Biblioteca - Profª Alzira Altenfelder Silva de Mesquita

Resumo

Autor: Kátia Regina Ponciano
Título(s): [pt] Efeitos cardiovasculares e metabólicos do treinamento físico em ratas submetidas à sobrecarga de frutose e à privação dos hormônios ovarianos.
Resumo: [pt] O objetivo do presente estudo foi avaliar os efeitos do treinamento físico no perfil metabólico, cardiovascular e renal de ratas ooforectomizadas submetidas à sobrecarga de frutose. Para isso, foram utilizadas 32 ratas Wistar fêmeas (66±1,4g) ooforectomizadas (retirada bilateral dos ovários), divididas em 4 grupos: sedentário (OS) e treinado (OT), tratado com frutose (100g/L água) sedentário (FOS) e treinado (FOT). Os grupos treinados foram submetidos a treinamento físico aeróbio, realizado em esteira ergométrica rolante, durante 8 semanas (1hora/dia, 5dias/semana). O teste de esforço máximo realizado ao final do protocolo evidenciou aumento na capacidade de exercício das ratas dos grupos OT e FOT em relação aos OS e FOS. O consumo de água e de ração foi mensurado ao final protocolo. Os grupos tratados com frutose, FOS e FOT apresentaram maior consumo de água (frutose) quando comparados aos grupos OS e OT. Com relação ao consumo de ração, o grupo FOS apresentou menor consumo quando comparado aos grupos OS e FOT. Os grupos treinados, OT (307±5,2 vs. 329±4,3 gramas no OS) e FOT (329±1,5 vs. 365±3,4 gramas no FOS), apresentaram redução do peso corporal no final do protocolo em relação aos seus respectivos grupos controles, OS e FOS. O grupo FOS apresentou aumento de peso do tecido adiposo branco visceral (59,4%) quando comparado ao OS, enquanto o treinamento físico reduziu esses valores no FOT em relação ao FOS. O grupo OS apresentou valores de glicemia dentro da faixa de normalidade. As ratas dos grupos OT e FOT apresentaram valores de glicemia inferiores aos das ratas do FOS. O grupo FOS (194,50±5,11 mg/dl) apresentou valores de triglicerídeos plasmáticos superiores quando comparado aos grupos OS (86,26±3,02 mg/dl), OT (81,83±1,21 mg/dl) e FOT (117,88±4,86 mg/dl) no final do protocolo. No teste de tolerância à insulina, no qual a glicemia foi medida antes e 4, 8, 12 e 16 minutos após a injeção de insulina, a constante de decaimento da glicose plasmática entre os tempos 4 e 16 min foi menor no grupo OS quando comparado ao OT, enquanto o FOT apresentou uma tendência à redução (p<0,1) em relação ao grupo FOS. Os valores de pressão arterial sistólica, diastólica e média (PAM) registrados batimento-a-batimento através de um sistema de aquisição de sinais biológicos (2KHz) estavam acima dos padrões de normalidade nas ratas do grupo OS (PAM: 121±2,5 mmHg), enquanto nos OT (PAM: 113±1,5 mmHg), FOS (PAM: 109±1,7 mmHg) e FOT (PAM: 111±1,4 mmHg) encontraram-se dentro da faixa de normalidade. Os animais treinados, OT (345±8 vs. 377± 5 bpm no OS) e FOT (339±6 vs. 363±5 bpm no FOS), apresentaram bradicardia de repouso quando comparados aos sedentários, OS e FOS, evidenciando a eficácia do treinamento físico. O treinamento físico também foi eficiente em aumentar a sensibilidade dos pressorreceptores (avaliada pela injeção de doses crescentes de fenilefrina e nitroprussiato de sódio) no grupo OT em relação ao OS, e no FOT em relação ao FOS, tanto para respostas taquicárdicas reflexas quanto para bradicárdicas reflexas. A avaliação do controle autonômico, realizada através do bloqueio do parassimpático com atropina e do simpático com propranolol, evidenciou aumento no efeito vagal nos grupos treinados, OT (80±13 vs. 44±2 bpm no OS) e FOT (76±12 vs. 45±7 bpm no FOS), em relação aos sedentários, OS e FOS. O efeito simpático foi maior no grupo FOS (54±10 vs. 40±16 bpm no OS) quando comparado ao OS, enquanto no FOT (20±3 vs. 40±16 bpm no OT e 54±10 bpm no FOS) foi observada uma diminuição nesses valores em relação aos OT e FOS. Não houve diferença entre os grupos na freqüência cardíaca intrínseca. Na avaliação da função ventricular realizada através do registro direto da pressão intraventricular esquerda no repouso, durante e após um protocolo de sobrecarga de volume, observou-se que o grupo OT apresentou aumento da derivada de relaxamento do VE (em todos os momentos da avaliação) e de contração do VE (durante a sobrecarga de volume e o retorno deste procedimento) em relação ao grupo OS. O grupo FOS não mostrou diferenças importantes na função ventricular em relação ao grupo OS. Além disto, não foram observados benefícios na função cardíaca no grupo FOT, sugerindo que o consumo de frutose possa ter impedido a melhora de contratilidade verificada no OT. Com relação a função renal, avaliada através do volume urinário e parâmetros bioquímicos na urina, observou-se glicosúria e poliúria nos grupos tratados com frutose (FOS ou FOT). O treinamento físico induziu redução da excreção de proteínas no grupo FOT em relação ao grupo FOS (0,30±0,05 vs. 1,10±0,13 g/l), sugerindo atenuação da lesão renal. Em conjunto os resultados do presente estudo permitem concluir que ratas submetidas à privação dos hormônios ovarianos e ao consumo crônico de frutose apresentam disfunções metabólicas, cardiovasculares, renais e na modulação autonômica cardíaca que são em grande parte atenuadas pelo treinamento físico, sugerindo um importante papel desta abordagem não farmacológica no manejo de fatores de risco para o desenvolvimento da síndrome metabólica em mulheres menopausadas.
