasympathetic modulation, was diminished in SHOF rats when compared to SC rats. The SHO group (7.03±0.34 mmHg) showed higher standard desviation of systolic AP (SD-SAP) in relation to SC group (4.69±0.45 mmHg). The SD-SAP, the systolic AP variance (VAR-SAP) and the LF band of the systolic AP (LF-SAP) were higher in SHOF group when compared to the SC and SO groups. The LF-SAP reduction in SHOF group was additionally reduced when compared to the SHO group. The alfa index, is supposed to reflet the spontaneous baroreflex, was reduced in SHO and SHOF rats when compared to SC rats. The fructose consumption induced an additional reduction in alfa index in SHOF group in relation to SO group. Moreover, the exercise training was effective induce an reduction on blood glucose and tryglicerides concentrations and on insulin resistance in THOF group when compared to SHOF group. The mean AP values were diminished in THO rats (146±3.1 mmHg) as compared to SHO rats (162±4.7 mmHg). There was an improvement on baroreflex sensitivity, for both BR and TR, in THO rats when compared to SHO rats, associated with an increased VT. The exercise training also normalized the resting tachycardia and reduced the exacerbated ST and LF-SAP band in THOF group relation to SHOF group. The exercise training induced an increase on spontaneous baroreflex sensitivity, represented by the alfa index, in THO group (1.13±0.13 ms/mmHg) as compared to SHO group (0.79±0.11 ms/mmHg), and in THOF rats (0.67±0.09 ms/mmHg) in relation to SHOF rats (0.29±0.03 ms/mmHg). In conclusion, the ovarian hormones deprivation induced cardiovascular and autonomic dysfunctions, which were worsened by the presence of hypertension and that were additionally exacerbated when associated to the chronic fructose consumption. The improvement on baroreflex sensitivity, the reduction on sympathetic nervous activity and/or the increase on parasympathetic nervous activity caused by the exercise training, which were also associated with an improvement on metabolic profile (group submitted to a chronic fructose consumption) in hypertensive rats submitted to the ovarian hormones deprivation may have an important clinical implication if confirmed in future studies in women, as well as reinforce the important role of regular physical activity as a non-pharmacological treatment for the dysfunctions induced by the ovarian hormones deprivation in presence of hypertension associated or not with metabolic alterations.
Titulação: Mestrado em Educação Física
Orientador(a): Profª. Dra. Kátia De Angelis
Assuntos: [pt] Menopausa
[pt] Hipertensão
[pt] Treinamento físico
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