Abstract: [en] The aim of the present study was to test the hypothesis that exercise training can improve metabolic, cardiovascular and renal profiles in ovariectomized rats (OVX) submitted to a high fructose diet. Experiments were performed on 32 females, virgin Wistar OVX rats (66±1.4g) divided into four groups: sedentary (SO) and trained (TO), fructose (100 g/L water) sedentary (FSO) and trained (FTO). Exercise training was performed on a treadmill for 8 weeks (1 hour a day, 5 days a week). Maximal treadmill test performed at the end of the protocol showed increase in exercise capacity in TO and FTO groups when compared with SO and FSO groups. The food and water intake were mensured at the end of the protocol. The groups treated with fructose (FSO and FTO) showed increase in water intake (fructose) as compared to SO e TO groups. The FSO group demonstrated decrease in food intake when compared to SO and FTO groups. The trained rats, TO (307±5.2 vs. 329±4.3 g in OS) and FTO (329±1.5 vs. 365±3.4 g in FOS), showed reduced body weight at the end of the protocol in relation to sedentary rats. The FSO group presented enhancement in white adipose tissue (59.4%) when compared to SO group. Exercise training reduced this parameter in FTO rats in comparison with FSO rats. The SO group showed plasma glucose level in the normality range. The TO and FTO groups presented lower glycemia in relation to FSO group. The FSO rats (194.50±5.11 mg/dl) showed higher plasma triglycerides when compared with SO (86.26±3.02 mg/dl), TO (81.83±1.21 mg/dl) and FTO rats (117.88±4.86 mg/dl) at the end of the protocol. The insulin tolerance test, in which samples for blood glucose determination were collected at 0 (basal), 4, 8, 12 and 16 min after insulin injection, the ratio of plasma glucose decrease (KITT) was calculated and demonstrated that SO group presented lower KITT when compared to TO group, and that FTO rats showed tendency of reduction of this parameter (p<0,1) in relation to FSO rats. The blood pressure signals (systolic, diastolic and mean (MAP) were recorded and processed beat-to-beat by a microcomputer equipped with analog-to-digital converter board (CODAS, 2kHz sampling frequency, Dataq Instruments, Inc). The blood pressure was higher in SO rats (MAP: 121±2.5 mmHg) as compared to normal values presented by TO (MAP: 113±1.5 mmHg), FSO (MAP: 109±1.7 mmHg) and FTO groups (MAP: 111±1.4mmHg). Trained animals, TO (345±8 vs. 377±5 bpm in SO) and FTO (339±6 vs. 363±5 bpm in FSO), showed resting bradycardia when compared with sedentary groups, SO and FSO, demonstrating the exercise training protocol efficacy. Exercise training improved also baroreflex sensitivity (evaluated by increasing doses of phenylephrine and sodium nitroprusside) in TO group in comparison to SO group, and in FTO rats in comparison to FSO rats, for both, tachycardic and bradycardc reflex responses. The evaluation of autonomic control, performed by parasympathetic block by atropine and sympathetic block by propanolol, showed higher vagal effect in trained groups, TO (80±13 vs. 44±2 bpm in SO) and FTO (76±12 vs. 45±7 bpm in FSO), as compared to sedentary animals, SO and FSO. The sympathetic effect was higher in FSO group (54±10 vs. 40±16 bpm in SO) when compared to SO group, while FTO rats (20±3 vs. 40±16 bpm in TO and 54±10 bpm in FSO) presented reduced sympathetic effect in relation TO and FSO rats. Intrinsec HR was not different between groups. In the evaluation of left ventricular function (LV) through direct registration intraventricular pressure at rest, during and after a protocol of volume overload, it was observed that TO group showed increase in LV maximus rate of fall (in all moments of evaluation) and rise (during the volume overload and in the restoring period) in comparison to SO group. The FSO group it did not show important differences in LV in comparison to SO group. Furthermore, FTO rats were not beneficed in LV function. This finding suggests that high fructose diet can block the improvement verified in LV contractility after exercise training. Renal function, evaluated through urinary volume and biochemists parameters, demonstrated glicosuria and poliuria in groups treated with fructose (FSO and FTO). Exercise training induced lower protein excretion in FTO group in comparison to FSO group (0.30±0.05 vs. 1.10±0.13 g/l), suggesting attenuation of renal injury. In conclusion, the results of the present study indicated that ovariectomized rats submitted to a high fructose diet demonstrated metabolic, cardiovascular, renal and autonomic modulation dysfunctions that were attenuated the exercise training, suggesting an important role of this intervention in the management of women with ovarian hormonal deprivation and metabolic syndrome.
Titulação: Mestrado em Educação Física
Orientador: Kátia De Angelis
Assuntos: [pt] Exercício Físico
[pt] Menopausa
[pt] Síndrome Metabólica
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